FRATERNIZAR – Nobel 2020 para Programa Mundial da ONU A PAZ NASCE DA AJUDA ALIMENTAR OU DA ERRADICAÇÃO DAS CAUSAS DA POBREZA E DAS GUERRAS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Ao atribuir o Nobel da Paz ao Programa Alimentar Mundial contra a Fome, especialmente, naquelas regiões do mundo mergulhadas em guerras sem fim, o grande Capital que está por trás da Academia sueca sabe bem o que faz. O chorudo cheque que na hora da consagração é entregue ao(s) laureado(s) não engana. O grande Mercado, primeiro, produz a pobreza estrutural, os pobres aos milhões e as guerras, e cria depois programas alimentares mundiais contra a fome e em prol das vítimas das guerras. A começar na ONU e depois em muitos dos seus Estados membros, Estado português incluído.

É da natureza do grande Capital ser assim, Faz o mal e a caramunha. São crimes estruturais que as minorias ilustradas e privilegiadas que se têm e são tidas como guias das populações aplaudem, porque sempre fomos levados a confundir Fazer-o-Bem com grandes acções de bem-fazer. Quando o bem-fazer só é legítimo, em situações de emergência e limitadas no tempo. Nunca institucionalizadas, como sempre se tem feito.

Postos perante estes factos, de sua natureza escabrosos, deveríamos vomitar de nojo. Seria uma reacção saudável. E só não acontece porque o grande Capital é um monstro super-organizado e com os cérebros mais cotados por universidades de renome ao seu serviço. Mai-los Estados das nações, seus Governos, Parlamentos, exércitos, religiões, igrejas, grandes media e outros institucionais menores do Poder. Trabalham todos para ele, tenham ou não consciência disso. A todos ele compensa, à custa da desenfreada exploração das populações, cada vez mais excluídas das decisões e, até, cada vez mais excedentárias. Hoje, carne para canhão da Covid-19.

A própria ONU mais não é do que a maior organização mundial dos Estados das nações. Não é a ONU dos povos das nações. Os povos nunca são tidos nem achados. No limite, recebem enxurradas de informação, completamente envenenada, destinada a anestesiá-los e a distraí-los do essencial. Deveríamos ser populações organizadas e politicamente activas, mas, de tão anestesiadas e entretidas com futilidades, teimamos em viver do nascer ao morrer, reconhecidas às minorias, por elas assumirem esse papel em nosso nome. E até lhes damos o nosso voto. Sem percebermos que todas elas, da Esquerda ou da Direita, são farinha do mesmo saco. É assim em todo o mundo, também aqui neste Estado português à beira-mar plantado.

Neste contexto, o meu novo Livro, ‘Da Ciência à Sabedoria. Em tempos de pandemia Covid-19‘, Seda publicações, apresenta-se-nos grávido de Luz. Abre-nos caminhos ainda não andados pela generalidade dos seres humanos e dos povos da Terra. Não nos dá receitas, tipo pronto-a-vestir. Fala-nos, sim, da Geração Terceiro Milénio, não a do Calendário do grande Capital – seria mais do mesmo – mas a Geração Terceiro Milénio do primado do Ser sobre o Ter que tem em Jesus histórico, ou Jesus Nazaré, o seu alfa e o ómega. Por isso, ou nascemos do Sopro-Ruah que ele nos dá e ao mundo, ao expirar, em abril do ano 30, na cruz do império romano, e, como ele, recusamos servir o grande Capital, ou prosseguiremos de pandemia em pandemia até à pandemia final.

É tudo uma questão de Sabedoria. Por outras palavras, é tudo uma questão de crescermos de dentro para fora, religados uns aos outros e à Terra, sem nunca sairmos da Horizontalidade. Até dispensarmos todo o tipo de tutores, e assumirmo-nos como sujeitos dos nossos destinos e dos destinos da Terra. O grande Capital aparecer-nos-á então como o grande Tentador ou Satanás, ao qual havemos de recusar liminarmente servir e adorar e dar-lhe as nossas filhas, os nossos filhos. Não há outro caminho para chegarmos à Paz, materializada na vida de qualidade e abundância para todos os povos. Numa Terra sem pobreza e sem pobres. Sem guerras. E uma ONU exclusivamente dos Povos das nações, nunca mais dos Estados, nem do seu grande Capital, o pai do Mal estrutural, homicida, genocida, ecocida.

 

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