“ASCENSÃO E QUEDA DO SOCIALISMO” e “ASCENSÃO, QUEDA E FUTURO DO SOCIALISMO” – por Mario Nuti – I (6/6)

20181212_MarioNuti

 

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Texto I (6/6)

ASCENSÃO E QUEDA DO SOCIALISMO

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Domenico Mario Nuti

(continuação)

 

17. A social-democracia pervertida: globalista, austeritária, desigual

No final dos anos 1990, a queda do muro de Berlim e a vitória, aparentemente definitiva na época, do híperliberalismo, provocaram uma conversão tardia e exagerada da social-democracia ao hiperliberalismo.

Isto aconteceu primeiramente nos países da transição, quer pela parte dos governos de direita como de esquerda, (como já anteriormente vimos), depois na Europa Ocidental sob a liderança do New Labour de Tony Blair e da sua Terceira Via, reproduzida depois sob a liderança de Gerhard Schroeder com a Neue Mitte na Alemanha. Até ao final de 1998, 13 dos 15 membros da UE (com excepção da Irlanda e Espanha), tinham governos de coligação socialdemocrata ou de esquerda; Os sociais-democratas também mantiveram uma posição dominante no Parlamento Europeu que perderam rapidamente em 1999. Uma estratégia semelhante pode ser encontrada nas políticas seguidas pelo presidente Bill Clinton nos Estados Unidos (Meeropol 2000).

Blair e Schroeder (1999) reafirmam o seu empenho em defender os valores socialistas tradicionais: “equidade e justiça social; liberdade e igualdade de oportunidades; solidariedade e responsabilidade para com os outros: estes valores são eternos. A social-democracia nunca irá sacrificá-los “.

Contudo, este projeto social-democrata diferiu drasticamente da social-democracial tradicional em três principais aspectos.

1) A aceitação da primazia e da conveniência dos mercados internos e internacionais, reconhecendo plenamente a sua natureza global no mundo moderno. “O mercado é parte da organização social que desejamos, não é apenas um meio necessário que reconhecemos contra vontade que necessitamos e que precisamos de controlar ” (Karlsson 1999). Assim, os sociais-democratas permaneciam alheios às implicações de distribuição adversa, a nível nacional e global, das afetações de mercado. Em 1998 Peter Mandelson- secretário dos Negócios, Empreendimentos e Reforma Regulatória do governo trabalhista e Comissário Europeu para o comércio-declarou: “Estamos intensamente descansados quanto às pessoas que se tornam podres de ricas – desde que paguem os seus impostos”, embora em 2012 tenha admitido que não teria repetido tais afirmações “espontâneas e impensadas”, porque a “globalização não gerou o aumento de rendimentos para todos ” (Guardian 26/1/2012).

A crença de que a globalização beneficia toda a gente, uma maré que faz subir todos os barcos, cujos benefícios em qualquer caso são de tipo “trickle down”, isto é, são ganhos que escorreriam dos ganhadores iniciais para o resto da população, é uma crença generalizada (por exemplo, Yergin e Stanislav 1998). Na realidade, a liberalização do comércio internacional envolve, sem dúvida, benefícios líquidos, mas, ao mesmo tempo, inflige prejuízos brutos a alguns dos agentes nacionais afectados. A possibilidade de uma sobrecompensação a favor dos perdedores por parte dos ganhadores não é suficiente para declarar uma melhoria no bem-estar geral, porque a sobrecompensação real é essencial para esse fim. E, precisamente ao nível internacional, as possibilidades práticas de sobrecompensação são limitadas pela falta de órgãos de governança supranacional com funções de redistribuição. Além disso, uma tal sobrecompensação, mesmo que fosse possível, poderia envolver transferências inigualitárias de ganhadores pobres para perdedores relativamente mais ricos. Por último, as vantagens da liberalização comercial não se estenderiam necessariamente à liberalização dos movimentos de capitais financeiros e das migrações laborais, nem aos acordos que regulamentam as normas, a concorrência e as jurisdições (Rodrik 2018A).

