FRATERNIZAR – DO QUE TEM MAIS MEDO O CORONAVÍRUS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

Do que tem mais medo o coronavírus é de seres humanos e povos cultos e sábios. Pela simples razão de que entre seres humanos e povos cultos e sábios nem ele nem quaisquer outros vírus inimigos da nossa saúde integral têm oportunidade de entrar, nem sequer de surgir. Fossem assim, neste início do terceiro milénio, os seres humanos e os povos e já nem sequer haveria os hospitais e as indústrias farmacêuticas que hoje há. Para cúmulo, com tendência a crescerem mais e mais. Tanto que hoje já somos concebidos doentes, nascemos-crescemos doentes e morremos de doença.

A Cultura e a Sabedoria são o Pão que alimenta os seres humanos e os povos cultos e sábios, por isso, cheios de vida de qualidade e em abundância. Entre os quais não há lugar para doenças incuráveis e onde nascer de mulher e morrer como fruto maduro em suas próprias casas é a regra. Aliás, num mundo de seres humanos e povos cultos e sábios nem sequer existem hospitais. Só casas concebidas e construídas na horizontal, cercadas de um pedaço de chão onde crescerão hortas e árvores de fruto que garantem a cesta básica de alimentos fundamentais para mentes sãs que tais são as mentes dos seres humanos e povos cultos e sábios.

Não é utopia o que acabo de escrever. É o que este início do terceiro milénio já deveria ser em toda a terra. Pois para isso acontecemos no decurso da Evolução. Não! Não acontecemos para sermos carne-para-canhão, nem para sermos escravos. Acontecemos para sermos cultos e sábios, porque seres humanos e povos Consciência. A crescer progressivamente de dentro para fora, sempre na dimensão da horizontalidade e ligados uns aos outros como os vasos comunicantes. Se as coisas hoje não são efectivamente assim, é porque um estranho ou inimigo dos seres humanos e dos povos que somos e até da própria Evolução se introduziu no nosso processo de crescimento.

É fundamental então que, neste início do terceiro milénio, concentremos o máximo das nossas capacidades a identificar que estranho ou inimigo é esse que nos está a matar lentamente e a conduzir-nos para o abismo. E não o procuremos fora de nós, mas dentro de nós. Porque, ao acontecermos no decurso da Evolução, acontecemos como os mais frágeis dos seres vivos Consciência, dotados de capacidades para crescermos progressivamente de dentro para fora como seres humanos e povos cultos e sábios. O que só é possível – não me cansarei de o dizer – se vivermos fiéis à dimensão da horizontalidade e ligados uns aos outros como os vasos comunicantes.

O estranho ou inimigo só pode ter nascido do medo que sentimos, quando nos auto-percebemos os mais frágeis dos seres vivos, convocados a um viver histórico na dimensão da horizontalidade, ligados uns aos outros como os vasos comunicantes. Porque as capacidades com que acontecemos na história só nessa nesta dimensão e nesta ligação crescem progressivamente de dentro para fora até acabarmos seres humanos e povos cultos e sábios. O medo, porém, fez-nos e faz-nos fugir desta dimensão da horizontalidade e correr, como dementes, para a da verticalidade. A partir de então, crescemos em demência e em solidão, totalmente controlados pelo estranho ou inimigo criado-projectado pela nossa demência fora e acima de nós.

Cabe-nos, pois, a todas, todos nós, em especial aos já nascidos neste milénio, regressar à nossa originária condição de fragilidade-Consciência. Com viva emoção e muita alegria. Porque ela é a nossa mais-valia humana em todo o Cosmos. Por outras palavras, urge nascermos de novo, expulsarmos das nossas mentes o estranho ou inimigo, regressarmos à nossa matriz original, a da horizontalidade e da ligação uns aos outros como os vasos comunicantes e mantermo-nos nela vida fora. Cresceremos então como seres humanos e povos cultos e sábios e daremos corpo a um mundo organizado na horizontalidade e na ligação uns aos outros, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas reais necessidades. Um mundo fundado na Verdade praticada e vivido na corresponsabilidade, a mãe da Liberdade. E não há coronavírus que consiga entrar em nós. Nem o da Covid-19, nem nenhum outro. Gerados todos eles pelo estranho ou inimigo que mais não é do que o poder religioso ou divino, político e económico-financeiro, com todo o seu arsenal de bem-fazer ou de solidariedade social, apresentado como o Bem estrutural, quando na realidade é o Mal estrutural mascarado de bem.

É por algumas, alguns de nós termos consciência de que é pela Cultura que somos e vamos, não pela Religião nem pela Solidariedade Social, que aqui nesta aldeia onde vivo por opção, decidimos um dia fundar a ACR As Formigas de Macieira com o propósito de erguermos e mantermos em crescente actividade um Barracão de Cultura, uma realidade já com alguns anos. Sem que o pai de todos os males que é o Poder religioso ou divino, político e económico-financeiro, lá entre. Apenas seres humanos com fome do Pão da Cultura, da Beleza e da Sabedoria. O que faz dele um Sinal de Contradição que põe a nu os pensamentos escondidos de muitas, muitos. Felizes, pois, quantas, quantos já o frequentam e se fazem seus associados. São de dia para dia cada vez mais cultos, sábios e saudáveis.

 

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