CARTA DE BRAGA –“de violinos e batidas” por António Oliveira

Já não me lembro onde li isto – ‘O poder é como um violino. Toma-se com a esquerda e toca-se com a direita!

Parece ser uma verdade tão real como o sol nascer todos os dias nesta Terra, a única que conhecemos e onde estamos condenados a passar o resto dos dias que a natureza nos conceder!

A tomada de poder nunca é uma coisa pacífica, por ser uma ruptura, um salto entre dois níveis de andamento, degraus que se têm de subir ou descer com desconforto, tanto para o que a determina como para quem a tem de fazer.

É sempre pior para os que a sofrem, arrebatados do seu pequeno/grande mundo, do lugar a que estão habituados, onde criaram as rotinas que acabam por ver mutiladas e, bem mais drástico, por terem de aprender e assumir novas ‘letras’ para as ‘bandeiras’ que vão ter de saudar.

E encontram-se exemplos disto a todo o momento, no tipo que mais refila no restaurante, na rua, no autocarro, na turma, na claque, no ‘mandão’ do miserável ‘passeio’ dos caloiros (está a chegar a época!), já a exercer um privilégio que alcançou sabe-se lá como e que, como a peste, também tende a estender-se rápida e desenfreadamente.

Para esta situação, mais sensível nos meios onde se deviam formar jovens para ultrapassar os dramas de tal ruptura, muito contribui a destruição da memória, porventura programada, para que os valores sejam só os ‘vertidos’ pelos ecrãs, porque a gente alimentada pelos ‘fogachos’ da actualidade tende a mover-se na dispersão, olha mas nunca vê e ouve mas nunca escuta.

A ser assim, acabaremos todos por ser como o poder nos quer, gastadores compulsivos, controlados mas satisfeitos, por até termos e podermos mostrar um ecrã móvel!

Lá, naquele ecrã móvel, ruptura só quando acaba a bateria, não há necessidade de aprender outras ‘letras’, pois as rotinas só dependem dos polegares!

A música a sair do violino do poder marca os ritmos, balança-se o corpo a acompanhar a batida, nem é preciso escutar as ‘letras’ que têm e o que querem dizer, pois as ‘bandeiras’ virão a seguir!

Mas vendem o velho como sendo novo, a batida é boa, o grupo todo pensa e fala da mesma maneira e ‘A tirania é aquela coisa esquisita que havia na Idade Média! Já dei para isso!

Hoje não recorre nem precisa desses métodos medievais mas o telemóvel devia vir equipado com a tecla ‘tirania’ para levar às imagens do ‘Holocausto’, da Amazónia e arder, da seca e da ‘fome’ das crianças pelo mundo, dos ‘desastres’ no Mediterrâneo, das fronteiras nos states ou da enorme ‘favela’ de Dharavi na Índia, a atrair hoje mais visitantes que o Taj Mahal, tal é a degradação.

Mesmo sem esquecer a batida!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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