CARTA DE BRAGA – “somos nós” por António Oliveira

 

Um ‘rapaz’ bem conhecido em todo o mundo, não só no das redes sociais, mas também no do espectáculo nos ecrãs maiores disse, a terminar o ano, ‘antes de se programar um drama ou mesmo uma comédia sobre bolsonaro, trump ou boris johnson, é necessário perceber por que, uns líderes vazios adquiriram tanto poder, por que os nossos mandatários são gente que parece não ter nenhum ideal, nenhuma visão da humanidade’.

Também se pergunta e não entende ‘que mundo queremos nós e por que somos governados por gente que mente constantemente e, perante isso, nos limitamos a encolher os ombros?

Aquele raciocínio e esta pergunta são feitas pelo conhecido a aclamado Jeremy Irons, o actor britânico galardoado com um Oscar, três Emmys e dois Globos de Ouro, numa longa carreira de quase quatro dezenas de anos.

Não sou capaz de desligar estas palavras de algumas outras repetidas a miúde em alguns estudos e órgãos de comunicação, que aqui transcrevo tal como os apontei para eventual aproveitamento.

Samuel Johnson pensava no século XVIII que os políticos só o eram por vaidade ou por ambição, Mark Twain acreditava que eram mais corruptos que estúpidos e George Orwell, o autor de uma frase tida como um clássico do menosprezo, por qualificar o seu mundo como um montão de mentiras, fraudes, estupidez, ódio e esquizofrenia”.

Longe de mim tentar e, muito menos pensar na generalização desta sentença mas, manter o autoritarismo estrutural de qualquer sistema, debaixo da autoridade de uma democracia excessivamente degradada, pode levar a situações, para quem ainda têm memória, cuja gravidade entra no campo do imoral e da abjecção, com exemplos que os media já nos fornecem a diário.

O professor Viriato Soromenho Marques, comentador deste mundo da política, escreveu recentemente no ‘DN’, ‘Trump talvez represente a trágica contradição entre o primitivismo da nossa engenharia política e a complexa desmesura da nossa tecnologia, tão impactante na Terra. Para ascender à civilização planetária, a humanidade teria de ser governada de modo cosmopolita, e não de forma tribal’.

Volto a Jeremy Irons por ser ele a dizer ‘Mas somos nós que os votamos. O que se passou connosco? Talvez só tenha mudado, passar mais tempo a olhar os ecrãs, comunicando-nos através deles, do que observar o mundo e vermo-nos com os olhos. O resultado é que estamos a perder a capacidade de ver em quem podemos confiar, banalizando o engano!

Talvez tenha razão Henry Miller, o consagrado romancista norte-americano, que um dia deixou escrito ‘O nosso destino não é um lugar, mas uma maneira de ver as coisas’…

…mas só ‘com estes que a terra há de comer’, como antes se dizia e com propriedade.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

2 Comments

  1. A trampa q governa os EUA evidencia uma absoluta falta de respeito pelo direito internacional e uma arrogante prepotência en relação aos valores culturais, humanistas e universais que são a base da democracia que a sua Constituição obriga a defender.

  2. Mas há mais a “pensar” como ele até por cá! Na realidade, o problema está, como disse alguém, “eles nunca falam para a mente, falam para as tripas”!
    A.O.

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