Quando eu próprio já pensava que estava tudo dito sobre a mentira e o crime que são Fátima I (1917-1930) e Fátima 2 (a das “memórias da irmã Lúcia”, 1935-até aos nossos dias), com cem anos de disparates de toda a ordem, de lavagem de dinheiro sujo e humilhações sobre humilhações; de joelhos esfarrapados e de velas compradas-queimadas-recicladas, de novo compradas-queimadas-recicladas; de milhões e milhões de euros isentos de impostos que ninguém sabe o que é feito de grande parte deles; de auto-flagelações populares provocadas por ancestrais medos e culpas de pecados que as populações mais empobrecidas e fragilizadas nunca cometeram e dos quais são, até, as suas maiores vítimas, eis que chega, por fim, o padre poeta José Tolentino Mendonça a ensinar, na sua qualidade de vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, que o Santuário de Fátima S.A., o lugar de turismo religioso mais visitado do mundo, logo a seguir à Basílica do satânico S. Pedro em Roma (cf. Marcos 8,32-33). é “o lugar da lentidão e do inútil”. Profere esta enormidade poético-cristã no decurso de um evento pomposamente chamado “Simpósio Teológico-Pastoral” recém-realizado no Auditório Paulo VI, propriedade daquela multinacional católica.
Os grandes media portugueses não quiseram saber desse Simpósio para nada, nem sequer para o poderem criticar. Se há coisa que os grandes media não querem, é criar conflitos com a igreja católica, até porque a Concordata de Salazar (1940) obriga ao respeito entre os Estados que a assinaram e mantêm em vigor. Não procede assim a Agência Ecclesia, criada pelos bispos católicos precisamente para colmatar essas propositadas falhas dos media. E, embora a Agência tenha deixado de enviar para o meu correio electrónico de presbítero-jornalista a informação das principais notícias de cada dia, nem por isso deixo de manter-me atento ao que ela divulga, sem que os seus responsáveis tenham como impedir o meu acesso ao respectivo site. Sei perfeitamente que são conteúdos eclesiásticos coisa-nenhuma, por isso, sem qualquer interesse para o dia a dia dos povos do país e do mundo, mas faço questão de manter-me a par do que dizem-fazem os principais clérigos e paraclérigos católicos e suas igrejas satélites.
Depois que o papa Francisco convidou Tolentino Mendonça para pregar o retiro da quaresma, e ele passou 5 dias no Vaticano a falar – vejam só! – sobre o valor poético e cristão da “Sede”, é mais do que óbvio que deixou de ser um padre poeta qualquer, para passar ser um padre poeta superstar. E, verdade seja dita, o próprio tem sabido tirar proveito disso como ninguém. Esta sua prestação teológico-pastoral no Simpósio promovido pelo Santuário de Fátima S.A. é mais um contributo poético e cristão que ele habilmente dá para uma carreira eclesiástica fulgurante. E não é que José Tolentino Mendonça acaba de ser inesperadamente nomeado pelo papa Francisco para arquivista e bibliotecário da santa sé, um cargo que implica a sua elevação a arcebispo titular de Suava, uma antiga diocese mais do que extinta no norte de África?! Até a CEP, apanhada de surpresa, está boquiaberta e sem fala. Só que tudo isto representa o definitivo assassinato do ser humano José Tolentino Mendonça e a afirmação, nele, do mítico divino. Uma satânica transubstanciação em que o cristianismo é perito, dentro do qual, por isso, não há salvação.
Aliás, só mesmo por José Tolentino Mendonça ser cada vez mais mais mítico divino do que ser humano, é que consegue ver na multinacional Fátima S.A. “o lugar da lentidão e do inútil”. Sem nunca, na sua cegueira clerical privilegiada, poder perceber que as multidões que para lá peregrinam, como eternos pagadores de promessas, são as mesmas que, entre uma peregrinação e outra, vêem-se condenadas a ter de recorrer aos humilhantes cabazes do Banco Alimentar contra a Fome, das Misericórdias, das IPSS e dos Centros Sociais Paroquiais. Cujos gestores passam por benfeitores, quando estão criminosamente a enriquecer à custa da sua imerecida pobreza. O que há de mais imperdoável!
P.S.
Como é habitual, não há JF nos tradicionais meses de férias, Julho e Agosto. Contamos regressar em Setembro. Boas e saudáveis férias para quem as puder usufruir. Por mim, estou mais disponível para me encontrar olhos-nos-olhos com aquelas pessoas que me quiserem presencialmente com elas. Nesses casos, levarei comigo exs dos meus Livros, especialmente, dos mais recentes. E, juntos, podemos mergulhar mais profundamente na nossa Actualidade à luz da Fé e da Teologia de Jesus. Fica o meu tlm para qualquer contacto: 96 80 78 122.

