Da crise atual à próxima crise, sinais de alarme – A guerra EUA-China terá de esperar. Por Jacob L. Shapiro

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Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

A guerra EUA-China terá de esperar

Há coisas mais importantes a atender em primeiro lugar.

jacob shapiro Por Jacob L. Shapiro

Publicado por gpf_logo em 24 de julho de 2018

 

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É fácil imaginar um cenário de juízo final de uma 3ª guerra mundial no qual a China e os Estados Unidos são os principais beligerantes. A China está a despejar recursos para as suas forças armadas e está a militarizar o mar do Sul da China. O objetivo primordial não é fazer do recife de Scarborough (ilha no mar do Sul da China) uma região dos sudetas do século 21 [referência à anexação da região dos Sudetas pela Alemanha nazi] mas antes detetar pontos fracos na aliança de segurança arquipelágica liderada pelos Estados Unidos. A principal resposta dos Estados Unidos, até ao momento, tem sido económica. Independentemente da ocasional operação de liberdade de navegação, a estratégia dos EUA evoluiu em direção a atingir a China onde mais lhe dói – o seu ponto principal. Se a história pode indicar algo, este pode ser o ponto sem retorno. Afinal, foi um embargo dos EUA ao Japão que levou este país a concluir que a guerra era a sua única opção para enfrentar os EUA em 1941. O comércio é ainda o sangue vital da economia chinesa; a posteridade poderá bem recordar as tarifas aduaneiras dos EUA como a primeira batalha de um conflito muito mais amplo.

Este foco um no outro obscurece a verdade, que é a de que a única rota de colisão em que se encontram a China e os EUA é com eles mesmos. A riqueza e a desigualdade de rendimentos em ambos os países atingiram níveis astronómicos e não mostram sinais de abrandar. As instituições políticas de ambos os países lutam para enfrentar os problemas com que se defrontam os respetivos cidadãos. A China e os EUA podem eventualmente vir a tornar-se concorrentes estratégicos, mas por agora, ambos os países têm questões de longe mais prementes a enfrentar internamente.

A China é uma contradição. Tem a segunda maior economia do mundo, e no entanto 550 milhões de pessoas na China vivem com menos de $5,50 por dia [1]. As suas províncias costeiras e cidades reluzem com o que de melhor a infraestrutura tecnológica do século 21 tem para oferecer, enquanto muitas das suas províncias interiores permanecem positivamente no Terceiro Mundo. A China apresenta-se a si mesma como a guardiã do meio ambiente e defensora do regime de comércio mundial, enquanto o seu registo quanto aos direitos humanos é deplorável e as suas práticas comerciais estão longe de serem equitativas. É fácil argumentar que a China está destinada a ser uma potência mundial assim como é fácil argumentar que a China colapsará ignobilmente num conjunto de estados beligerantes. Isso faz parte daquilo que torna a China tão difícil de compreender.

E no entanto, com toda a complexidade da China, a sua longa história define-se por uma alegoria recorrente. Uma dinastia forte emerge para unir o país em prosperidade e governa até que os interesses económicos da orla costeira e os do interior se tornam tão incompatíveis que o país se rompe numa guerra civil. Caos, regionalismo, e até domínio estrangeiro, tornam-se o status quo até que chega um novo movimento para unir o povo chinês e reclamar a glória dos Impérios do Meio passados. A história dos EUA é curta quando comparada com a da China, em que uma simples amostra de uns poucos milénios mostra a repetição deste padrão era após era.

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O futuro da China, portanto, resume-se a uma questão relativamente simples: em que ponto do ciclo se encontra a China presentemente? A dinastia do Partido Comunista governou a China desde 1948, e se estivesse à beira da queda, isso seria uma das mais curtas dinastias na história chinesa. As dinastias Tang, Ming e Qing, todas governaram durante séculos antes de entrarem em colapso. Mas a rapidez do sucesso do Partido Comunista chinês também não tem precedentes na história da China. No final da 2ª guerra mundial, a China era pouco mais que um remanso, uma ilha geopolítica do século 19 num mundo do século 20. Nem mesmo a União Soviética impulsionou uma modernização tão rápida como a que a China teve nos últimos 70 anos.

