FRATERNIZAR – Com a Covid-19 furiosamente ao ataque – SALVAR A ECONOMIA OU OS SERES HUMANOS E A TERRA? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

Nem mesmo em tempos de Pandemia Covid-19, estamos a ser capazes de perceber, de uma vez por todas, que ou pomos todos os seres humanos que estamos sempre a ver, e a Terra, nossa casa comum, antes de tudo o mais, inclusive antes de Deus que nunca ninguém viu, ou simplesmente perecemos. E a prova é que com a Pandemia Covid-19 a fazer das dela, os governos das nações mostram-se muito preocupados com salvar a economia. Uma preocupação que parece sensata, mas não é. Porque temos de perceber, antes de mais, que modelo de economia é que se pretende salvar.

Convém recordar que, de todos os modelos de Economia, só um é verdadeiro, aquele modelo de Economia que é plena e integralmente humano, ao modo dos vasos comunicantes. Ora, não é este modelo de Economia que impera nos Estados e respectivos Governos das nações do mundo. Pelo contrário. Pelos frutos que reiteradamente produz, temos de concluir que esse é um modelo de Economia que mata os seres humanos e os povos. Lentamente. Até o pão que nos permite pôr na mesa é mais ou menos envenenado. Cientificamente programado para nos fazer doentes, quando deveria ser sabiamente programado para nos tornar autónomos e condutores dos nossos próprios destinos e dos destinos da Terra. Querer salvar um modelo de Economia assim, mais não é do que aliar-se à Covid-19 e matar ainda mais pessoas, a pretexto de as salvarmos. E é destruir ainda mais o nosso habitat natural, a Terra.

Neste tipo de mundo do Poder como o nosso, a Economia dos respectivos governos das nações põe todo o seu engenho e arte – assassina arte, sublinhe-se – no produzir-acumular-concentrar riqueza em cada vez menos mãos. De modo que as maiorias vêem-se sistematicamente condenadas a ter de viver na História como eternas assalariadas e escravizadas. E, embora, ao crescermos, comecemos por estranhar um tipo de mundo assim, lá acabamos por o deixar entranhar-se em nós, na convicção de que ele faz parte da ordem natural das coisas. E acabamos a fazer o possível e o impossível por integrar algum dos seus quadros especializados. Se conseguimos, temos os aplausos de amigos e familiares. E a inevitável inveja de quantas, quantos ficam pelo caminho.

Cabe, porém, à geração nascida neste milénio o imperativo ético de dar corpo a uma Economia outra, geradora de Vida de qualidade e abundância para todos os seres humanos e povos das nações, sem deixar ninguém de fora. Uma Economia que exija que o Grande Capital passe de Grande Patrão que tem sido em todos estes milénios anteriores, a um instrumento mais, nas mãos dos seres humanos e povos. E nunca mais, como em todos os milénios anteriores, o Grande Patrão dos seres humanos e dos povos.

É imperioso que se saiba – e isto ninguém no-lo diz – que por trás de uma Economia há sempre uma teologia, ou concepção de Deus. De modo que falar de Economia e não falar de Teologia é uma perversão estrutural. Porventura, a maior das perversões que todas as grandes universidades e as grandes religiões e igrejas do Livro e respectivos teólogos e catedráticos têm cometido ao longo da História. Impunemente!

Não admira, pois, que, pressionados pela Pandemia Covid-19 que continua a aí a ceifar cada vez mais vidas humanas, os governos das nações se mostrem preocupados em salvar a Economia. Se, porém, a Economia que querem salvar é a dos milénios anteriores, vamos de mal a pior. Porque a Economia que eles querem salvar tem a justificá-la uma Teologia-que-mata. Consequentemente, não é uma Economia que interesse ao terceiro milénio, pós-religioso e pós-cristão.

Só um modelo de Economia pode salvar-nos e à Terra. A Economia grávida de Sabedoria. A única que conjuga e pratica o verbo Cuidar-da-vida-da-Terra, organismo vivo, e da-vida-dos-seres-humanos-e-dos povos. Sem deixar ninguém de fora da Mesa dos bens produzidos pela nossa actividade, hoje, cada vez mais coadjuvada pelos robôs. Trata-se então de uma Economia que converte o Grande Capital num instrumento mais, nas mãos dos seres humanos e dos povos. O mesmo que, nestes anteriores milénios, foi o todo-poderoso deus Dinheiro, inclusive, naqueles Estados que, mentirosamente, se disseram e ainda dizem socialistas e comunistas. Também aí, todos os nascidos de mulher mais não são do que servos e vassalos do Estado, o Grande Patrão, que é, simultaneamente detentor e gestor do Grande Capital. Cujos Povos são todos sem vez e sem voz. O que perfaz uma barbaridade sem nome!

 

 

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