CARTA DE BRAGA – “da ignorância e da inteligência” por António Oliveira

Os líderes da União Europeia voltaram a fracassar na tentativa de fixar 2050 como prazo limite para a neutralidade climática (zero emissões de CO2), devido à oposição de Hungria, Polónia, República Checa e Estónia’, numa votação que pedia unanimidade.

Tirado há poucos dias de um dos diários europeus que a referiram, mas convém pensar em quem está à frente daqueles países, por eles não se lembrarem nem lhes interessar porque ‘Não estamos a dar o devido valor à Natureza! Só assim é possível explicar porque a continuamos a destruir, sem remorsos!

A afirmação é de Georgina Mace, professora de Ecologia Evolutiva na Universidade de Sussex. Mas a verdadeira explicação parece vir a seguir – ‘a Natureza oferece os seus serviços de forma gratuita: ar limpo, água limpa, bosques, polinizadores e tudo o resto!

E como é grátis, é desatar a tratar tudo como em casa, gastar ‘à tripa-forra’, estragar, pôr no lixo a monte, ver se há actualizações para comprar novo, voltar a deitar ao lixo, etc.

É assim, gasta-se como se os recursos fossem infinitos e só nossos, como se não houvesse mais ninguém e não tivéssemos todos de vir a pagar por tal desperdício.

E pagar das mais diversas maneiras pois, na origem e acima de tudo, afirma Daniel Innerarity, ‘A política passa actualmente por um peculiar trastorno bipolar, por ser capaz de iludir muita gente, até a fazer perder o sentido da realidade

Mas não podemos esquecer que, já em 1987, Robert Solow do americaníssimo e celebrado MIT, prémio Nobel de Economia pelas teorias sobre a tecnologia como factor determinante para o desenvolvimento, atirou cá para fora uma certeza que nunca mais o largou ‘O mundo pode continuar a seguir em frente sem recursos naturais, de tal modo que o seu esgotamento é só um acontecimento, não uma catástrofe

Os seus seguidores tentaram por todos os meios, anular os efeitos de tal barbaridade, mas logo ‘as multinacionais a aproveitaram em proveito próprio, lançando-se à depredação dos recursos naturais, nos altares de um crescimento económico ilimitado’ (Nueva Tribuna, Maio.19)

O meses Maio/Junho foram muito importantes para esta causa, pelo muito que se escreveu em todo o mundo mas, principalmente pela divulgação de umas «pequenas coisas» como esta, ‘quarenta milhões o número de árvores abatidas ou destruídas no mundo, cada dia que passa’ que serviu até de tema para uma Carta!

Mas a questão pode assumir consequências gravíssimas, agora já da categoria daquela catástrofe negada por Solow, a ver por uma parte de uma entrevista a outro Nobel, o também americano e químico, Robert Schrock, (Vanguardia, Maio.19)

«¿A alteração do clima pelo dióxido de carbono CO2 pode acabar connosco?

Estou absolutamente seguro disso, como a maioria da comunidade científica

¿O que poderemos fazer para o evitar?

Pois, temo agora, como uma grande parte dos químicos meus colegas, que neste momento já é problemático que o possamos parar

Não me assuste!

Não quero assustar ninguém. Só falo de ciência e de dados contrastáveis, não de emoções. Há já trinta anos, os climatologistas apresentaram provas irrebatíveis de que a alteração climática estava pôr em perigo a nossa existência e a vida no planeta, mas muitos governos, como o do meu país, continuam a negá-lo e, EUA e China, não têm qualquer intenção de fazer coisa alguma. Continuam a queimar combustíveis fósseis, incluindo o carvão, o mais contaminante.

¿O que se passará?

A Terra vai converter-se num outro Vénus ardente, inabitável para o homem.

¿Será o fim da nossa espécie?

Sim, mas não se preocupe, nem você nem eu já aqui estaremos!»

Mas, por estar atento a tudo que consigo ler e ‘ouver’, creio que se está a fazer o possível para uma ‘conversão’ à medida pois, afirma o professor Miquel Porta da Universidade de Barcelona, ‘estamos a detectar constantemente substâncias novas no corpo humano – como os retardantes de fogo, não assinalados até hoje. Também se encontraram fenóis, ftalatos e pesticidas organofluorados… Poderemos dizer que estamos a urinar plástico, por já se ter detectado bisfenol em todo o mundo!

Nem creio que alguma destas coisas com nome complicado, sirva para uma inocente ‘água de rosas’, mas creio numa afirmação de Bertrand Russel, já com umas dezenas de anos ‘Grande parte das dificuldades que o mundo atravessa, deve-se a termos os ignorantes sempre certos e os inteligentes cheios de dúvidas

E eles, os das certezas, (co)mandam gente, exércitos, teclas e fakes!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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