No Documentário ‘Francesco’ divulgado este mês de outubro em Roma, Francisco volta a defender, mas agora como papa da igreja católica imperial, o que já como cardeal de Buenos Aires, Argentina, defendia, Que os Estados das nações devem reconhecer as uniões matrimoniais civis entre homossexuais. E avança uma justificação de todo inusitada, ao sublinhar que também os homossexuais são filhos de Deus.
Os grandes media fizeram manchetes com estas declarações do papa, a revelar quanto os assuntos eclesiásticos e religiosos são estranhos e esotéricos aos olhos e ouvidos, até dos seus profissionais mais credenciados deste início do terceiro milénio. E compreende-se. Cabe-lhes noticiar os acontecimentos da actualidade, não os da Idade Média. E tudo o que diz respeito aos milénios anteriores, com destaque para as religiões e igrejas, soa aos olhos e ouvidos dos profissionais dos grandes media deste início do terceiro milénio a coisas da Idade Media. Só isso explica as manchetes que fizeram com essas palavras do papa. Fossem profissionais minimamente preparados nessas temáticas religiosas e eclesiásticas dos milénios anteriores e teriam concluído, como eu, presbítero-jornalista, concluo, Que o papa Francisco fazia bem melhor se tivesse ficado calado.
Mas não. Francisco acha-se um papa de vanguarda e pela-se todo por o mostrar ao mundo. Sem perceber que as manchetes dos grandes media só o são, porque as posições dele, enquanto papa imperial de Roma, são hoje de todo estranhas e esotéricas. Por isso, sem qualquer impacto na actualidade. Meros tiros de pólvora seca que deixam os povos ainda mais sem rumo. São declarações sobre declarações, encíclicas atrás de encíclicas de um império religioso e eclesiástico que não existe mais, e que melhor fora nunca tivesse existido. Tamanho o mal que fez aos povos da Terra e à própria Terra.
Porém, para que os estragos do papa Francisco fossem ainda maiores, os bispos católicos portugueses, cujas mentes são Idade Média, vieram logo a terreiro com uma Nota à comunicação social, a pôr água na fervura, não fossem os seus súbditos católicos pensar que o papa Francisco estava a defender o sacramento do matrimónio católico entre homossexuais. Também aqui os bispos portugueses teriam feito bem melhor se estivessem calados. Não estiveram e com isso só revelam que continuam a ser bispos dos milénios anteriores, não deste terceiro milénio pós-religioso e pós-cristão. Sem perceberem, como o papa Francisco ainda não percebeu, que quanto mais se põem em bicos de pés, mais saem a perder. Continuam Idade Média, não integram aquele fermento na massa que o meu Livro ‘Da Ciência à Sabedoria. Em Tempos de Pandemia Covid-19’, Seda publicações, chama ‘Geração Terceiro Milénio’.
Deveriam perceber que são um estorvo na sociedade. Pior, figuras sinistras, estranhas, estéreis, a trabalhar para corromper as mentes das populações que, para seu mal, ainda lhes dão ouvidos. Mas só mesmo as mentes que ainda são dos milénios anteriores, durante os quais os bispos e demais clérigos foram reis e senhores, os maiores responsáveis pelo atrofiamento das mentes dos povos. Mentes povoadas de Medos e de Terrores do nascer ao morrer. Sem nunca crescerem de dentro para fora em liberdade, autonomia e protagonismo. Povos tolhidos e assustados, submissos e obedientes, de mão estendida, inclusive ainda hoje, mesmo que, entretanto, se pavoneiem por aí em carros de marca, conduzidos por mentes culturalmente tão vazias, que chegam a fazer chorar as pedras da calçada e o alcatrão das autoestradas por onde passam a alta velocidade. Para nenhures.
E porque pergunto, Não seria melhor o papa estar calado? É que com aquelas suas palavras, o papa Francisco veio revelar todo o seu jesuitismo, mascarado de franciscanismo – entre os dois venha o diabo e escolha – uma vez que espera que os Estados façam o que a sua igreja católica imperial jamais fez, jamais fará. Porque para ela, nem todos – mulheres e homens – são filhos de Deus, muito menos as mulheres com a sua fecunda intuição e festiva feminilidade. Para a sua igreja católica imperial, verdadeiros filhos de Deus, só mesmo os clérigos. Celibatários à força. Só cegas, cegos que teimam em não querer ver é que não vêem. Nem nunca verão!
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