
deste lado da porta, nomes que não são.
um bosque de ponteiros
babando ferrugem
e algarismos cansados de números.
o sol espeta vértices quentes
nas perguntas sem dúvidas de sombra.
boiam letras no rio branco
e a página nada
sem respostas no corpo.
talvez uma luz que se procura
no brilho que já é
ainda seja o mapa que falta.
as definições interrogam as árvores
escutam o coração das pedras.
o aqui e o ali trocam de cabeça.
a chuva chove triste
antes da toalha enxuta do vento
que faz sentido.
parabéns a você e as velas
da barca estendem passadeiras
aos náufragos.
a certeza sábia de tudo arrefece
ao encurtar-se a estação tranquila.
é tempo de caírem as nuvens.
o chão é longe no voo
das coisas que nos prendem
com força.
boiam letras no rio branco
e a corrente são palavras
nascentes de uma foz
sem quase mar.
amor é uma legenda de mil línguas.
amor é a pena que vale a história inteira.
