A BANDEIRA DA REPÚBLICA – por Carlos Loures

 

A bandeira verde-rubra foi içada há 108 anos na varanda do Município. por José Relvas,  Não foi pacífica a sua aprovação – as cores verde e vermelha do ponto de vista da heráldica e da vexilologia*, são incompatíveis – e havia quem não a quisesse..  Porém, desde a revolta de 31 de Janeiro de 1891, estas cores estavam associadas ao Partido Republicano Português.

Durante quase vinte anos, com diversas combinações – umas vezes era o verde que ficava junto da tralha outras o vermelho – foram sendo usadas pelos republicanos. Assim, quando após a implantação da República, abolida a bandeira da Monarquia Constitucional, foi aberto um concurso para a aprovação de uma nova insígnia nacional.Foi dado um prazo muito curto para apresentação das propostas. Diversos projectos, um dos quais do grande poeta republicano Guerra Junqueiro, que defendia que as cores da bandeira deviam ser mantidas substituindo-se apenas o brasão de armas. Fazia todo o sentido, porém, o apego ao verde e o vermelho prevaleceu.

Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho foram nomeados para a comissão que especificaria os pormenores e vigiaria o trabalho da Cordoaria Nacional encarregada de executar a encomenda. Columbano, o grande pintor, fez estudos de cor, escolheu criteriosamente os tons de verde e de vermelho (de forma a que a incompatibilidade se esbatesse), evitando o verde garrafa e o vermelho vivo. Com surpresa sua, quando as bandeiras foram entregues, as cores eram garridas – tal e qual como a comissão nomeada pelo Governo Provisório dissera que não deviam ser. Justificação: «para a quantidade encomendada, só tínhamos em armazém tecidos destas cores».

É uma discussão recorrente, cíclica – se devemos ou não voltar à bandeira azul e branca. É mais bonita e o azul e o branco são compatíveis entre si, como a vexilologia quer. Mas, passado todo este tempo, não teria justificação. Durante a Monarquia, da Fundação a 1910, em 770 anos houve talvez mais de 20 bandeiras nacionais. A bandeira azul e branca vigorava desde 1830, tendo durado, com pequenas alterações, 80 anos. A verde-rubra  faz hoje 108 anos – nenhuma bandeira monárquica durou tanto.

Talvez não seja muito bonita, mas já nos habituámos a ela.
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Vexilologia – é a disciplina que estuda as bandeiras, compatibilidade das suas cores, bem como a sua simbologia.

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