2) A rejeição da propriedade e empresa públicas, em apoio ao empreendedorismo privado e a uma privatização decisiva e continuada dos activos estatais. “O governo faz o possível a apoiar a empresa, mas não acredita que possa substituí-la… queremos uma sociedade que celebre empreendedores bem sucedidos como o faz com os artistas e os jogadores de futebol- e aprecia a criatividade em todas as esferas da vida” (Blair e Schroeder, 1999). As privatizações envolveram a abdicação do papel empresarial do Estado em matéria da investigação e da inovação (Mazzucato 2011, 2013), a negligência dos serviços públicos essenciais e a difusão de parcerias públicas privadas (PPP) que coletivizaram o risco e privatizaram os lucros, a destruição das sociedades de construção e de todo o sector das sociedades mútuas através da privatização do capital que pertencia aos seus membros e que não cabia ao governo desfazer-se desse capital. Todas estas distorções demonstraram em breve os limites e desvantagens da privatização. Finalmente, os promotores da Terceira Via insistiam em:

3) A viabilidade, no sentido da disciplina orçamental e da política monetária restritiva, rejeitando, portanto, tanto as políticas keynesianas de défices públicos financiados pela dívida como a expansão monetária inflacionista.

“Ter saudáveis finanças públicas deve ser motivo de orgulho para os social-democratas”. “… as despesas do défice não podem ser utilizadas para ultrapassar as deficiências estruturais da economia, e são um obstáculo ao crescimento mais rápido e ao emprego mais elevado. Os sociais-democratas, além disso, não devem tolerar níveis excessivos de dívida pública, o que impõe um encargo excessivo para as gerações futuras e poderia ter outros efeitos distributivos indesejáveis. Todo o dinheiro gasto para o serviço de uma elevada dívida pública não está disponível para outras prioridades [sic] entre os quais um aumento no investimento em educação, formação ou infra-estruturas de transporte “. (Blair e Schroeder 1999).

Estas propostas surpreendentes afastam pois intervenções contra-cíclicas, independentemente da fase do ciclo de negócios, tomam como um dado efeitos intergeracionals que são inexistentes ou exageradas ou no mínimo questionáveis, e confundem objetivos com ” prioridades “e presumem que os objectivos mais importantes devem necessariamente ser sacrificados à disciplina fiscal e monetária.

 

Uma tal política orçamental restritiva encontrou inicialmente um forte apoio em duas vertentes da teoria económica que apareceram nos anos 1990 e 2000, a presumida “consolidação orçamental expansionista” (por exemplo Giavazzi e Pagano 1990, 1996) e a ideia de uma alegada existência de uma dívida pública limiar de 90% do PIB anual, para além do qual a dívida exerceria um impacto negativo sobre o crescimento do PIB (Reinhart e Rogoff, 2010).

A consolidação orçamental – a redução do défice público através de cortes na despesa pública e/ou de impostos mais altos – promoveria o crescimento através da expansão do setor privado pela via da redução das despesas do setor privado, pela expectativa de impostos futuros mais baixos (devido à equivalência ricardiana de empréstimos e impostos no financiamento da despesa pública), pela melhoria na confiança, pela baixa da taxa de juro, pela promoção líquida de exportações através de uma moeda mais fraca. Salvo que, por volta de 2012, os investigadores do FMI reviram as estimativas dos multiplicadores orçamentais, tendo-se geralmente assumido estarem em torno de 0,5 nos países da OCDE para os últimos vinte anos, para valores agora situados na faixa de 0,9-1.7, devido à recessão, às rigidezes da taxa de câmbio, especialmente na zona euro, e à consolidação orçamental praticada em simultâneo, o que ocorreu num grande número de países (FMI 2012, Blanchard e Leigh 2013).

