FRATERNIZAR – A propósito do meu novo Livro – PORQUÊ DA CIÊNCIA À SABEDORIA? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Este é o milénio da Ciência. Se não for simultaneamente o milénio da Sabedoria, e da Sabedoria ao comando do mundo, a vida na Terra e da própria Terra, organismo vivo, está aceleradamente em risco. Cabe-nos, seres humanos que constituímos a Terra-Consciência, a responsabilidade de decidir se queremos vida de qualidade e abundância para todas, todos nós e todos os demais seres vivos, ou se queremos prosseguir neste tipo de mundo do Poder, determinado a matar, com o apoio da Ciência e dos cientistas, elas e eles, todo o ser-que-respira.

Eu sei que a alternativa a este tipo de mundo do Poder não pode dispensar a Ciência nem os cientistas, elas e eles. Mas também sei que uma e outros têm de ter a humildade de reconhecer que o comando do mundo cabe exclusivamente à Sabedoria. A Ciência, hoje indispensável, tanto dá para destruir a vida e a Terra, organismo vivo, como dá para a garantir com qualidade e abundância. De modo que nenhum ser humano, nenhum povo, nenhum ser vivo que respira seja privado dela. Mas só a Sabedoria ao leme dá à Ciência e aos cientistas, elas e eles, esta fecunda capacidade ética que a/os enobrece.

Se verdadeiramente queremos um tipo de mundo alternativo ao do Poder que, para mal de todas as gerações que nos precederam, sempre tem vigorado no Planeta, desde os primórdios do chamado homo sapiens, também temos de querer-e-exigir que, neste milénio, a Sabedoria esteja ao seu comando, com a Ciência e os cientistas, elas e eles, ao seu serviço. A partir de então, desenvolve-se um outro tipo de Sopro, ou Respirar, intrinsecamente fecundo, que até hoje nunca chegou a estar ao comando do mundo, porque sempre que ele inopinadamente se desenvolve em algum nascido de mulher é de imediato assassinado pelo sopro do Poder. De modo violento e cruento, nos milénios anteriores, e de modo igualmente violento mas incruento, mais recentemente.

Importa termos consciência de que quando cada uma, cada um de nós acontece na História, apresenta-se ainda ligado à mulher-mãe que nos dá à luz e ao mundo, através do chamado cordão umbilical. No momento em que o cordão é cortado e cada recém-nascido fica entregue e si próprio, eis que misteriosamente rebenta de dentro para fora dele um Sopro/Respirar totalmente outro, gratuito e feminino, exactamente, o Sopro da Sabedoria, comum a todas, todos nós, ao nascer.

O sopro do Poder, porém, intrinsecamente macho, mai-lo seu tipo de mundo super-organizado, fazem tudo por tudo para se apoderarem de imediato da mente cordial de cada uma, cada um de nós, e matá-la, como paradigmaticamente se diz do rei Herodes em relação a Jesus histórico. Na narrativa político-teológica do Evangelho de Mateus, Herodes representa todos e cada um dos agentes do Poder no mundo. Aos que não consegue matar ao nascer, mata-os depois, ao fazê-los crescer em idade, estatura e saber, em vez de em idade, estatura, Sabedoria e Graça ou entrega de cada uma, cada um de nós aos demais, como Jesus histórico paradigmaticamente cresce.

E como os mata? Através, sobretudo, da chamada educação, entendida por ele e todas as cúpulas dos diferentes Poderes, não ao modo da parteira que faz sair de dentro para fora a nossa matriz original em contínuo crescimento, mas ao modo bancário, que deposita de fora para dentro nas mentes das minorias enxurradas de conhecimento. Bem se pode, pois, dizer que infantários, escolas, universidades públicas e privadas, religiões-igrejas e a generalidade das famílias cometem verdadeiros massacres mascarados de educação, entendida como acumulação de conhecimentos, com os quais os seus portadores matam tudo o que promova um tipo de mundo alternativo ao do Poder.

Felizmente, não é por estas envenenadas águas do Poder que navega este meu Livro, ‘Da Ciência à Sabedoria. Em tempos de pandemia Covid-19’, Seda Publicações. Bem pelo contrário. Cabe, por isso, à geração terceiro milénio acolhê-lo, escutá-lo, mastigá-lo, digeri-lo, respirá-lo, praticá-lo. A princípio, estranha-se, depois entranha-se. O Sopro feminino que o atravessa de uma ponta à outra é o único que faz nascer-crescer um tipo de mundo de seres humanos e povos conscientes da sua fragilidade, por isso, ininterruptamente ligados uns aos outros, ao modo dos vasos comunicantes, De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas reais necessidades. Num Hoje sem ocaso e sempre em expansão.

Corram, pois, por ele. Em suporte papel ou digital. Em papel, eu próprio disponho de exemplares (14€+2€ de despesas de envio) que enviarei, autografado, a quem mo solicitar. Em digital (9€), só mesmo a Editora o pode fazer, através do site, Gugol.pt / Seda Publicações. Os meus direitos de Autor são integralmente para o BC-Barracão de Cultura, de As Formigas de Macieira, uma Associação Cultural sem fins lucrativos.

www.jornalfraternizar.pt

 

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1 Comment

  1. O problema é haver quem tenha a Sabedoria e a havê-lo quem saiba reconhecê-lo, logo, consequentemente, elegê-lo. O Senhor com o seu livro aponta um caminho. Eu publiquei outro, bem menos ambicioso mas que, penso eu, podia servir como resposta preliminar para haver uma Democracia em que quaisquer propostas duma Cidadã ou dum Cidadão – o Senhor está a fazer uma – tenha necessariamente uma Instituição da República para recebê-la e permitir-lha poder vingar. CLV

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