The non-trivial risk of repeating Florida 2000 election showdown, por Edward Luce
Financial Times, 29 de Outubro de 2020
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Revisão de João Machado
A decisão polémica do Supremo Tribunal dos EUA que impediu a recontagem de uma urna parece preocupantemente relevante

Os democratas chamaram-lhe a “seleção” presidencial americana. No ano 2000, o Supremo Tribunal dos EUA declarou que a sua decisão a 5-4 de interromper a recontagem da Florida que entregou as eleições de 2000 a George W Bush – seria uma decisão única. Vinte anos mais tarde, parece ser um precedente preocupantemente relevante.
O risco de que nomeados por toda a vida de toga sejam quem vai resolver a eleição da próxima semana não é trivial nem provável. Está algures no meio.
O senso comum diz-nos que numa eleição travada entre Donald Trump e Joe Biden, o instinto do Supremo Tribunal seria de autopreservação. Numa contagem apertada numa mesa eleitoral onde Biden tenha ganho o voto popular, uma “seleção” diferente do tribunal poderia quebrar a sua legitimidade. O risco para a independência do tribunal se se definir a favor de Donald Trump seria elevado. A Casa Branca está disponível para ser alcançada de quatro em quatro anos, enquanto as nomeações para o Supremo Tribunal são para toda a vida.
Amy Coney Barrett, que foi confirmada esta semana, poderá ocupar a bancada durante décadas, o que significa que os conservadores poderão provavelmente contar com uma maioria judicial durante muitos mandatos presidenciais. Porquê apostar com ganhos tão grandes?
É por isso que a maioria dos constitucionalistas acreditam que o tribunal fará o seu melhor para evitar intervir nas eleições de 2020. Mas a sobrevivência não é o único instinto.
Um impulso importante seria evitar uma rutura constitucional. É possível que Biden vença a Florida na terça-feira à noite e acabe com toda a especulação. Se assim não for, as hipóteses de risco de batalhas judiciais sobre a contagem dos votos é elevada. O Supremo Tribunal decidiu sobre casos envolvendo quatro estados só no último mês. Em casos sobre a Carolina do Sul e Wisconsin, decidiu tornar a votação mais difícil. Embora tenha mantido a prorrogação de três dias da Pensilvânia para as votações postais, o tribunal deixou espaço para voltar à questão no próximo mês. Os juízes também deixaram ficar de pé o prolongamento da Carolina do Norte de nove dias para o envio de votos por correio.