Isto significou que o custo da consolidação orçamental foi grosseiramente subestimado. Além disso Nuti (2013b) mostra que, se o multiplicador orçamental é maior do que o inverso do rácio dívida pública/PIB, a consolidação orçamental necessariamente aumenta, em vez de reduzir, o rácio da dívida pública/ PIB com relação ao que se teria verificado sem consolidação. Este parece ser o caso de todos ou quase todos os países avançados, assumindo que os multiplicadores nacionais sejam iguais à média revista estabelecida recentemente pelo FMI. A consolidação orçamental reduz o rácio dívida pública/PIB apenas nos países menos endividados que não necessitam de uma tal consolidação. A consolidação torna a dívida menos sustentável em vez de mais sustentável, tornando consequentemente necessária uma maior consolidação fiscal, ativando um círculo vicioso. Por último, a manutenção e o crescimento de uma diferença entre o rendimento potencial e o rendimento efectivo desencoraja o investimento e abranda o crescimento potencial e efectivo.

A noção de limiar para a dívida pública baseava-se num novo conjunto de dados de 44 países que abrangem cerca de 200 anos, incorporando “mais de 3.700 observações anuais que cobrem uma vasta gama de sistemas políticos, instituições, acordos de taxas de câmbio, e circunstâncias históricas “; Reinhart e Rogoff descobriram que “a relação entre a dívida pública e o crescimento do PIB real é fraca para rácios dívida/PIB abaixo de um limiar de 90 por cento do PIB. Acima de 90 por cento, as taxas de crescimento medianas caem em um por cento, e o crescimento médio cai consideravelmente mais. “

No entanto Herndon et al. (2013), que replicaram a análise de Reinhardt e Rogoff, utilizando os dados originais, descobriram que tinham excluído seletivamente dados disponíveis para várias nações aliadas – Canadá, Nova Zelândia e Austrália- que emergiram da II Guerra Mundial com elevada dívida, mas que, no entanto, se apresentavam com um crescimento sólido. E as estatísticas sumárias foram todas ponderadas igualmente, independentemente da duração da dívida elevada e do desempenho de crescimento. Herndon et al. (2013) concluem que “… quando devidamente calculado, a taxa média de crescimento do PIB real para os países que suportam uma relação dívida pública/PIB de mais de 90 por cento é realmente de 2,2 por cento e não de 0,1 por cento, como foi publicado por Reinhart e Rogoff”. Verifica-se que “o crescimento médio do PIB relativamente ao rácio dívida pública/PIB de mais de 90 por cento não é dramaticamente diferente do que quando as taxas de dívida/PIB são inferiores.”

Infelizmente, um descrédito final tão espantoso, cumulativo e definitivo quanto à consolidação orçamental expansionista e do limiar associado de 90% à sustentabilidade da dívida, não parece ter tido muito impacto sobre as políticas reais, sobretudo por parte da UE e, especialmente, dos países da zona euro. Nos Estados-membros do Sul da zona euro, o apoio social-democrata ou mesmo a aquiescência na criação prematura de uma moeda comum, posta à frente da unificação política, fiscal e bancária, condenou-os ao desnecessário desemprego e à estagnação e isto é simplesmente imperdoável.

Os adeptos da Terceira Via afirmam defender os valores da social-democracia, mas – para além da espectacular reversão das tradições pacifistas da social-democracia no Iraque – retiraram do governo todos os instrumentos tradicionais de política económica necessários para pôr em prática a social-democracia: a política orçamental é restringida aos orçamentos equilibrados, a política monetária é delegada num banco central que não é apenas independente do governo, mas está totalmente desligado da política orçamental; as privatizações eliminam a capacidade governamental de influenciar a distribuição e o crescimento através da política de preços e de investimento das empresas públicas; os controlos directos são substituídos por parâmetros de mercado. Na prática, os únicos instrumentos que restam à política económica do governo são as denominadas “reformas” e, em especial, as alegadas “reformas estruturais” (FMI 2015).

Uma reforma por definição deve ser uma mudança para melhor, e uma reforma estrutural deve ser uma mudança significativa incorporada para melhor, o que consequentemente teria de ser aceite por unanimidade e não ser politicamente controversa. O problema é que não existe e não pode existir um acordo total sobre a conveniência de uma reforma determinada, tendo em conta os seus efeitos redistributivos. E, em qualquer caso, qualquer efeito positivo das reformas levadas a cabo, mesmo que presentes, só terá lugar no período mais longo (cinco ou dez anos), com prováveis efeitos negativos fortes no curto período. Por outras palavras, mesmo as reformas bem-sucedidas são uma forma de investimento, cujo retorno mesmo se positivo não pode necessariamente ser suficientemente elevado para que seja totalmente desejável ou aceite.

