CARTA DE BRAGA – “de Thomas Mann, impostos e estupidez” por António Oliveira

Apetece, nestes tempos de quarentenas confinadas, mas não confitadas, reler e relembrar alguns autores que, andaram por temas afins ou parecidos, cujas obras são óptimas para refrescar neurónios.

A morte em Veneza’ de Thomas Mann, também decorre numa cidade isolada, gente encerrada por causa de uma praga, que nada nem ninguém entende, com os media a contar de maneiras distintas, de acordo com o campo a que pertencem e com as ruas a ficar desertas, rodeadas de morte.

Lá, como agora, é uma crise em que prevalecem os interesses das minorias dominantes que, não são apenas contrários, mas também prejudiciais para a maioria.

É um mundo carente de anticorpos sociais, mais favorável a exponenciar o mal que a fomentar e defender a vida.

É num mundo assim que assistimos à recusa da Holanda em mutualizar a dívida europeia, mas sem deixar de ser um paraíso fiscal. Tira enormes benefícios da livre circulação de capitais, mas não quer compensar quem a sofre.

(Este um dos sites onde pode comprovar o que se diz atrás, mas aqui só a envolver empresas portuguesas. Existem na net, ainda mais sites sobre este tema!

https://www.dinheirovivo.pt/economia/multinacionais-portuguesas-deslocaram-mais-de-2-mil-milhoes-de-lucros-para-a-holanda/)

Também ainda não acabaram os terríveis efeitos da crise de 2008, as dramáticas consequências sofridas pelos menos favorecidos, às mãos de uma direita cega a surda, em perfeita consonância com as elites económicas e financeiras.

Não vimos até hoje, nenhuma instituição internacional, lutar por uma reforma racional e honesta do sistema financeiro, dos paraísos fiscais e mesmo daquelas entidades que se divertem a classificar riscos.

Ninguém se preocupou em promover uma harmonização fiscal, a reforma que diminuísse o poder dos bancos, embora se compreenda a enorme complexidade institucional, legal e política que tais reformas exigiriam. Mas nada se fez e de nada se ouviu falar!

Os salários de fome, a pobreza, as famílias a dependerem das parcas reformas dos seus mais velhos e, no meio disto tudo, uma sentença que teria saído da boca de Christine Lagarde, então a ‘dona’ do FMI, ‘Há que baixar as pensões, pelo risco de a gente poder viver mais do que o esperado’, (Cândido Millán, ‘Nueva Tribuna’, 05.04).

Por outro lado, trump, mais do que um ignorante, é um despreocupado com as coisas da verdade, inquieto apenas por ser o que grita mais alto a um mundo que ele nem quer saber se o escuta, por se sentir capaz de reinterpretar a história toda a seu modo e, os resultados estão à vista de toda a gente.

Não tarda (espero!) que alguém lhe diga o que Churchill disse um dia a um deputado mal-educado, ‘Todos ouvem Sua Senhoria, mas já ninguém o escuta’.

O problema está só em que mais trumps, cópias baratas e ordinárias do já fracote original, se vão espalhando por este pequeno mundo, agitando bandeiras das fantasias populistas do passado.

Flaubert, deixou uma espécie de retrato desta gente, ao escrever ‘Ser estúpido, egoísta e ter boa saúde, eis as condições ideais para se ser feliz. Mas se a primeira vos falta, tudo está perdido’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

 

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