



OBRIGADO A DAVID DUFRESNE
«Hospital atacado»: a versão do ministro do Interior, Castaner, desmentida por testemunhos e vídeos.
2 maio de 2019

A Ministra da Saúde Angès Buzyn na escadaria de emergência da unidade de cuidados intensivos do hospital Pitié-Salpêtrière em Paris, no dia 2 de maio.
Ao contrário do que disse o ministro do Interior – o que causou uma onda de choque na opinião pública – os coletes amarelos não “atacaram” o hospital de La Pitié-Salpêtrière. Apanhados com gás lacrimogéneo, os Coletes Amarelos procuraram aí refúgio.
Os Coletes Amarelos “atacam” um hospital e a sua unidade de cuidados intensivos: esta imagem foi impressa na consciência de muitos franceses depois de ter sido repetida nos canais noticiosos das cadeias de televisão em contínuo na noite de 1 de Maio. “Um hospital alvo”, aparece escrito como um exemplo no canal BFM TV, numa das suas “caixas” aqui reproduzida:

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Na origem desta informação, o Ministro do Interior Christophe Castaner, que publicou um tweet enfatizando a ideia de violência que seria cega dentro do movimento dos Coletes Amarelos. “Aqui em La Pitié-Salpêtrière, um hospital foi atacado. O seu pessoal médico foi agredido. E foi ferido um policia mobilizado para o proteger “, escreveu ele, desencadeando uma onda de indignação contra os Coletes Amarelos.
No entanto, embora esta imagem sirva o propósito de um governo que não consegue extinguir o fogo do protesto social, está longe de prestar homenagem à verdade. De facto, na noite de 1 de Maio, depois de 2 de Maio, muitos testemunhos foram apresentados a contradizerem categoricamente o que deve ser descrito como sendo uma mentira de Estado.
Não houve excessos dizem os funcionários do hospital
De acordo com os diversos testemunhos, que vêm do pessoal do hospital, dos Coletes Amarelos, mas também de numerosos vídeos dos eventos, parece que os manifestantes entraram no complexo do hospital para escapar à nuvem de gás lacrimogéneo. Poucos momentos depois, perseguidos por policias que não hesitaram em bater-lhes com cassetetes, os Coletes Amarelos utilizaram uma escada externa que levava à saída de emergência da unidade de reanimação. Tentaram então – sem agressão – entrar ao que não foram autorizados porque o pessoal de serviço lhes fechou a porta. Depois, deram meia-volta numa atmosfera calma.

allo @Place_Beauvau – c’est pour un signalement – 746 (précisions 19)
O momento T, visto desde o serviço de reanimação #PitiéSalpêtrière. Manifestantes perseguidas pelas Forças da Ordem em fuga. Não há agressividade pela parte dos fugitivos. Excerto 1/2
Paris, #1erMai, Veja-se : https://www.facebook.com/nejeh.benfarhat/videos/468670960571900/?__tn__=%2CdCH-R-R&eid=ARD0KlkHtSH_OLIqid_iLt6-6aIEDNO5QTQ7EukQRBTd1qRbHkPO_lWP_kFetnYhddoLHc2LOp3te-Vw&hc_ref=ARTeRHqd05TgcRkyItgqqE94RMEhHWKXLc9YcRxlSbGgV8V06usWUvSn3CPvP7SJkYg&fref=nf …

allo @Place_Beauvau – para
sinalização.
«A intrusão» vista a partir do serviço de reanimação #PitiéSalpêtrière. Manifestantes que dão meia
volta depois de lhes ser recusada a entrada. Não é visivel nenhuma agressividade. Excerto 2/2
Paris, #1erMai, Veja-se : https://www.facebook.com/nejeh.benfarhat/videos/468670960571900/?__tn__=%2CdCH-R-R&eid=ARD0KlkHtSH_OLIqid_iLt6-6aIEDNO5QTQ7EukQRBTd1qRbHkPO_lWP_kFetnYhddoLHc2LOp3te-Vw&hc_ref=ARTeRHqd05TgcRkyItgqqE94RMEhHWKXLc9YcRxlSbGgV8V06usWUvSn3CPvP7SJkYg&fref=nf …
Foi bastante calmo, sem comportamentos excessivos “, explica um dos membros do pessoal clínico presente no local, rejeitando a tese de que o equipamento tinha sido roubado. “A equipa não está nada chocada”, respondeu a um jornalista quando lhe perguntaram como se sentia. “Não nos sentimos mais em perigo do que isso. …] Queríamos tornar proteger os nossos colegas, os equipamentos assim como os pacientes em primeiro lugar e dar segurança às suas famílias”, acrescenta uma outra funcionária, antes de reenquadrar um jornalista que lhe diz que ela parece “marcada”.