Na verdade, as reformas, sejam elas estruturais ou não, são apenas um eufemismo ofensivo e enganador para o que caracteriza a precariedade do emprego (Standing, 2009), a facilidade para despedir trabalhadores dependentes, mesmo sem justa causa e o contínuo e profundo desmantelamento do Estado-Providência. O FMI confirmou a ineficácia dessas medidas com o propósito de relançar a economia, mas, no entanto, os governos hiper-liberais – mesmo os sociais-democratas – adotaram tais instrumentos com um entusiasmo digno de melhores causas.

O projecto da Terceira Via trabalhista de 1996-97 propôs também a realização de uma economia dita de partes interessadas (os stakeholders), compreendida como portadores de interesses legítimos diferentes dos interesses dos proprietários das empresas/accionistas, na sua qualidade de empregados, gestores, clientes, fornecedores, credores e devedores, autoridades locais e comunidades, o meio ambiente. A multiplicidade de partes interessadas da empresa faz com que a resolução dos seus conflitos de interesses seja inevitavelmente uma tarefa extremamente difícil senão mesmo praticamente impossível. Não é por acaso que a proposta foi rapidamente retirada e se esfumou.

Uma solução descentralizada dos conflitos das partes interessadas pode surgir do reconhecimento voluntário por parte das empresas da sua responsabilidade social, sacrificando a maximização do lucro para a consecução da paz social e do consenso. Contudo, não há nenhuma razão pela qual os gestores das empresas que tomem esta posição devem realmente sacrificar os seus lucros a longo prazo; presumivelmente sacrificariam somente uma pequena parte dos seus lucros a curto prazo, que se converteriam numa maior paz social, sem resolver o problema fundamental dos conflitos entre accionistas e entre eles e os accionistas, que pela sua própria natureza não podem ser resolvidos (Nuti 1998).

Outro exemplo de uma política de trabalho aparentemente inovadora da Terceira Via, que acabou por ser ingénua e ineficaz, é o conceito de “pre-distribuição”, introduzido por Hacker (2011) e re-lançada por Ed Miliband (numa entrevista ao New Statesment, 6 Setembro 2012), enquanto líder da oposição. De acordo com esta abordagem, o Estado, em vez de reduzir as desigualdades pela redistribuição através de impostos e transferências depois de já terem ocorrido as desigualdades, deve impedi-las antes que aconteçam.

A redução da desigualdade de mercado poderia ser alcançada de várias maneiras: aumentar a produtividade dos trabalhadores mais mal pagos, formando-os e, em geral, facilitando o investimento em capital humano; melhorar as estruturas de cuidados infantis, melhorando assim o acesso parental; redução do fosso salarial de género; facilitar o emprego de trabalhadores deficientes e idosos. Ao mesmo tempo, os salários excessivamente elevados podem ser reduzidos, juntamente com diferenças salariais injustificadas e os obstáculos à concorrência. O papel dos sindicatos na protecção dos trabalhadores de mais baixos salários e das suas condições de trabalho poderia ser fortalecido; a participação dos trabalhadores na governança da empresa pode ser introduzida. Os mercados de produtos de consumo e de capitais e, especialmente, de energia, podem tornar-se mais competitivos, promovendo o emprego. Por fim, às autoridades locais devem ser concedidas mais recursos discricionários para a construção de casas de renda baixa. Um tratamento favorável às sucessões precoces pode melhorar o acesso ao capital pela parte dos jovens.

É difícil discordar com a conveniência de todas estas medidas: toda a gente iria querer uma economia de altos níveis salariais da mesma forma que toda a gente gosta da maternidade e da torta de maçã. Mas estas medidas de pré-distribuição são complementares e não substitutivas das intervenções tradicionais de redistribuição; não há nada de milagroso nelas, uma vez que requerem igualmente recursos escassos, uma enorme capacidade administrativa e uma forte determinação política. Assim, a estratégia de pre-distribuição teve uma vida efêmera e foi imediatamente liquidada numa publicação do Partido Trabalhista como “uma fórmula sem sentido em vez de políticas reais” (Hatwal 2012).