A China tornou-se imensamente riqueza no seu conjunto e satisfatoriamente poderosa. Mas, como é frequentemente o caso, a China pagou por esse enriquecimento com a desigualdade. Os dados económicos são notoriamente difíceis de interpretar na China, mas um estudo recente da Universidade de Pequim mostrou que em 2014, 25% da população da China possuía somente 1% da riqueza total do país. Por outro lado, os 1% do topo detinham 33% da riqueza da China. A desigualdade de rendimento aumentou significativamente também. Segundo o documento do Departamento Nacional de Investigação Económica, os 10% de topo dos assalariados constituem 40% do rendimento nacional antes de impostos. Em 1978, em quase todos os indicadores, a China era pobre mas um dos países do mundo mais igualitário economicamente. Agora a China é rica e um dos países do mundo mais elitista economicamente.

A maior parte do crescimento económico da China – e do concomitante aumento da desigualdade – ocorreu depois de 1978, quando a China se reformou e abriu a sua economia ao mundo. O governo, liderado por Deng Xiaoping, sentiu que a China poderia manejar as dificuldades que o capitalismo infligiria ao sistema chinês – e talvez achasse que a infusão de riqueza era necessária para permitir que a China progredisse para lá do seu atraso. Deng, no fim, estava certo. A China enriqueceu imensamente, tirando centenas de milhões da pobreza. As políticas de Deng e os acordos políticos aplicados depois de Mao constituíram uma mini revolução política dentro da China, e houve significativos conflitos internos em consequência, sendo os acontecimentos da praça de Tiananmen o exemplo mais dramático.

China atingiu outro desses momentos. Quando Xi Jinping chegou ao poder em 2013, herdou um sistema que era tão corrupto quanto era rico. O problema era que a China não podia continuar a sustentar as suas sobrenaturais taxas de crescimento – estava a tornar-se demasiado caro, e as empresas estrangeiras estavam a encontrar sítios onde fazer negócio mais baratos e mais vantajosos. Além disso, o flagelo da desigualdade estava a começar a destruir a sociedade chinesa. A economia da China necessitava ser reestruturada. O seu povo necessitava ideologia que fizesse sentido com as mudanças que estavam para vir. E Xi necessitava ter mais poder do que aquele que o sistema político lhe proporcionava. Deste modo, Xi tem vindo a afastar os seus rivais e a construir o culto da personalidade desde há cinco anos. tem tido êxito até agora, mas ele está apenas no início de um processo que está já a criar facções de dissidentes na sociedade chinesa, desde os veteranos das forças armadas às elites da orla costeira.

Os Estados Unidos

Os Estados Unidos são também uma contradição. A economia dos EUA é de longe a maior do mundo – e, porém, 43 milhões de americanos vivem na pobreza [2]. A democracia liberal mais poderosa do mundo teve 288 tiroteios em escolas desde 2009 e está no auge de uma crise de dependência de opiáceos que matou mais de 64.000 pessoas em 2016 (os dados de 2017 ainda não estão disponíveis) e, segundo o Council of Economic Advisers dos EUA, custou ao país mais de $500 mil milhões. Os EUA são um dos países mais livres do mundo em termos de direitos individuais, e no entanto encarcela uma parte da sua população maior que em qualquer outro país do mundo – de longe maior do que na China ou na Rússia. A política externa dos EUA é de igual modo incoerente. Os Estados Unidos estão a tentar reduzir os seus compromissos no exterior, e os rivais estratégicos dos EUA e os seus parceiros também estão a falar da emergência de um mundo multipolar – e no entanto sempre que irrompe uma crise, a primeira pergunta que é feita é o que farão os Estados Unidos e fá-lo-ão tão depressa quanto possível, por favor.

