CARTA DE BRAGA -“o mamarracho e a infâmia” por António de Oliveira

Quero acreditar que o mundo vai finalmente desfazer-se do badalhoco mamarracho loiro, mas não parece ter-se desfeito da quantidade de gente insana que o apoiou e apoia, que o fez tomar as atitudes malsãs, com que tentou agarrar-se ao assento.

Não é bom para eles nem é bom para o mundo ocidental, onde as cópias, mesmo ordinárias, desbotadas e sem cabelo seguro com laca, continuam a encher páginas e páginas dos ‘manhas’ de todas as manhãs e de outras publicações.

Uns e outros vão tratar de empenar as engrenagens que fazem girar este mundo, levando muita gente a temer o aumento das crises, quer sejam provocadas pelas tais cópias, por bichos coronados ou pela vingança da natureza, perante os atentados que lhe fizemos e continuamos a fazer.

O exemplo foi dado na quarta feira, dia de Reis, com uma tentativa de golpe de mão (assalto ao Capitólio), comandado por fanático do trump, denominado Q-Shanam, disfarçado ou maquilhado de bisonte, em resposta aos apelos do mamarracho, repetidos a cada momento nos últimos anos!

E o resto da pandilha que tentou efectivar o golpe, mostrava bem as razões políticas de tal intento, a ver pelas imagens que a maioria dos órgãos de comunicação social distribuiu a seguir.

Foi o culminar de uma situação já denunciada por outra gente, como Christopher Clark, historiador e catedrático de História em Cambridge, ‘Estamos em crise, por termos deixado de acreditar no progresso e o futuro é uma tenebrosa alteração climática. A gente está já a preparar-se para a próxima recessão e o medo de perder o que tem, faz negra a ilusão do que poderia vir a alcançar’.

E Clark alerta para um enorme perigo ‘Se não conseguirem voltar a entusiasmar os europeus, os populistas vão ocupar o vazio dos seus passados gloriosos. Essa perda de memória explica o Brexit, trump, Orban…

Mas só vemos o estimular político para a economia estatuída, com os media a defender o mesmo modo de vida social, cultural e económica. Não se lobrigam quaisquer hipóteses, iniciativas ou propostas, para uma outra via de educação social e ambiental, afastada pelas digitalização, robótica e da propalada e milagrosa 5G.

Para o filósofo ecologista, Javier Romero ‘A democracia ecológica incorpora a comunicação e níveis bio e ecológicos, a pensar para além do humano, a economia ao serviço da natureza, a adaptação das instituições e a prioridade da ecologia’.

A situação é tao grave que, já em Setembro passado, a ONU divulgou um relatório onde acusava os líderes mundiais por não terem conseguido conter o colapso da biodiversidade, pois já se perderam 68% das espécies só desde 1970, estando ameaçados inúmeros ecossistemas, mesmo com objectivos planeados, mas nunca trabalhados nem cumpridos.

É esta a normalidade criticada por Robert Reich, secretário de estado do trabalho de Clinton, ‘A normalidade deu origem a um Trump e ao coronavírus. A normalidade significou quatro décadas de salários estagnados e um aumento da desigualdade, de tal forma que quase todos os ganhos económicos foram canalizados para o topo. A normalidade significou 40 anos de redes de apoio social rompidas e o mais caro e desadequado sistema de saúde do mundo moderno. A normalidade é a brutalidade policial. A normalidade é a mudança climática à beira da catástrofe’.

Opinião semelhante à do português Luís Filipe Sarmento, escritor, jornalista e tradutor, conforme entrevista à revista galega ‘Palavra comum’, onde afirma ‘A pandemia expôs a arrogância incompetente das lideranças mundiais, a sua hipocrisia e o seu desprezo pela vida humana’.

É e será notório, como os populistas do mundo perderam a sua luz-farol, porque a derrota do trump vai tornar mais fracos os lideres da direita, tanto da nova como da velha, seja qual for o continente.

A gestão errática e a gosto, por impulsos e tweets, do patético e esgrouviado mental louro, parece ter marcado também o princípio do ocaso imperial dos states, com novos centros de poder a aparecer, exigindo ser tratados como iguais.

Não posso deixar passar uma reflexão de Viriato Soromenho Marques no DN já no princípio de Outubro ‘Os EUA aparentam ser hoje uma democracia em decomposição, transmutada em plutocracia, e isso embacia qualquer visão lúcida do futuro. Em 1990 assistimos ao milagre da implosão pacífica do império soviético. Esperemos que um milagre ainda maior possa ocorrer para evitar a explosiva desintegração dos EUA. Caso contrário, não faltarão estilhaços cortantes a irromper em todas as direcções’.

E a pergunta que nos devemos fazer é se ele o mamarracho, chegará a entender que vai passar à história como um louco perdedor? Um outro actor, mas mais sério, Schwarzenegger, afirmou logo depois do que se passou no Capitólio, ‘Os nossos netos não esquecerão os seus nomes, por serem só uns miseráveis. Viverão na infâmia!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

Leave a Reply