Ao mesmo tempo, os defensores da Terceira Via não se moveram de forma suficientemente rápida ou suficientemente longe na via que tinham escolhido: ainda falaram de “prioridades”, propuseram a redução da semana de trabalho para 35 horas sem reduções salariais correspondentes, queriam reduzir a idade de passagem à reforma numa sociedade envelhecida, propuseram uma taxa Tobin sobre as transações financeiras, impossível de tributar sem que a sua adopção seja universal e virtualmente impossível no ciberespaço. Ao mesmo tempo, todos foram muito longe em assumir o hiperliberalismo (ver Nuti 1999) e a incondicional globalização, incluindo a livre circulação de capitais e de trabalho num mundo sem fronteiras, desencadeando em 2007-08 a pior crise económica, financeira e política na idade moderna, cujos efeitos desastrosos ainda estamos a sofrer hoje.

 

Nos últimos anos, esta perversão do projecto social-democrata foi rejeitada pelos eleitorados de um grande número de países, nos Estados Unidos com a eleição de Donald Trump como Presidente, em muitos países europeus independentemente de serem ou não membros da UE (como na Alemanha, Suécia, França, Espanha, Áustria) e nos países da Commonwealth (Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Canadá). Nos 15 países da Europa pós-comunista, hoje, sete têm partidos “populistas” no poder, dois têm-nos como membros de uma coligação e em outros três são a maior força da oposição. Hodgson (2018) fala de Wrong TurningsHow the Left Got Lost; Kennedy e Manwaring (2017) perguntam “ porque é que a esquerda perde”. Existem várias causas: a redução da base eleitoral dos trabalhadores industriais e manuais; o aparecimento de partidos mais comprometidos à esquerda (por exemplo, Die Linke) ou à direita (como a Frente Nacional ou a AFD); a crescente falta de confiança nos partidos políticos, muitas vezes conducentes à abstenção dos eleitores; o descontentamento e a desafectação devido à crise económica. Significativamente, o fenómeno é particularmente acentuado em países dirigidos pelos sociais-democratas numa coligação com a direita [16], caracterizado pela alta imigração, pela redução e degradação dos serviços sociais e do Estado-Providência e, mais genericamente, pelo  empobrecimento absoluto ou relativo das classes médias (ver Pauly 2018, do qual foram reproduzidos os dois gráficos seguintes; o quadro geral é agravado na Primavera de 2018 pelos resultados de eleições italianas e húngaras, que não estão nos gráficos).

O declínio dos sociais-democratas europeus [17]

ascensão e queda do socialismo 1

ascensão e queda do socialismo 2

 

Muitas vezes, a perda de apoio eleitoral por parte dos partidos sociais-democratas é atribuída ao “populismo”, num sentido pejorativo. Rodrik (2018B) distingue entre o populismo político, que compromete o pluralismo e as regras democráticas liberais, e o populismo económico que, pelo contrário, encontra justificação nas falhas políticas dos governos, incluindo os progressistas, e pode ser uma via necessária e, por vezes, a única maneira de evitar o populismo político.

Em geral, podemos definir como populismo a promessa de políticas impossíveis ou não sustentáveis, acompanhadas pelo apelo aos sentimentos egoístas do eleitorado. Na verdade, este populismo é indistinguível da democracia, sendo simplesmente a expressão da dissidência eleitoral relativamente às políticas governamentais, mesmo que apoiadas ou toleradas pelos sociais-democratas, e mesmo quando incentiva injustificada mas legitimamente preconceitos do eleitorado (por exemplo xenofobia, que como um simples medo do estrangeiro ou do diferente é um direito inalienável do cidadão). Este populismo pode ser incentivado ou literalmente comprado com concessões e promessas dos líderes políticos sem preconceitos sem com isso cair no perigo da “oclocracia” descrita por Políbio ou da ditadura maioritária temida por Toqueville (ver seção 6 acima); a sua ameaça não pode ser evitada sem se limitar ou destruir a democracia.