A história dos EUA é mais curta que a da China, pelo que é difícil falar com autoridade de grandes ciclos na política americana. Mas os Estados Unidos enfrentaram idênticos desafios anteriormente pelo menos duas vezes: na viragem do século 20, o fim da chamada era dourada, e nas vésperas da Grande Depressão, quando os crepitantes anos de 1920 gozavam os últimos suspiros de diversão. Ambos estes períodos se definiram por um grande aumento da riqueza e da desigualdade de rendimentos nos Estados Unidos, bem como de incerteza sobre qual devia ser o papel da América no mundo. Ambos resultaram em intensas crises sociais e políticas na sociedade americana que conduziram a uma completa redefinição de qual o status quo que os partidos políticos representavam. A era dourada deu lugar ao progressismo, a quebra dos monopólios de Teddy Roosevelt e o acolhimento das reformas laborais. A Grande Depressão abriu caminho ao New Deal, inaugurou uma quantidade de legítimos programas financiados a nível federal e deu início a novas conversações sobre as relações raciais nos EUA que levaram diretamente ao movimento de direitos civis nos anos de 1960.

Hoje, tal como nos episódios anteriores, a desigualdade de renda e riqueza nos Estados Unidos atingiu níveis surpreendentes. Os 10 por cento mais ricos, antes de impostos, constituem metade de todo o rendimento antes de impostos nos Estados Unidos. Isso é maior do que em qualquer momento anterior na história registada dos EUA – inclusive no auge da Grande Depressão. O crescimento do rendimento também sofreu uma estagnação. Os 50 por cento de rendimento mais baixos tiveram uma queda de 1 por cento no crescimento real acumulado de 1978 a 2015. Mesmo na China, onde os salários do topo lucraram muito mais que os 50 por cento de baixo, o crescimento real no mesmo período foi de 550 por cento para a metade inferior.

Olhando para a desigualdade de riqueza temos uma imagem similarmente sombria. De 1932 a 1986, a faixa dos 90% da sociedade americana com menor rendimento aumentaram sua participação na riqueza total nos EUA, chegando a 35%. Desde 1986, estes 90% de baixo foram golpeados. Agora, possuem pouco mais de 20% da riqueza dos EUA. Enquanto isso, os s 0,1% dos americanos do topo possuem 20% da riqueza das famílias. A última vez que a riqueza esteve tão concentrada foi na véspera da Grande Depressão.

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Talvez mais ameaçador que tudo, apesar destes dados preocupantes, os americanos estão desafiadoramente a gastar mais. O saldo da dívida privada é agora maior que durante a crise financeira de 2008 – a dívida das famílias quase que já atingiu o pico de 2008. Os pagamentos em atraso dos cartões de crédito estão a crescer enquanto a dívida dos empréstimos a estudantes cresceu quase 1 milhão de milhões de dólares desde 2008. Segundo um relatório da Reuters publicado terça feira, ao longo dos últimos dois anos, a despesa de consumo aumentou no conjunto da despesa dos 60% de rendimentos mais baixos – precisamente as pessoas cujo rendimento e salários estagnaram e estão muitas vezes a gastar afundando-se ainda mais em dívida.

Como na China, as instituições políticas dos EUA têm lutado para se adaptar aos tempos. O poder de declarar guerra deve ser exercido pelo Congresso. O Congresso não declarou guerra desde 1941 e, no entanto, os EUA travaram muitas guerras desde então. A administração Trump conseguiu consolidar o controle sobre a política comercial americana invocando leis dos anos 70 que concedem ao presidente poderes extraordinários sobre as tarifas para defender a segurança nacional. O Congresso achou por bem abdicar das suas responsabilidades aqui também. A capacidade do poder legislativo de controlar o poder executivo enfraqueceu consideravelmente.

A capacidade do poder judicial de controlar os outros dois poderes também enfraqueceu. Em 2013, os democratas livraram-se das regras de obstrução para nomeações judiciais que não sejam para o Supremo Tribunal. Quando os republicanos retomaram o controlo da Câmara e do Senado em 2014, usaram as suas posições maioritárias para bloquear um nomeado de Obama para o Supremo Tribunal. Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, fez a sua primeira nomeação para o Supremo Tribunal no ano passado, os republicanos eliminaram os últimos protocolos de obstrução contra nomeações para o Supremo Tribunal. Com efeito, ambos os partidos ajudaram a descartar as regras destinadas a impedir que as nomeações judiciais se tornassem reféns da política partidária. Estes movimentos podem ter consequências dramáticas para futuras decisões do Supremo Tribunal sobre o aborto, a reforma do financiamento de campanhas e o casamento gay – todos os quais irão fraturar o eleitorado dos EUA ainda mais.

