CARLOS REIS – OS ARTIGOS IMPUBLICÁVEIS – O SENSO DE HUMOR, A GRAMÁTICA E OS SEUS CONTRÁRIOS

 

😎       🙂      🙂     lol    …e etc.

Estas e outras sinalefas (e mais umas tantas que a minha incapacidade cultural não consegue de todo abarcar) fazem parte, aparecem hoje frequentemente em comunicações, missivas e vária informação digital, como se sabe –  chamam-lhe “internetês”.

Porque será que isto acontece?  

Quanto a mim (independentemente dos estudiosos como os aqui abaixo evocados a partir da wikipédia) poderá ter apenas duas possíveis explicações.

Uma delas dirá talvez respeito a uma contínua aculturação comodista e inevitável da cambada (sempre maioritária) de zombies seguidistas e pouco exigentes consigo próprios e com os outros, que acabam por perder a sua própria e genuína identidade em termos de língua portuguesas, que acabam por esquecer a gramática, a sintaxe, a pontuação.

Pontuação essa que chega e sempre chegou – com maior ou menor imaginação – para expressar o que se pretende dizer ou escrever, sejam estados de alma, emoção ou angústia, graça ou intenção, tipo de humor ou metáfora. Passam então a utilizar os 😎 😎, os 🙂 🙂, os 😦 😦, os lol e mais alguns outros, em vez de pontos de exclamação, de interrogação ou reticências, ou um uso de frases estrutural e gramaticamente bem arquitectadas e compreensíveis pelo interlocutor ou interlocutores, tornando-se assim, com essa simplificação acéfala, gramatical, gradual e subliminarmente incultos.  

Alguns já o seriam, acentuando agora ainda mais essa tendência.

O mais irritante é a necessidade de colocar à frente do algo que se afirma como sendo, ou pretendendo ser uma graçola, a sigla 🙂 ou o boneco 😎como se o interlocutor fosse estúpido e não percebesse que aquilo era para rir.

Ou o contrário –  apôr a sinalefa 🙂 para o outro idiota compreender que era algo de desengraçado o que fora referido.

A outra explicação – esta tendencialmente mais aplicável à nossa querida e dinâmica juventude – tem a ver com algo ainda pior: a ausência parcial ou mesmo completa do mais elementar conhecimento gramatical, de sintaxe e (muito sobretudo?) à pobreza de vocábulos existentes no seu existir neuronal e de que usufrem nas suas comunicações por telemóveis, smartphones, notebooks, tablets, watchapps – ou mesmo a falar, enquanto ainda não chegados à fase seguinte que será de grunhidos.

Toda a gente (enfim, quase toda) me cairá em cima, apostrofando-me de velho do Restelo, de não acompanhar as novas tendências, o novo paradigma e por aí fora – esquecendo, coitados, a grande e enorme diferença que existe entre nós e os restantes animais e que reside precisamente na língua, na capacidade de comunicar, algo de tão culturalmente importante e tão em perigo de perder-se.

Quem lê, hoje em dia? Os jovens nunca lêem nem levam a sério os escritores portugueses. Lêem o que os obrigam a ler (cada vez menos) e nem lhes interessa perceber. Nunca leram Júlio Verne, nem Mark Twain, sabem lá quem é o Tom Sawyer. o Huckleberry Finn ou o Carlos Eduardo da Maia.

Há explicação para estes tristes fenómenos? Pois há, pois claro que há. Os intelectuais de serviço que os discutam – eu limito-me a constatá-los.

Aproximamo-nos perigosamente e cada vez mais dos macacos, interessantes mamíferos de polegar oponível, apesar destes restantes mamíferos não terem smartphones nem tablets.

Ou talvez por isso mesmo.

Carlos

Internetês é um neologismo (de: Internet + sufixo -ês) que designa a linguagem utilizada no meio virtual, em que “as palavras foram abreviadas até o ponto de se transformarem em uma única expressão, duas ou no máximo cinco letras”, onde há “um desmoronamento da pontuação e da acentuação”, pelo uso da fonética em detrimento da etimologia, com uso restrito de caracteres e desrespeito às normas gramaticais.[1]

Para Silvia Marconato, o internetês é uma “forma de expressão grafolinguística que explodiu principalmente entre adolescentes que passam horas na frente do computador no Orkut, Facebook, Twitter, Google+, Skype, Instagram, Badoo, WhatsApp, Ask.fm, YouTube, Reddit, Tumblr, e-mail, Viber, Snapchat em chats ou qualquer outras redes sociais, blogues e comunicadores instantâneos em busca de interação — e de forma dinâmica” e aponta que estudiosos veem aspectos positivos na simplificação do idioma nesta nova escrita.[2]

Estudiosos, como Eduardo Martins, apresentam reservas em relação ao uso dessa linguagem, observando que o “aprendizado da escrita depende da memória visual: muita gente escreve uma palavra quando quer lembrar sua grafia. Se bombardeados por diferentes grafias, muitos jovens ainda em formação tenderão à dúvida”.[2]

(Wikipédia)

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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