Piketty (2018) observa que, nos anos 1950 e 1960, o Partido Democrata nos Estados Unidos e os partidos sociais-democratas da Europa (embora os seus dados europeus se refiram principalmente ao Reino Unido e à França) foram apoiados por eleitores de todos os géneros com baixo nível de educação e baixo rendimento. A globalização (que cria uma divisão entre a desigualdade interna e externa) e a expansão da educação (gerando desigualdades de educação assim como de riqueza) criaram novos conflitos multidimensionais sobre a desigualdade e a redistribuição. Porque é que os regimes democráticos não conseguiram reduzir a desigualdade? Porque – de acordo com Piketty-“sem uma plataforma fortemente igualitária e internacionalista é difícil que os eleitores de baixo nível de educação e de baixo rendimento votem todos no mesmo partido. A divisão entre o racismo e o nacionalismo é uma força poderosa que divide os pobres quando está a faltar uma forte plataforma de união. A política nunca foi um simples conflito entre os pobres e os ricos; é necessário olhar com maior atenção para as clivagens políticas “.

A partir de 1970-1980 teria sido criado um sistema político que justapõe duas coligações transversais, uma contra a outra: o elite intelectual “os brâmanes da esquerda ” contra a elite dos negócios /a direita mercantil, ambas dividindo entre si o apoio de uma classe operária cujos interesses são radicalmente diferentes e não encontram expressão nos partidos políticos; uma tese semelhante é avançada por Rovny (2018). É evidente que há alguma verdade nestas propostas, mas ambos os autores negligenciam a diferença entre os EUA e a Europa, as diferenças entre os países europeus, e entre os períodos relevantes, bem como as raízes cívicas da evolução do Estado-Providência atribuída ao socialismo.

O actual fracasso da social-democracia não se deve à recusa do modelo social-democrata enquanto tal, mas à sua perversão na sequência do hiperliberalismo, das tendências austeritárias e globalistas, não só no comércio, mas também em movimentos de capitais, investimentos directos estrangeiros, de localização de produção para economias emergentes de salários baixos e migrações de trabalhadores. Estas tendências favorecem grandes empresas multinacionais, secam as receitas fiscais incentivam a concorrência fiscal entre os Estados, facilitam a evasão e a fraude fiscal com a proliferação de paraísos fiscais e reduzem consideravelmente o espaço político dos governos nacionais. Esta é a social-democracia pervertida que hoje perdeu o apoio eleitoral na maior parte de todo o mundo desenvolvido.

 

18. Algumas conclusões

A ascensão do socialismo estava enraizada nas desvantagens do capitalismo, que mobilizaram o trabalho humano e a imaginação trazendo prosperidade sem precedentes, mas também gerando desemprego do trabalho e da capacidade produtiva assim como flutuações e crises intermitentemente mas com frequência crescente e em escala cada vez maior, criando assim ao longo do tempo uma desigualdade cada vez maior, especialmente no último período do pós-guerra.

A construção do socialismo num país atrasado, com trabalho abundante, vasto e despótico, afectou o desenvolvimento do planeamento centralizado na URSS, com os seus próprios conflitos e contradições agravados pela falta de democracia política e pela convicção de que as leis económicas não funcionariam de modo algum na economia socialista ( Rosa Luxemburgo, Bukarine, Hilferding e outros pensadores bolchevistas). O sistema de tipo soviético foi impressionantemente bem-sucedido na realização da industrialização, urbanização, crescimento acelerado, rearmamento e na vitória numa guerra mundial; na conquista do espaço e no aumento dos níveis de educação, saúde e de maior igualdade do que a alcançada nas economias capitalistas. Entretanto sofreu do autoritarismo, da repressão de liberdades básicas e da falta da democracia política. O sistema de tipo soviético também não conseguiu adaptar-se aos desafios levantados pelas suas próprias realizações, e, eventualmente, foi derrubado pela sua ineficiência, instabilidade, desequilíbrios internos e externos que conduzem a uma dívida esmagadora e à perda de apoio popular.