A eleição de Trump não foi um evento singular. Foi a primeira expressão política de um mal-estar e insatisfação muito mais profunda dentro dos EUA com as políticas do establishment. À esquerda, por exemplo, os candidatos anti-establishment estão a começar a fazer sentir a sua presença, com um sexto dos candidatos democratas ao Congresso nas eleições intermédias de 2018 tendo uma ligação formal com grupos que fazem campanha contra os governantes democratas – um Tea Party de esquerda.

Enquanto a economia está a zumbir (e a receber um impulso extra da lei de impostos recentemente aprovada), as políticas de desigualdade que trouxeram Trump para o governo tornaram-se mais abafadas, antes se concentrando em questões como o ajoelhar durante hinos nacionais em eventos desportivos ou as cimeiras com Vladimir Putin. Eventualmente, o tic-tac da bomba-relógio desta desigualdade historicamente sem precedentes coincidirá com o fim de um dos períodos mais longos de crescimento económico contínuo na história dos EUA, e quando isso acontecer, uma espécie de reorganização política na escala do progressismo e do New Deal emergirá.

Dois caminhos que divergem

Ironicamente, então, os EUA e a China enfrentam desafios similares. Ambos são poderes com apetência e interesses mundiais. Ambos enfrentam elevadas e crescentes taxas de desigualdade e estão a ver emergir dificuldades sociais como resultado disso. E ambos estão a lutar por adaptar as suas instituições políticas para irem ao encontro dos desafios que enfrentam. Mas nisso reside a maior diferença entre os dois – e a chave para compreender o que ocorrerá a seguir. Os Estados Unidos são uma democracia liberal e a China é um estado autoritário, comunista. Responderão a estes desafios de modos diametralmente opostos.

A China mudou de forma inequívoca para um sistema de governo mais autoritário. No noroeste da China, os uigures estão a ser sistematicamente presos em “campos de reeducação” para garantir que não possam representar uma ameaça ao regime. Xi está a atirar os seus rivais para a prisão, arrastando os comandantes militares para que eles não comandem as tropas com as quais têm relações pessoais, e impondo um nível de vigilância à população muito além dos mais paranóicos estados totalitários do século 20. A China está a adotar o capitalismo estatal sob a suposição de que pode ter sucesso onde tantos outros países capitalistas estatais falharam. Estes não são os comportamentos de um líder ou um regime confiantes no seu sistema atual, mas sim de um líder que está a trabalhar diligentemente para construir um novo sistema sem desencadear uma revolução.

No curto prazo, isso faz com que a China pareça mais coerente do que os Estados Unidos. Isso porque a China é mais coerente que os Estados Unidos, pelo menos por enquanto. As ditaduras podem ser mais obstinadas do que as democracias. Grandes transformações na política dos EUA acontecem apenas em momentos de crise real, como durante uma guerra ou uma grande depressão económica. E o facto é que os EUA ainda não chegaram a um momento de crise real. A reação contrária e apoio a Trump empalidece em comparação com os assassinatos políticos dos anos de 1960, ou o bombardeamento japonês a Pearl Harbor, ou a Carolina do Sul a separar-se da União

No Federalist No. 10, James Madison, escrevendo sob o pseudónimo de Publius, descreve os perigos que as facções colocam aos governos. Vale a pena citar o modo como Madison define o que é uma facção:

“Um número de cidadãos, independentemente de representarem uma maioria ou uma minoria do todo, que estão unidos e atuam por algum impulso comum de paixão, ou de interesses, adversos aos direitos de outros cidadãos, ou aos interesses permanentes e de conjunto da comunidade.”

Madison continua a discutir a melhor maneira de combater o surgimento de facções dentro de uma sociedade política e apresenta duas táticas viáveis: remover as causas das facções ou controlar os seus efeitos. Para remover as causas das facções, Madison assinala que se deve ou destruir a liberdade ou garantir que cada cidadão tenha a mesma opinião. Este é o caminho que a China está a tomar. Para controlar os efeitos das facções, Madison e os Fundadores projetaram o atual sistema de governo dos EUA, com os seus pesos e contrapesos destinados a moderar as paixões e exigir compromissos. Este é o caminho dos EUA.

