A DERROTA DE CORBYN, UMA CONSEQUÊNCIA DA CRISE POLÍTICA A OCIDENTE – I – A GRANDE BRETANHA É TAMBÉM A FRANÇA … AS SUAS LIÇÕES DIZEM RESPEITO A TODA A EUROPA – por JACQUES COTTA

 

 

A Grande Bretanha É Também A  França … As Suas Lições Dizem Respeito A Toda A Europa, por Jacques Cotta

La Sociale, 15 de Dezembro de 2019

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

A vitória de Boris Johnson e dos Conservadores na Grã-Bretanha é histórica. Tal como o colapso do Partido Trabalhista, que está a perder bastiões que eram desde há décadas considerados inexpugnáveis. Isto deve dar origem a algumas reflexões  que nos dizem diretamente respeito.

1. Ouvimos na rádio e televisão  que a derrota de Corbyn e dos Trabalhistas se deveu a uma agenda social excessiva. Fala-se de nacionalizações, emprego, serviços públicos. Mas este programa foi o que lhe deu a sua retumbante vitória nos anos 2015. Não a sua derrota atual.

2. A vitória de Johnson e dos Conservadores foi alcançada a partir de uma questão: Brexit e a soberania nacional. Foi sobre isso que Corbyn capitulou. Foi por isso que ele foi derrotado.

3. a campanha de Johnson retomou elementos da política social (nomeadamente nos serviços públicos, no seu desenvolvimento e na saúde) que tinham sido o alicerce da base teórica do  Partido Trabalhista. Isto explica em parte a vitória esmagadora que ele pode desfrutar.

4.  Corbyn fez das questões sociais e das  não sociais, uma parte central do seu programa. (os direitos dos transexuais, a questão islamita, etc.). Os trabalhadores nos seus bastiões eleitorais  mandaram-no  de volta para os bobos a quem ele se dirigia.


Estas são lições que nos dizem diretamente respeito, a nós  e a todos os países da Europa.

Na Itália, pelas mesmas razões, Matteo Salvini está prestes a assumir os bastiões históricos da esquerda italiana, em particular os bastiões do  antigo Partido Comunista Italiano. Depois da Umbria, ele pode agora voltar a sua atenção para as regiões de Emilia Romagna e Toscana. Um terremoto comparável na península ao que ocorreu do outro lado do Canal da Mancha.

Em cada país, os qualificativos de   “populistas” escondem esta realidade, as causas políticas para as quais massas inteiras estão a cair ou estão prestes a cair.

E na França, onde a esquerda está em vias de se estilhaçar, a situação não é exceção à regra. Muito justamente, Jean Luc Mélenchon vê    os zig-zagues de Corbyn com o Partido Trabalhista  como uma das causas do seu fracasso. Mas curiosamente, ele não identifica as causas, a recusa de afirmar a importância da Nação, dos seus valores, a recusa de afirmar claramente o Brexit, a adaptação a algumas questões sociais para as quais o eleitorado popular não tem qualquer utilidade, a “islamofobia” que o impele a manifestar-se  com aqueles que se reconhecem no slogan Alá Akbar, a assistência médica para todos seja na  procriação medicamente assistida seja  na procriação com barriga de aluguer, e todos estes temas são temas que basicamente evacuam a questão social e a luta contra o capitalismo contra o qual  se insere desde há mais de um ano a luta desencadeada pelos  Coletes Amarelos e na qual estes estão hoje empenhados contra o regime com a Macaronésia. Talvez não seja demasiado tarde para abrir o debate? Porque a Grã-Bretanha é a França e, mais amplamente, é cada um dos  países da Europa de hoje.

 

Fonte: Jacques Cotta, sitio La Sociale- Analyses et débats pour le renouveau d’une pensée de l’émancipation, LA GRANDE  BRETAGNE C’EST AUSSI LA FRANCE… SES LEÇONS CONCERNENT TOUTE L’EUROPE…… à travers la victoire de Jonhson et des conservateurs et la déroute de Corbyn et des travaillistes. Texto disponível em:

http://la-sociale.viabloga.com/news/la-grande-bretagne-c-est-aussi-la-france-ses-lecons-concernent-toute-l-europe

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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