Homenagem ao Carlos Tenreiro, uma série de textos sobre questões de macroeconomia e de alta finança – 17. A Senadora Elizabeth Warren Discute o Impacto Negativo do projeto de Lei de Desregulamentação Bancária sobre os Consumidores Americanos (sexto de 6 discursos no Senado dos EUA)

Carlos Tenreiro

Carlos Tenreiro, um estudante de excecional maturidade emocional, de rara cultura, de rara sensibilidade e de alta capacidade pedagógica para transmitir o que sabia e até muitas vezes a gerar nos estudantes uma apetência por aquilo que ele mesmo ainda não sabia, mas que faria parte da sua trajetória de conhecimentos a desenvolver.

 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

17. A Senadora Elizabeth Warren Discute o Impacto Negativo do projeto de Lei de Desregulamentação Bancária sobre os Consumidores Americanos (sexto de 6 discursos no Senado dos EUA)

Senadora Elizabeth Warren Elizabeth Warren

Sexto Discurso

A senadora Warren exorta o Senado a rejeitar a lei do lóbi bancário

Washington, DC – A Senadora americana Elizabeth Warren (D-Mass.) fez hoje o seu sexto discurso no Senado de oposição à lei do lóbi bancário. Nas suas observações a Senadora Warren debate que o Senado deveria trabalhar em prol do povo americano, em vez dos grandes bancos, e exorta os seus colegas a rejeitarem a legislação proposta.

A Senadora Warren insta o Congresso a, em vez disso, centrar-se na aprovação daa nova legislação por si proposta, o Terminar do Grande Demais para ser Encarcerado (Ending Too Big to Jail Act), que tornaria os executivos de Wall Street criminalmente responsabilizáveis por enganarem os americanos.

Segue-se o texto completo das suas observações.

 

14 de março de 2018

Na passada 6ª feira, tive um debate no município de Springfield, Massachusetts. No sábado tive outro, desta vez no município de Weymouth, Massachusetts. Encontrei-me com jovens da Escola Secundária de que estão a formar o grupo “Never Again” e querem que nós aprovemos regulamentação sensata sobre as armas. Encontrei-me com gente sonhadora que quer que aprovemos DACA [Deferred Action for Childhood Arrivals, política anunciada pelo ex-presidente Obama em 2012, para indivíduos trazidos ilegalmente para os EUA quando eram ainda crianças, proporcionando-lhes licença de trabalho por dois anos renovável]. Encontrei-me com pessoas que fugiram dos furacões de Porto Rico e que querem que haja um plano abrangente de reconstrução da ilha. encontrei-me com pessoas que vivem na costa sul e que estão profundamente preocupadas com a subida dos oceanos e a necessidade de construir resiliência na habitação e nas infraestruturas da linha de costa. Encontrei-me com pessoas alarmadas com o crescente custo dos cuidados de saúde e com os esforços dos Republicanos para se reverter o Obamacare e o Medicaid e Medicare. Até encontrei algumas pessoas que querem que nos centremos maiores esforços na reforma da justiça criminal.

Há tantas coisas que o Congresso podia fazer. Existem tantos problemas que o povo americano nos pedem que solucionemos.

Mas nem uma única pessoa nesses debates, encontros ou entrevistas à imprensa, ou a comprarem uma pizza no Armando’s, pediu que o Congresso se dedicasse a reverter as regras aplicáveis a alguns dos maiores bancos do país o que poderá levar ao colapso da economia novamente. É isso que este projeto lei fará. Realmente.

Os peritos do Gabinete de Orçamento do Congresso [CBO] dizem que este projeto de lei aumentará a probabilidade de que os contribuintes tenham que resgatar os grandes bancos mais uma vez. O CBO diz também que o projeto permitiria que bancos de Wall Street como Citigroup e JPMorgan Chase pudessem reduzir significativamente os seus requisitos de capital próprio. O Professor Jeffrey Gordon, um especialista em regulação financeira na Columbia Law School, diz que o projeto “produzirá uma dinâmica de corrida para o abismo que aumentará drasticamente a possibilidade de outra crise financeira.” E o Wall Street Journal e a Bloomberg dizem ambos em editorial que o projeto lei inclui perigosos brindes aos grandes bancos.

Mas, enfiadas nos detalhes do projeto, há mais minas terrestres para as famílias americanas. O projeto dá cabo das proteções das famílias que adquirem casas tradicionais e móveis e mina a nossa capacidade para fazer respeitar as leis de direitos civis. E para quê? Para que os bancos, que já estão a ter lucros recorde, possam acrescentar um pouco mais aos seus resultados?

Se o Senado vai gastar duas semanas a tratar dos grandes bancos, deveria ser para tornarmos as regras mais duras, não mais fracas. Hoje, apresentei um projeto, o Ending Too Big to Jail Act, que ajudaria a assegurar que os executivos dos grandes bancos são expulsos algemados dos seus escritórios da próxima vez que violem a lei. Isso faria mais pelas famílias trabalhadoras americanas do que qualquer das disposições deste projeto de lei – e vou lutar para que a minha proposta se torne lei.

O que é que revela sobre Washington o facto de Republicanos e Democratas não poderem juntar-se para apoiar reformas de senso comum quanto às armas ou soluções para as famílias trabalhadoras – mas que podem juntar-se para desregular os grandes bancos no décimo aniversário do início da crise financeira de 2008?

Eis o que eu penso que revela: Washington tornou-se completamente desconectada dos problemas reais das vidas das pessoas. Aqui trabalha-se lindamente para as pessoas que podem contratar sofisticados lobistas e assinar cheques elevados, mas não funciona para mais ninguém.

Isto também me toca pessoalmente. Cresci em Oklahoma na borda irregular da classe média. A minha família lutou com dificuldades, e quando parecia que as coisas iam um bocadinho melhor, o meu pai teve um ataque cardíaco, perdeu o seu emprego, e quase perdemos a nossa casa. Tinha 12 anos então, e sei o que se sente quando ouves a tua mãe chorar todas as noites. Sei o que se sente quando te perguntas se terás que mudar de escola ou ir para outra cidade porque o banco te vai tirar a tua casa. Sei porque o vivi na minha pele.

Há dez anos, quando a economia colapsou, quando me deitava à noite pensava nos milhões de pessoas que trabalharam duramente, respeitando as regras, e depois foram despojados da sua dignidade porque alguém que nunca viram apostou com o futuro da sua família – e perdeu. Questionei-me sobre as crianças e os jovens. Sobre as suas mães. Sobre os seus pais. A execução de uma hipoteca não é precisamente uma seca transação financeira – é o tipo de evento que pode destruir uma família.

O povo americano não vai ficar parado enquanto os grandes bancos e outras gigantescas corporações gerem a economia e este Congresso em seu próprio benefício. E em breve – talvez não hoje, ou na próxima semana, ou até nas próximas eleições – mas em breve, eles exigirão um governo que trabalhe a favor do povo.

 

Texto original em https://www.warren.senate.gov/newsroom/press-releases/senator-warren-calls-on-senate-to-reject-bank-lobbyist-act

 

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