CARTA DE BRAGA – “dos cínicos, da cultura, da inteligência e do celofane” – por ANTÓNIO OLIVEIRA

O autor de um dos blogs que mais visito, José Ricardo Costa, do “Ponteiros Parados”, deixou há uns dias, uma frase que pode ser perfeitamente aplicada aos tempos que correm, ‘existem duas espécies de seres humanos, os que gostam de dióspiros e os que não gostam de dióspiros

Não será pelo fruto, que pode ser trocado por outro qualquer, mas pela importância que o bloguista pretende dar, penso eu, à irrelevância da baliza escolhida para a divisão entre humanos.

Irrelevância de se poder comprovar em cada instante da vida diária, dependendo apenas da escolha a pôr como baliza nos ambientes que se frequentam.

Isto acontece por estarmos a viver ‘numa cultura do usar de tudo’, como afirmou recentemente José Antonio Marina, ‘até os conceitos, mesmo sem se entender muito bem do que tratam. Vemos agora como em nações com grande tradição democrática, aparece muita gente que começa a pensar que melhor é esquecer a importância de um sistema assim, estando mesmo disposta a viver num regime autoritário’

Mas o mais importante é saber e compreender de onde vem tudo isto!

Julgo que este aparelho global e uniformizador, quer e pode mesmo legitimar gente que só tenta trepar as escadarias que a levem ao poder, pessoas embrulhadas no celofane das preferências da subjectividade, definida e comandada pelas redes sociais, onde imperam todas as ramificações que ali favorecem as irracionalidades.

Veja-se onde nascem e crescem as fake news, as trumpadas a norte e a sul, bem como os ataques a um jornalismo decente, enquanto se celebra a supremacia de todos os ‘manhas’ que proliferam nos quiosques e na net, já dominada pelos monopólio digitais, GoogleMicrosoftFacebookTwitter e derivados, que sabem de cada um muito mais do que nós mesmos e até são, de tudo isto, a prova devidamente provada.

Não há muito tempo, Milan Kundera afirmou que nestes tempos, a ver pelo que ocorre todos os dias, só um cínico poderá ser optimista.

E até parece ser verdade, por bem se ver como sobem as escadarias para chegar lá cima de qualquer maneira, sempre a sorrir debaixo do celofane, para tentar esconder o cinismo da mentira e da hipocrisia, visível nessas representações quase perfeitas de veneração e respeito por um poderio bancocrático e materialão, o maior aplanador de todas as diferenças.

Lendo outra vez a entrevista ao filósofo José Antonio Marina, ‘há algum risco de analfabetismo tecnológico, por não compreender como e por que se chegou a isto! Ensinemos a cultura, a biografia da humanidade, para se saber por quê e como nasceram religiões, matemáticas, ideias…

Como resumiria essa longa história?

Vejo um barco bêbado lançado na aventura de nos dar um sentido!

Marina terá razão, mas creio que o naturalista Edward O. Wilson lhe responderia assim, ‘a nossa sobrevivência depende apenas de nos compreendermos a nós próprios com inteligência!

Mas Marina reforça também o conceito ‘inteligência’ ao afirmá-la

A capacidade humana de dirigir a conduta para resolver problemas. Esta capacidade, no seu grau supremo, chama-se bondade!

Identifica a bondade com a inteligência?

A bondade é a inteligência prática e não há maneira mais eficiente de desfazer problemas!

Estarão estas ‘banalidades’ nas matérias das universidades de verão de cursos para trepadores de escadas e carregadores de pastas, ou ensinam a usar o celofane?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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