Numa mensagem publicada pelo jornalista David Dufresne, um Colete Amarelo explica que os manifestantes se viram encurralados na avenida ao lado do hospital e que as forças da ordem fizeram, nessa altura, uma forte utilização de gás lacrimogéneo. “Tentámos todos sair de lá, mas era quase impossível, dada a multidão. A dor provocada pelo gás lacrimogêneo era extremamente intensa e várias pessoas ao meu lado começaram a vomitar. Ninguém podia ver nada além de uma porta que conduzia a uma área verde que não parecia ser afetada”, disse o manifestante.



Dois testemunhos editados pelo escritor-documentarista David Dufresne :
1º.


“A certa altura, os CRS entraram em força no caminho e a BRAV (Brigade de répression de l’action violente) chegou a toda a velocidade do outro lado de motocicleta, colocando em situação de sanduiche as cerca de quarenta pessoas que aí estavam. E começaram a espancar algumas delas. Foi nessa altura quando as pessoas presentes entraram em pânico e começaram a virar-se para a escada de socorro”, do Hospital, disse outra testemunha.
Sobre os acontecimentos junto do Hospital relata Le Libération :
Pitié-Salpêtrière : France Info ilustrou a «intrusão» com uma foto de vândalos a atacarem u Comissariado da Polícia ?
Robin Andraca, Libération — 2 Maio de 2019 à 10:59
Para ilustrar um artigo sobre a “instrução” de coletes amarelos no hospital de La Pitié-Salpêtrière, à margem das manifestações de 1 de Maio em Paris, France Info escolheu uma fotografia tirada em frente à esquadra da polícia do 13º distrito de Paris. O site modificou depois a sua foto.
Questão levantada por Canard Enchainé ao Libération:
Os senhores referem-se a um artigo publicado esta manhã, 2 de maio, pelo site France Info, intitulado: “Intrusão no Pitié-Salpêtrière: “A discussão não foi possível”, conta o diretor do hospital
Neste, como o seu título indica, France Info recolheu o testemunho da diretora do hospital Pitié-Salpêtrière de Paris. Durante a manifestação de 1 de Maio, cerca de 30 pessoas foram detidas pela polícia na sequência de uma “intrusão” nas instalações do estabelecimento.
O que realmente aconteceu? No momento em que escrevo, várias versões estão em oposição. A gestão hospitalar refere-se a uma “intrusão violenta” de Coletes Amarelos e indivíduos com rostos tapados , que supostamente tentaram entrar na unidade de cuidados intensivos antes da intervenção policial.
Pelo contrário, vários vídeos transmitidos em redes sociais mostram manifestações que alegadamente tentaram entrar no hospital para se protegerem do gás lacrimogéneo, lançado pela CRS fora do hospital.
Resta a vossa questão, enquanto se espera para ver mais claramente: para ilustrar o seu artigo, “France Info” escolheu uma fotografia em que vemos vários manifestantes com capuzes a atacar um portal em ferro:

Esta foto tem a seguinte legenda: “Manifestantes no 1 de Maio de 2019 em Paris, boulevard de l’Hôpital.” No entanto, esta foto não foi tirada em frente ao hospital, localizado na mesma avenida. É o próprio fotógrafo, Geoffroy Van der Hasself (AFP), que explica no Twitter: “Esta foto foi tirada […] em frente ao Comissariado da Polícia do XIIIª Bairro e como mencionado na legenda sobre a foto no sitio da AFP », escreveu o jornalista da AFP em resposta a um internauta.
Fontes:
- Libération, Pitié-Salpêtrière : France Info a-t-il illustré l’«intrusion» avec une photo de casseurs attaquant un commissariat ?. Texto disponível em: https://www.liberation.fr/amphtml/checknews/2019/05/02/pitie-salpetriere-france-info-a-t-il-illustre-l-intrusion-avec-une-photo-de-casseurs-attaquant-un-co_1724463?__twitter_impression=true
- RT, France: «Hôpital attaqué» : la version de Castaner démentie par des témoignages et des vidéos. Texto disponível em:
https://francais.rt.com/france/61702-pitie-salpetriere-version-castaner-refutee-temoignages-videos


SOMOS FEITORES, APENAS FEITORES… E MALFEITORES
> https://gustavohorta.wordpress.com/2019/05/20/somos-feitores-apenas-feitores-e-malfeitores/
…O passado nos mostrou obstáculos que seriam excelentes para nosso aprendizado.
Mas aprender significa mudar. E nós não mudamos, logo não aprendemos. …
“Passado, ainda hoje, quem sabe amanhã”
> https://gustavohorta.wordpress.com/2013/08/08/passado-ainda-hoje-quem-sabe-amanha/