PROIBIR? por Luísa Lobão Moniz

Hoje 8 de Junho a Assembleia Nacional Francesa aprovou a proibição dos telemóveis nas escolas.

Proibir é fácil, tornar efectiva a proibição é outra coisa.

Há uns anos, não muitos, os pais fizeram uma grande pressão sobre as escolas para que estas deixassem os alunos levarem os telemóveis para a escola, com a justificação de que poderiam precisar de falar com os filhos ou estes com os pais.

A sociedade, o Ministério, a escola não foi capaz de divulgar que as escolas têm telefone e que é permitido aos alunos fazerem telefonemas e que os pais podem telefonar para a escola para falar com os seus filhos.

Que mal é que tem os alunos levarem os telemóveis para as escolas? Nenhum desde que sejam estabelecidas regras que todos cumpram, inclusive os professores. Também estes não devem atender chamadas quando estão na sala de aula.

Os alunos são hábeis em quebrar proibições sem que a escola se aperceba. O que prefiro, deixar os alunos levarem telemóveis e estabelecer com eles regras de utilização, regras que sejam entendíveis por todos, ou proibir e saber que disfarçadamente os alunos estão a mandar mensagens, a fazer jogos, a procurar na net sites de informação desadequada?

Enquanto professora prefiro as relações transparentes e saber o que cada um pode fazer na sala de aula do que ser enganada e perder credibilidade junto dos alunos favorecendo a desobediência.

Quando alguém defende, e talvez bem, que através do telemóvel se pode procurar na net a informação de que se precisa, pergunto se todos os alunos, de todas as salas têm esses modelos de telemóveis. É claro que não. E então a igualdade de acesso ao conhecimento?

Muitos alunos quando vão para a escola já estão viciados no telemóvel porque os pais assim o deixaram, e é a escola que tem que os desintoxicar do vício do telemóvel?

Se as crianças estão viciadas no telemóvel aos pais o devem, e se já rondam a dependência quem tem que gerir essa situação serão os médicos.

Não ao telemóvel na escola não quer dizer nada se não for acompanhado de uma educação familiar e social. Nos autocarros toda a gente fala alto ao telemóvel desde o que vai fazer para o jantar até à sua vida mais privada. Em casa quando a família está junta todos estão ao computador ou ao telemóvel: espera aí, tenho que fazer um telefonema; deixa-me acabar este jogo…

Esta questão do telemóvel vem suscitar várias reflexões: quem educa, a proibição é alguma forma de ensinamento, a importância das relações transparentes e do convívio social.

Deixemos os pequenos exemplos negativos dos telemóveis e reflitamos sobre o essencial: as relações interpessoais familiares, sociais, escolares… o funcionamento das escolas, que conhecimentos se aprendem e como, para que serve a escola.

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