AVALIAÇÃO EDUCACIONAL – BLOG DO FREITAS – A MENSAGEM DO VÍRUS – por LUIZ CARLOS DE FREITAS

OBRIGADO A LUIZ CARLOS DE FREITAS, AVALIAÇÃO EDUCACIONAL-BLOG DO FREITAS E CAMILO JOSEPH

 

A mensagem do vírus, por Luís Carlos de Freitas

Avaliação Educacional – Blog do Freitas

Selecção de Camilo Joseph

A saga dos séculos 19 e 20 foi construir uma série de válvulas de segurança que permitisse ao capitalismo empurrar para frente as contradições estruturais que, como já indicaram vários autores (Wallerstein, Harvey, Meszaros e outros) fazem parte da sua formação social.

Ao final do século 20 estas válvulas já mostravam-se incapazes de continuar a gerenciar os efeitos destas contradições e se agravaram mais ainda sob a hegemonia neoliberal. Em 2008, vivenciamos a grande crise do século com a quebra da economia virtual. Em 2020 estamos vivenciando a quebra da economia real. Juntas elas mostram que sem o Estado o próprio capitalismo patina – seja em termos de economia virtual, seja real. Nem por isto devemos esperar que, passada a tormenta, neoliberais e libertarianos revejam suas posições. Passado o pior, insistirão em que tal envolvimento do Estado deve ser apenas  temporário e argumentarão pelo retorno às teses da austeridade e do Estado mínimo até a próxima explosão da crise latente, prosseguindo na laboriosa tarefa de que os trabalhadores paguem pelas crises de uma forma ou outra.

O capitalismo se debate na tentativa de encontrar uma saída para si. Não há, pois o desdobramento deste conjunto de contradições nos conduzirá – com ou sem uma “revolução social” – a outro modo de vida, que poderá ser melhor ou pior que o atual (Wallerstein). Corremos o risco do sistema implodir sob o peso de suas próprias contradições e não podemos nos dar ao luxo de esperar.

Enquanto isso não ocorre, o radicalismo reacionário tende a ganhar força como forma de encontrar uma solução baseada em lançar ao mar os abandonados pelo Estado, vítimas  do próprio sistema. O mecanismo para justificar o processo é, como já se  vê em vários países, a responsabilização pessoal que desonera a responsabilização do Estado e amortece os pudores do coletivo.

Um dos equívocos do espectro de forças de direita é achar que se eliminar os “esquerdistas” o futuro do capitalismo está assegurado. Os “esquerdistas” são apenas um reflexo das contradições. Outro equívoco frequente, desta vez em alguns núcleos à esquerda, é achar que o futuro está garantido pelo desenvolvimento das forças produtivas que gradativamente substituirá o atual modelo.

A crise estrutural avança independentemente do que pensemos. É importante atentarmos para isto porque aumenta nossa responsabilidade sobre qual ordem social deverá emergir no pós-capitalismo. Deixada ao acaso das forças de direita, ela poderá ser pior do que a atual. A direita está construindo as bases de sua alternativa agora, sob a batuta das forças liberais mais radicais: o neoliberalismo e o libertarianismo.

Dito de outra forma, o esgotamento e substituição do capitalismo é fato que teremos de enfrentar, se queremos uma ordem social mais democrática e igualitária. Temos que garantir a sua construção através da organização de um grande movimento social em escala mundial que lute por ela (Wallerstein). Temos que ter consciência de que o sistema capitalista está vivendo seu limite operacional (Kurz, Chesnais, Wallerstein). Em vários aspectos (especialmente quanto ao meio ambiente) este limite já foi atingido. E no decorrer deste processo, poderemos caminhar tanto em direção à barbárie como em direção a uma civilização de ordem superior. Esta é a saga do século 21.

Esta é a mensagem básica do vírus: o atual modo de vida predatório está esgotado.

 

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A mensagem do vírus

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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