O sistema de governo dos EUA nem sempre funcionou. A Guerra Civil, de longe o caso mais sangrento na história dos EUA, foi há apenas 153 anos. Do ponto de vista chinês, 153 anos é um piscar de olhos, o ponto médio de uma dinastia de sucesso moderado. A China olha para os EUA e vê um país em declínio terminal, muito mais preocupado com o melodrama político do que tomando as decisões certas e difíceis para garantir o bem-estar geral. Os EUA olham para a tendência da China em direção à tirania e veem outra versão equivocada da Coroa contra a qual se rebelaram e os adversários que combateram ao longo da história.

E, no entanto, para todos os imensos recursos e potencial da China, ainda é um país cujas fraquezas exigem um controle estatal intenso em todos os aspetos da vida dos seus cidadãos, e onde as vidas individuais são consideradas dispensáveis. Por todos os defeitos dos Estados Unidos, ainda é um país onde os direitos individuais são protegidos, onde a criatividade não é censurada e onde as pessoas podem remover um líder de que não gostam numa urna a cada quatro anos. [3]

A maioria olha para o estado da política dos EUA e acha que os EUA estão a enfraquecer. Na verdade, o atual caos da política interna dos EUA é a maior força do país. Se o sistema americano de governo falhar como aconteceu em 1861, uma perspectiva que parece improvável apesar da polarização da política americana e da degradação de algumas instituições políticas dos EUA, a China nem precisaria travar uma guerra para se tornar uma potência global. Por outro lado, se a China emergir de suas atuais tribulações mais forte – se o seu sistema de governo conseguir o que nenhum sistema de governo chinês conseguiu antes – uma guerra global EUA-China pode de facto materializar-se. Mas isso é colocar o carro à frente dos bois.

Há questões mais importantes para atender primeiro.

 

Texto original em https://geopoliticalfutures.com/us-china-war-will-wait/?utm_source=GPF+-+from+George+Friedman&utm_campaign=cad85e1bcf-GPF_Weekly_GPF_FREE&utm_medium=email&utm_term=0_ad288f5e57-cad85e1bcf-264646241&mc_cid=cad85e1bcf&mc_eid=262897c7f1

 

Notas

[1] Nota do editor. A população da China era de 1.399 milhões em 2018.

[2] Nota do editor. A população dos EUA era de 329 milhões em 2018.

[3] Nota do editor. Os EUA, um país onde os direitos individuais são protegidos, o que não impede paradoxalmente que seja, como diz o autor, um país que “...encarcela uma parte da sua população maior que em qualquer outro país do mundo – de longe maior do que na China ou na Rússia“. Quanto à remoção do líder cada quatro anos, disse o autor mais acima que nos EUA a “... capacidade do poder legislativo de controlar o poder executivo enfraqueceu consideravelmente” e que a capacidade do poder judicial de controlar os outros dois poderes também enfraqueceu. Sobre esta anunciada vantagem nos EUA de poderem os cidadãos remover um líder cada quatro anos vejamos o que diz Tom Murse sobre os super PAC (comités de ação política) autorizados a “recolher e gastar quantidades de dinheiro sem limite proveniente de empresas, sindicatos, indivíduos e associações com vista a influenciar o resultado das eleições nos estados federados e a nível nacional“. Diz ele que os críticos afirmam que “... os acórdãos do tribunal e a criação dos super PACs abriram as comportas à corrupção generalizada” e que em 2012 o senador dos Estados Unidos John McCain avisou: “Tenho a certeza que haverá escândalo, existe demasiado dinheiro lavando-se à volta da política, tornando as campanhas irrelevantes.” Sobre a decisão do Supremo Tribunal dos EUA de considerar inconstitucionais os limites às despesas de empresas e sindicatos para influenciarem o voto, diz o juiz John Paul Stevens: “No fundo, a opinião do Tribunal é assim uma negação do senso comum do povo americano, que reconheceu a necessidade, desde a fundação do país, de impedir que as empresas minassem a independência da governação, e que lutou desde Theodore Roosevelt contra o característico potencial corruptor da propaganda eleitoral pelas empresas“. Vd. A Era dos Super PAC na Política Americana in https://www.thoughtco.com/what-is-a-super-pac-3367928

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