A AMÉRICA LATINA SOB O FOGO DO NEOLIBERALISMO, SOB A PRESSÃO DA AUSTERIDADE – VII – O FMI NÃO TEM O REMÉDIO CERTO PARA A ARGENTINA, por JON SINDREU

Obrigado à Wikipedia

 

 

IMF Doesn’t Have the Right Medicine for Argentina, por Jon Sindreu

The Wall Street Journal, 2 de Outubro de 2018

Blogue Gonzallo Raffo

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

A fixação do FMI em políticas duvidosas falha nas causas reais da inflação e das crises monetárias

 

 

Diante de uma crise monetária, o primeiro instinto do presidente argentino, Mauricio Macri, foi chamar o Fundo Monetário Internacional. As condições do acordo de resgate, no entanto, correm o risco de prolongar o duvidoso histórico do FMI quando se trata de ajudar as economias emergentes.

O acordo alcançado na semana passada entre a Argentina e o FMI elevou o pacote total de resgate para US$ 57,1 mil milhões até 2021. A injeção de dinheiro é uma boa notícia no curto prazo, porque o governo da Argentina tem uma grande quantidade de dívida denominada em dólares americanos para pagar  e o peso caiu mais de 50% em relação ao dólar este ano.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, está a  lidar  com uma das taxas de inflação mais altas do mundo e com uma forte depreciação do peso, que perdeu mais da metade de seu valor em relação ao dólar até agora, durante  este ano. Foto: Natacha Pisarenko/Prensa Associada

 

Mas parece improvável que as condições impostas pelo FMI garantam a recuperação económica robusta que muitos investidores internacionais esperam.

Primeiro, o FMI só permitirá que o banco central argentino reforce o peso se ele cair além de um certo nível, e apenas gastando um máximo de US$ 150 milhões. Se os investidores tiverem intenção de vender, essa quantidade pode ser pouco melhor do que estar a defendê-lo com uma pistola de água.


Em segundo lugar, para resolver o  seu problema de inflação, o banco central será forçado a manter inalterada a quantidade de dinheiro que emite –  tem estado a crescer  a um ritmo anual de 24% – e o governo precisará cortar massivamente no seu défice orçamental.

Esse conjunto de medidas de política ecoa a retorno à década de 1970, quando a limitação da quantidade de dinheiro que os bancos centrais podiam imprimir centrou toda a raiva popular. A abordagem revelou-se impraticável e foi logo abandonada. Muitos dos países que o FMI ajudou na altura não estavam a fazer melhor na década de 1990.

Para países como a Argentina, o principal determinante da inflação não é a quantidade de dinheiro na economia, os gastos do governo ou mesmo a política do banco central. Em vez disso, estão à mercê dos fluxos globais de capital. Quando o Federal Reserve aumenta as taxas e os investidores se deslocam para a zona do dólar, as moedas dos mercados emergentes caem e os preços das importações sobem. Trabalhadores e empresas respondem tentando elevar salários e preços. A Argentina é particularmente propensa a esse problema por causa dos  seus fortes sindicatos e dos preços dolarizados dos serviços públicos.

Estabilizar a economia argentina pode exigir medidas dolorosas, como o congelamento dos salários do setor público, a moderação do poder sindical e a redução das margens de lucro das empresas. O governo também deve limitar o seu endividamento em  dólares. A longo prazo, elementos do sucesso do desenvolvimento da China podem oferecer um roteiro: Estabilidade da taxa de câmbio, política coordenada de rendimentos e foco na produção de exportações em indústrias de rendimentos de  escala.

O estabelecimento de metas de défices e de emissão monetária arcanas poderia atingir indiretamente algumas dessas metas, mas também poderia causar muitos danos. Reavivar a década de 1970 não parece ser um caminho útil para a Argentina. Os investidores devem ficar afastados.

 

IMF DOESN´T HAVE THE RIGHT MEDICINE FOR ARGENTINA / THE WALL STREET JOURNAL

 

https://www.wsj.com/articles/imf-doesnt-have-the-right-medicine-for-argentina-1538472780

https://gonzaloraffoinfonews.blogspot.com/2018/10/imf-doesnt-have-right-medicine-for.html

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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