CARTA DE BRAGA – “da cerveja e da liberdade” por António Oliveira

Para um dia bem próximo, nosso também!

Há talvez um ano, li no ‘Xilre’, um dos blogs que frequento, o que foi apresentado como sendo um antigo provérbio judio, afirmando-o já anteriormente escrito em sumério, para reforçar e dar a ideia da sua antiguidade ‘A cerveja é boa! O que está errado é o caminho!

Tenho amigos que não se importariam de ter tal provérbio como lei, variando apenas no tipo de bebida, por não serem adeptos desse acompanhamento, elegendo outros tipos de ‘companhia’ para a boa disposição.

E sei de um outro provérbio, mas africano, divulgado em todo o continente, a garantir ‘se queres chegar depressa vai sozinho; se queres chegar longe, vai acompanhado’.

Talvez seja esta a melhor definição de inteligência, ou como ultrapassar automatismos e rotinas, ser flexível e assumir o ambiente, para improvisar decisões.

Nesta frase bem simples, está todo um programa de novas atitudes a tomar perante o que nos rodeia, para se poderem ultrapassar os dramas maiores deste século, o ‘corona’, a solidão e mesmo a degradação do clima.

Na realidade, o que está a acontecer neste pedaço do universo, não passa do somatório de percepções individuais, nascidas no cérebro a partir de uma base genética, mais todas as experiências passadas, os sonhos e expectativas para o futuro, até incluindo o covid.

E lemos no ‘DN’ não há muito tempo, mais uma das grosseiras patetices do trump sobre turbinas eólicas ‘O seu fabrico tem efeitos tremendos. Lançam gases na atmosfera. É uma tremenda quantidade de fumo e muito mais que lançam para o ar. Falam muito da pegada de carbono, mas os fumos estão a ser atirados no ar, certo?

Aliás o professor Viriato Soromenho Marques também tinha avisado antes e no mesmo jornal, ‘A combinação entre leviandade ética e ignorância voluntária, resulta num veneno letal chamado estupidez. Infelizmente, Trump, Bolsonaro e Putin não foram os únicos a beber desse cálice’.

Mas são três exemplos quase perfeitos dos populistas que nos atravancam um progresso consciente, por funcionarem numa mobilização popular permanente, renunciarem ao uso da verdade para nos encharcarem, via twitter e outros suportes digitais, com fantasias ideológicas em discursos curtos e vazios, além de ocuparem todos os espaços avisando para um inimigo imaginário, culpado de todas as desgraças.

Os exemplos são muito e gritantes, mas aqueles três pindéricos servem de guias, por serem os que ‘gritm’ mais e mais eco têm.

No fundo, está apenas uma questão de responsabilidade, ‘entre o apelo a uma ética global e o diagnóstico da irresponsabilidade organizada, resultante da dinâmica dos processos sistémicos e da cegueira frente às consequências gerais do seu modo de actuar’.

A afirmação é do professor Daniel Innerarity já aqui citado muitas mais vezes, ao alertar também para a necessidade de alargar o conceito de responsabilidade em relação ao futuro, pois a ideia de responsabilidade está normalmente ligada ao passado, impondo-se pois a reforma da sua base temporal e normativa.

Não sou perito em leis, mas não esqueço o bom senso das palavras de António Guterres, Secretário-Geral da ONU, na Cimeira sobre o clima ‘Se não mudarmos a nossa vida, podemos já não ter vida para mudar. Só um punhado de fanáticos nega a evidência

É imperioso e necessário procurar novas companhias para se chegar longe pois, lembremos Albert Camus, por ter deixado escrito ‘Se o homem fracassa em conciliar a justiça e a liberdade, fracassa em tudo’.

E a continuar assim…

…também pode continuar a perder-se na internet!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 
 
 

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