FRATERNIZAR – Ainda o assassinato de George Floyd – O DEMÓNIO RACISMO SAI COM O VANDALISMO? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

George Floyd é uma das vítimas mortais mais mediatizadas da violência e do vandalismo da Polícia dos EUA. Impossível não associá-lo de imediato ao assassinato de Martin Luther King, mas apenas no que respeita a mediatização. Porque no ser-viver histórico de cada um são praticamente opostos. Surpreendentemente, são muitas as manifestações de solidariedade e de protesto em múltiplas cidades da América e do Mundo, Portugal incluído. Infelizmente, quase todas têm acabado em actos de violência e de vandalismo destruidor, como se o demónio Racismo alguma vez pudesse ser expulso da mente das pessoas e das sociedades por esse meio. Não pode. Enveredar por aí, é fazer o jogo dele, quando mais parece que o combatemos. E lá acabamos muito semelhantes ao polícia branco norte-americano que, com ar de herói, joelho sobre a garganta da vítima, não o deixa respirar, apesar dos seus cada vez mais ténues gemidos, ‘Por favor, não consigo respirar’. Porque o objectivo dele é mesmo matá-lo. A frio!

O crime é hediondo, como hediondo é o Racismo e todos os demais ismos, cristianismos incluídos. Não tivesse sido registado discretamente em vídeo por alguém munido de um telemóvel e nem teria sido notícia. Alegro-me pelo registo e pela sua divulgação. Mas dói-me constatar que, sob a capa da solidariedade e do protesto, as manifestações redundem em violência e em actos de vandalismo, protagonizados por gente possessa do mesmo demónio que diz querer combater e expulsar. Não é o amor que as move, sim o ódio. Com a agravante de que, divulgadas depois pelos grandes media a toda a hora e até à exaustão, acabam por suscitar ainda mais ódio e justificar ainda mais a violência policial e dos chefes-mor de cada estado, muitos deles politicamente loucos, como Trump, e racistas quase todos. É o que nos dizem as suas práticas quotidianas, ainda que nem sempre os seus discursos oficiais.

De Luther King, afro-americano como George Floyd, mas pastor de igreja, e de Nelson Mandela, África do Sul, aprendemos que só a violência da Ternura é a fecunda postura política capaz de mudar este nosso mundo. Se não produz muitos frutos, é apenas por falta de praticantes consequentes. Perante as provocações cada vez mais agressivas dos agentes dos Institucionais do Poder, jamais havemos de mudar de postura política. Damos sempre a outra face, como faz e diz Jesus histórico, o filho de Maria. E dar a outra face, ao contrário do que nos têm dito, significa levar ao extremo a violência da Ternura que é olhar ininterruptamente nos olhos os agressores institucionais. Até eles se sentirem nus, por mais armados que se nos apresentem com coletes e capacetes à prova de bala.

Sabemos, com dor, que poucos têm sido, em todos estes milénios que já levamos de homo sapiens-demens, os praticantes desta violência da ternura. Reiteradamente provocados pelos agressores institucionais que evitam olhar-nos nos olhos, são muito poucos os que resistem a recorrer às pedras, aos insultos, à destruição em massa. E quando assim é, acabamos iguais a eles. Melhor seria então que jamais corrêssemos às praças a manifestar-nos. Porque desse modo não fazemos sair da mente dos agentes do Poder institucional nem das nossas próprias mentes de manifestantes, o demónio Racismo. Criação, como todos os ismos, do homo sapiens-demens, que tem nos agentes históricos do Poder nos três poderes os principais cultores, adoradores, difusores. Pelo que a chamada História mais não é do que pré-história, gerida por este demónio. Hoje, mais do que ontem. Aqui nos trouxeram as doutrinas teológicas da primazia do ‘povo eleito’, do ‘homem branco’, do ‘homem negro’.

Um Novo Começo, exclusivamente Humano, como pratica e quer Jesus histórico, é a porta estreita por onde temos de entrar, se queremos garantir Amanhã ao nosso Hoje. Sem necessidade de destruirmos o que está aí plantado e edificado pelo homo sapiens-demens. Essa destruição, para não ser mais do mesmo, há-de acontecer por implosão, à medida que, como povos, crescemos progressivamente de dentro para fora em Humano. Numa Terra alicerçada e edificada na Horizontalidade dos vasos comunicantes, nunca na Verticalidade do Poder, de sua natureza, piramidal e hierárquico, uns poucos ao (des)comando e todos os mais seus escravos! De luxo, uma minoria. De lixo, a maioria.

 

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