A transição para as economias de mercado abertas com a propriedade privada e empresas, por sua vez, foi muito cara – com algumas exceções – por causa da abordagem da terapia de choque adotada, da interrupção inevitável dos fluxos comerciais devida à desintegração económica e monetária e das instituições hiperliberais e das políticas que prevaleceram na transição.

No último período pós-guerra, um modelo social-democrata, que prosseguia os valores socialistas numa economia de mercado sem a propriedade e empresa pública dominante, foi desenvolvido na Escandinávia e noutros países capitalistas, exemplificado pelo Modelo Social Europeu na UE, e serviu bem os países que o adotaram. No final da década de 1990, o modelo social-democrata foi pervertido pelos seus líderes políticos que passaram a adotar um capitalismo hiperliberal, austero e globalista, levando à crise, ao desemprego e à desigualdade crescente. Nos últimos anos esta deformação da social-democracia chocou com derrotas eleitorais estrondosas e repetidas, a favor de partidos rapidamente acusados de populismo quando estes são a expressão do descontentamento popular.

Uma sequela deste longo ensaio, em preparação, ocupar-se-á do futuro do socialismo. O modelo chinês de uma economia de mercado sob o capitalismo de estado é considerado e rejeitado devido à sua natureza autoritária. O modelo jugoslavo do socialismo do mercado associativo é também considerado e rejeitado como inigualitário e tendencialmente ineficiente. Outras formas de enxertar instituições socialistas num modelo capitalista também são consideradas e consideradas de ajuda positiva, mas limitada na concepção de uma alternativa social-democrata.

Popov (2017) encara a possibilidade da criação bem-sucedida de um “novo socialismo”, com a realização de políticas mais igualitárias por parte de algumas economias de mercado, adotando a redistribuição de rendimento, maior regulamentação e um fardo orçamental mais pesado, e com maior ênfase na propriedade pública numa economia mista. A redução da desigualdade e o seu impacto adverso nas tensões sociais tornarão estas economias mais igualitárias e mais competitivas ao nível internacional relativamente aos seus concorrentes menos esclarecidos. Sigo a abordagem de Popov, mas ao mesmo tempo rejeito a conveniência de uma maior igualdade de rendimento alcançada através de migrações incondicionais e sem limites num mundo sem fronteiras.

O novo socialismo, para além de controlar e gerir as migrações, precisa de enfrentar os desafios da gestão da globalização, reduzindo os seus impactos distributivos adversos, lidando com o desemprego e com as implicações distributivas da robotização e da inteligência artificial, lidando com as alterações climáticas e com a conservação de recursos. A diferença em relação ao capitalismo existente será primeiramente uma diferença de políticas, mas essas políticas exigem diferenças fundamentais nos instrumentos de políticas económicas disponíveis, para se construir um sistema muito diferente do capitalismo que realmente existe hoje.

Disse e assim salvei a minha alma

Dixi et salvavi animam meam (Marx 1875).

 Florença, 16 Abril de 2016.

Fonte:

Domenico Mario Nuti, The rise and fall of socialism. Texto publicado originalmente por DOC Research Institute, cujo endereço eletrónico é https://doc-research.org/2018/05/rise_and_fall_of_socialism/ e no seu blog cujo endereço é https://dmarionuti.blogspot.com/

 

Notas

[16] As perdas eleitorais do SPD em Setembro de 2017, depois da participação na Grande Coligação com o CDU e o CSU, continuaram a verificar-se nas sondagens de opinião com uma descida dos seus apoiantes de 20,5% para 16% depois do anúncio da renovação da Coligação, apesar dos consideráveis ganhos do SPD no governo, quer em termos das políticas económicas quer dos principais postos ministeriais.

[17] As eleições italianas de 4/03/2018 marcaram uma derrota ainda mais pesada da social-democracia, com os dois “populistas” – o Movimento 5 Estrelas e o Liga – a formarem atualmente a nova coligação governamental.

 

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