A CRISE DO COVID 19 E A INCAPACIDADE DAS SOCIEDADES NEOLIBERAIS EM LHE DAREM RESPOSTA – nova série – A introdução de JÚLIO MARQUES MOTA + I – A INDIGNAÇÃO DAS AGÊNCIAS DE INFORMAÇÃO ITALIANAS

 

 

 

Uma pequena nota explicativa

 

Neste momento estou a estudar o sistema de  pensões de reforma por pontos em França. Neste trabalho deparei-me com uma análise sobre os investimentos públicos no setor da saúde  em França em que é evidente os efeitos da política de austeridade a que este país foi submetido.

Ficou para mim claro que a França estaria relativamente incapacitada para responder à crise criada pelo Covid 19, quer pela extensão da propagação viral,  quer pela insuficiência  dos meios  disponíveis, insuficiência esta explicada pela crise austeritária a que Bruxelas submeteu a Europa. As duas condicionantes ligadas irão tornar a explosão viral numa verdadeira catástrofe em França. Veremos se infelizmente a minha previsão se a confirma.

Logicamente se passaria o mesmo com a Itália e até  mesmo com mais violência pois a pressão austeritária foi muito maior e nesta manhã de 15 de Março procurei material disponível para confirmar ou não a minha tese.  Nessa pesquisa deparei-me com algo que me revoltou: a denúncia feita por agências de informação italianas sobre a reunião do Eurogrupo amanhã, dia 16 de Março.

A partir   daqui,  optei por fazer uma série de textos tendo como tema A crise do Covid 19 e a incapacidade das sociedades neoliberais em lhe darem resposta,  onde passaremos em revista as situações de França, Inglaterra, Itália e Estados Unidos, análise país a país que iremos articulando com as características  típicas do modelo neoliberal.  Parafraseando  Bernie Sanders e vivemos uns tempos, nestes e noutros países, em que se tem como caraterísticas r4 quase comuns a todos:

“A realidade de hoje, e esta é uma questão com a qual temos de lidar, é que não temos médicos suficientes. Nós não temos hospitais suficientes. Não temos clínicas suficientes nas comunidades rurais e no interior das cidades. Além disso, estamos numa situação em que precisamos desesperadamente de medicamentos prescritos a preços acessíveis, mas temos uma indústria farmacêutica que continua a fazer milhares de milhões  de lucros cobrando preços ultrajantes por medicamentos prescritos, às vezes 10 vezes mais neste país do que noutros países”.

Desta série aqui vos envio o primeiro texto com   excertos das informações de agências de informação italianas intitulado   A indignação das agências de informação

Boa leitura

 

Júlio Marques Mota

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I – A INDIGNAÇÃO DAS AGÊNCIAS DE INFORMAÇÃO  ITALIANAS

 

Da Agencia Blasting News Italia

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

 

Na segunda-feira, 16 de Março, foi agendada uma reunião do Eurogrupo, com a votação da reforma do MEE, o Mecanismo Europeu de Estabilidade, um fundo financeiro europeu destinado à estabilidade financeira da zona  euro, também conhecido como fundo de resgate de Estados membros, no topo da agenda. Os Ministros das Finanças da UE terão de decidir por unanimidade se aprovam o  novo MEE, e depois passar a decisão final aos representantes dos diferentes governos. Uma escolha, a de cronometrar a votação sobre o MEE, dando-lhe  prioridade até mesmo sobre a  emergência do Coronavírus, o que está a causar inúmeras reações políticas negativas em Itália.

Di Battista, Meloni, Salvini, Tajani e Fusaro, pedem pelo menos o adiamento da votação .

Fusaro:

“A situação de emergência é ideal para aprovar  em silêncio o MEE  – escreve ele num dos seus últimos posts publicados – se aprovado,  é a prova definitiva (a) de que o estado de emergência foi utilizado  para contornar a democracia, (b) de que a UE é um projeto criminoso que mata pessoas e trabalhadores”.

 

DE ANSA

Redazione ANSAROMA

10 marzo 202010:52NEWS

Absurdo: primeiro a aprovação do MEE, depois o backstop para proteger os grandes bancos e finalmente, se ainda houver tempo, a emergência do coronavírus. Esta é a agenda do Eurogrupo a ser realizada na segunda-feira. Só para deixar claro para todos qual é a ordem de prioridade das coisas. Isto não é aceitável. A Itália deve fazer apenas um pedido: a eliminação da discussão sobre o Mes e a inclusão, como único ponto possível, da emergência do coronavírus”. Assim, Alessandro Di Battista num texto  co-assinado com Barbara Lezzi e Ignazio Corrao:

“O Eurogrupo tem o dever de discutir e tomar decisões sobre a ajuda necessária ao nosso país e ao resto da Europa neste momento de emergência. Tem o dever de fortalecer os sistemas de saúde, apoiar investimentos públicos e privados e introduzir sistemas de compensação para empresas forçadas a fechar ou que perderam partes significativas das receitas devido ao coronavírus. As emergências são rápidas, não podem esperam por procedimentos europeus burocráticos e lentos.  É tempo de adaptar a ação da Europa às exigências dos cidadãos europeus”, escreve o ex-deputado do M5S, juntamente com o senador e deputado europeu. “A agenda do Eurogrupo para o próximo 16 de março de 2020 deve ser considerada escandalosa pela Itália. A única resposta possível é, portanto, uma rejeição ainda mais rígida e radical (que já tinha de ser feita independentemente do momento) do tratado por parte do nosso Estado, que é o terceiro “acionista-contribuinte” (17,9% equivalente a cerca de 16,3 mil milhões de euros) de um fundo ao qual só poderia aceder em determinadas e onerosas condições”, continuam os três representantes do M5S, que concluem: sem uma intervenção “é evidente que caberá ao Parlamento italiano pôr fim a este debate, não aprovando a ratificação”.

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