MELANCOLIA por Luísa Lobão Moniz

 

Há um estado de alma que não sabemos muito bem como descreve-lo.

Por vezes, o corpo pára e ficamos vazios, nem sabemos bem porquê, só sabemos que desapareceu do nosso olhar, que já não se senta na mesma cadeira, que já não adormece a ver televisão…

Alguém fez parte de nós. Proibiu, castigou e contou sempre a mesma história, que não fomos capaz  de decorar se não o princípio que não podia deixar de ser “Era uma vez uma menina…”

A chave rodava na porta e…o vazio enchia-se de emoções várias.

Cadernetas do Liceu para serem assinadas sobre o aproveitamento escolar e sobre o comportamento que, muitas vezes, extravasava as regras escolares, quase sempre, por rebeldia e contestação.

Havia revolta e submissão, havia silêncio e não diálogo.

Tudo isto coexistia naturalmente, era assim que se educavam os filhos.

Ainda não havia vazio, havia alguns espaços para serem ocupados.

Por vezes, as lágrimas diziam “ sim, não vou sair com os meus amigos.”

A seguir, a regra não era respeitada.

Mas agora o vazio é muito diferente, já ninguém amua, já ninguém contesta, agora as regras são outras.

Quando a melancolia nos visita começa o parar de uma vida feliz. Começa a falta de vigilância das emoções. A sonolência aparece para que o corpo fique inerte e não participe na partilha da Natureza que nos deu o mar, as montanhas, os lagos, e…e…e.

O confronto da melancolia com a realidade é devolver  a vida feliz que entretanto “bateu asas e voou”.

Ser feliz custa mais do que se poderá imaginar. Ser feliz resulta também do trabalho do cérebro, da luta interna para que a realidade volte novamente.

É preciso que cada um saiba que a melancolia não pode ser vivida sob pena de se tornar numa profunda tristeza que facilmente dá a mão à depressão.

Nós queremos Viver com alegria e bem estar. Confrontemos a melancolia com a realidade e fiquemos de fora a ver o que se passa. É difícil acreditarmos que somos importantes, que somos aceites, que os outros aceitem e respeitem os nossos momentos de melancolia. Também temos direito a estarmos melancólicos, não.

Afinal as vidas surgem Oh que alegria e mais tarde vai-se embora para o desconhecido.

 

 

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