CTA – “OS DIRECTORES”, de DANIEL BESSE, com encenação de JOAQUIM BENITE, de 3 (às 21 horas) a 9 de ABRIL ONLINE ~ www.ctalmada.pt

Marques D’Arede, Morais e Castro e Carlos Vieira de Almeida em Os directores, de Daniel Besse, com encenação de Joaquim Benite

 

Os directores na Sala Virtual do TMJB

 

 

A Companhia de Teatro de Almada apresenta na Sala Virtual do TMJB, ou seja, em www.ctalmada.pt , dia 3 de Abril, às 21h, uma criação de 2002 intitulada Os directores, do autor francês Daniel Besse, vencedor do Prémio Molière 2001 nas categorias de “Melhor Texto Francófono” e “Melhor Criação”. O espectáculo contou com a encenação de Joaquim Benite e com a interpretação de André Gomes, Carlos Vieira de Almeida, Francisco Costa, Joana Fartaria, Maria Frade, Marques D’ Arede, Morais e Castro e André Calado. O espectáculo fica depois disponível para visualização até dia 9 de Abril.

 

A empresa, lugar de teatro

Até agora Vinaver era o único autor francês (ou quase) a inscrever no teatro a maldade económica e social da empresa. O que não deixa de ser surpreendente. Visto que a empresa é um extraordinário caldo de cultura em que fermentam as paixões humanas. O cinema, de resto, compreendeu-o. Mas o teatro, particularmente entre nós, tem-se mostrado tão atento à evolução das psicologias como lento a adaptar-se à evolução das culturas. É ver como ele continua a mostrar-se alheio a aspectos da civilização contemporânea que, no entanto, governam doravante a nossa vida: a ciência, a tecnologia, a finança, etc.

A empresa onde, no entanto, a maior parte de nós passa o essencial da sua existência, é desses universos em que o teatro não penetra e onde, justamente, a vida é caracterizada por uma grande força teatral. O teatro não abordou nunca a empresa a não ser com fins ideológicos, com Brecht, que tratou o tema genialmente mas que, neste plano, não fez escola.

Mesmo o teatro anglo-saxão, normalmente sempre mais contemporâneo que o francês, continua bastante indiferente a este universo, e David Mamet figura no reportório americano como uma destas raras excepções, comparável ao que Vinaver representa no teatro francês.

Deve-se, assim, saudar, com surpresa e com prazer, a chegada à cena desta muito divertida comédia de costumes de Daniel Besse, em que se casam, de uma forma muito feliz, a sátira e o realismo psicológico.

Os Directores não renova um género, inaugura-o. Um género? Não, mais rigorosamente, um cenário. Porque nada é inédito nos motivos que animam os protagonistas da peça: ambição, desejo, ódio, crueldade.

As questões em causa são da mesma natureza intangível que aquelas que desde sempre opuseram os actores da comédia humana em volta da luta pelo poder. E Daniel Besse bate certo e bate novo: a empresa é, hoje, o campo de batalha onde se exercem de uma maneira mais teatral as relações de dominação e alienação social.

A empresa é o mundo cerrado onde se representarão, no futuro, as guerras de ontem e os dramas humanos mais atrozes.

 

(Philippe Tesson in Textos d’Almada Nº16 -Setembro de 2002)

 

 

Ficha artística:

 

 

Os directores, de Daniel Besse

 

Encenação de Joaquim Benite

Tradução de Helena Barbas

 

Interpretação de André Gomes, Carlos Vieira de Almeida, Francisco Costa, Joana Fartaria, Maria Frade, Marques D’Arede, Morais e Castro, e André Calado; Assistência de encenação de Teresa Gafeira e Vítor Gonçalves

 

Cenografia e figurinos de Eva Iszoro Zak e Malgorzata Zak

Luz de José  Carlos Nascimento.

(de 3 a 9 de Abril em www.ctalmada.pt )

 

 

 

 

Miguel Martins

Comunicação

 

 

 

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