LANÇAMENTO DOS LIVROS “ÚLTIMO CADERNO DE LANZAROTE” E “UM PAÍS LEVANTADO EM ALEGRIA”, DIA 12 DE OUTUBRO NA BIBLIOTECA NACIONAL

Informações do site da Biblioteca Nacional:

MOSTRA | 12 out. – 29 dez. ’18 | Sala de Referência | Entrada livre

LANÇAMENTOS | 12 out. ’18 | 18h00 | Auditório | Entrada livre

 

«Ao longo do século muitos escritores portugueses e brasileiros mereceram o Prémio Nobel e não o tiveram. Não é de surpreender, portanto, que a atribuição dele, finalmente, a um escritor de língua portuguesa, tivesse sido recebido com alegria. Curiosamente, o mesmo sucedeu em todos os países ibero-americanos, que confirmaram as palavras ditas por García Márquez ao ter conhecimento de que o Nobel me fora atribuído: “É um prémio para nós”. Creio que sim, que efectivamente foi um prémio para este lado do mundo».

José Saramago (Le Figaro, 22 de fevereiro de 2000)

No dia 8 de outubro de 1998, José Saramago tornou-se o primeiro, e até agora único, Prémio Nobel da Literatura em língua portuguesa. «O mais alto dos prémios não pode inventar o que não existe. Dá-o a ver e proporciona-nos a alegria de nos rever nele como portugueses. Mais nada se lhe pode pedir», escreveu Eduardo Lourenço no jornal Público do dia seguinte ao anúncio do galardão.

A efusiva receção da notícia em Portugal surpreendeu e emocionou José Saramago, que disse sentir-se como se cada português tivesse crescido três centímetros com a sua conquista: «Todo o mundo aqui se sentiu mais alto, mais forte, mais lúcido, com mais esperança, pelo simples facto de que um escritor português tenha o Prémio Nobel». O crítico literário Eduardo Prado Coelho escreveu que, nos dias posteriores à distinção literária, o país «levantou-se em alegria».

A euforia pela consagração de José Saramago atravessou as fronteiras portuguesas e foi para além de Espanha, país escolhido pelo autor de A jangada de pedra para viver a partir de 1993, quando se mudou para a ilha de Lanzarote, nas Canárias. «José Saramago é um dos grande escritores deste século e o seu Prémio Nobel é um dos mais justos. O júbilo que isto causa nos países de língua castelhana, como se fosse um triunfo nosso, confirma o que alguns de nós, escritores, temos vindo a dizer desde há muito tempo: a literatura ibero-americana é só uma», referiu Gabriel García Marquez na altura. A sua frase reforça a ideia de que o contentamento pela conquista do primeiro Nobel para a língua portuguesa se espalhou pelo grande território que forma a América Ibérica. E disso dão fé as milhares de cartas que o escritor recebeu após ser proclamado Nobel de Literatura, algumas delas mostradas pela primeira vez agora, nesta exposição preparada pela Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e pela Fundação José Saramago.

Há 20 anos, entre as muitas homenagens que José Saramago recebeu após a atribuição do Nobel esteve uma exposição realizada na BNP, inaugurada pelo próprio escritor no dia 15 de outubro de 1998. No final daquele ano, após regressar de Estocolmo, onde recebeu a distinção, o autor de Todos os nomes depositou na BNP o seu diploma de Prémio Nobel da Literatura, documento que agora é novamente mostrado, e o original de O ano da morte de Ricardo Reis.

Com o intuito de recordar aqueles dias de alegria em que a literatura esteve na rua, no topo dos noticiários e na ordem do dia da política, é organizada esta pequena mostra em homenagem ao Prémio Nobel da Literatura de 1998. Além de jornais e revistas, nacionais e estrangeiros, com notícias sobre a atribuição do prémio a José Saramago, estão expostas mensagens que o escritor recebeu, de personalidades públicas e leitores anónimos, de parabéns e agradecimento pela conquista. É também visível uma pequena parte do espólio do escritor, nomeadamente o manuscrito de Levantado do chão e um caderno com textos preparatórios deste romance, que foi confiado, através de um protocolo de doação, pela FJS à BNP em 2016.

Na ocasião, irão ser lançados os livros, Último caderno de Lanzarote, diário de José Saramago referente ao ano de 1998, e Um país levantado em alegria, de Ricardo Viel, que relata os bastidores dos dias que antecederam e se seguiram ao anúncio do Prémio, cuja apresentação estará a cargo de Carlos Reis.

A sessão contará com as presenças de Pilar del Río, presidente da Fundação José Saramago, de Manuel Alberto Valente, editor das duas obras, e de Ricardo Viel, autor de um dos títulos.

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