CARTA DE BRAGA – “de remédios trocados” por António Oliveira

A notícia do dia dos namorados não teve nada a ver com uma ‘ela’ e um ‘ele’, melhor ou pior imaginados pelos donos do ‘merchandising’ sempre atrás de comemorações deste tipo, para as suas negociatas.

A notícia maior foi a que os republicanos e os assaltantes do Capitólio, optaram pelos desmandos e mentiras de um palhaço loiro, convertendo aquela risível democracia num simulacro, válida apenas para um populismo descabelado, ignorante e parolo, seguidor de um outro da mesma espécie, mesmo sem usar qualquer disfarce ridículo, por nem sequer precisar!

Por outro lado, alguns dos senadores republicanos que votaram pela absolvição, repetiram a reprovação do seu líder no Senado ‘As ações e reações do presidente Trump foram vergonhosas e a história o julgará severamente’, e o senador do Ohio, acrescentou: “O presidente Trump disse e fez coisas imprudentes e encorajou a multidão’.

Mas, mesmo por isso até seria bom, pensar que os seus setenta milhões de votos nos podem impedir de traçar planos para o futuro, mesmo a nível pessoal, porque as pessoas que ouviram e leram as declarações do palhaço loiro, depois da absolvição pelo Senado, já começam a perguntar-se o que nos poderá acontecer (a nós mundo!) se tal avantesma voltar ao poleiro.

Acontece que o Capitólio está mais próximo de nós do que seria desejável, pois as cópias sem cor do fulano circulam já por aí, por esta Europa à procura de rumo, pela deterioração da nossa realidade política e social, em consequência de um quase descalabro da economia, totalmente nas mãos dos donos do tal ‘merchandising’.

São quase todos pregoeiros, mesmo recebendo salários públicos, de falsas verdades e liberdades para reivindicar o que não sabem nem podem, mas para se apropriarem delas quando e se, por os deuses terem entrado de férias, vierem algum dia a governar.

Convém não esquecer nunca que ‘A cola que mantém a América unida não é a Constituição, nem a empatia, nem o amor, mas os dólares’, garantiu o escritor Richard Ford ao ‘El País’, já em Outubro passado e ele, o palhaço, ainda tem milhões!

Um tempo que nossa sociedade se aproxima bem da ‘modernidade líquida’ caracterizada por Zygmunt Baumann, onde os detentores do poder nos tentam adormecer com as histórias das suas inventadas mentiras e das suas estúpidas justificações de conveniência, porque o medo ao que inventam e com que asseguram as estórias, leva os menos preparados a acreditar, pois ‘Medo é o nome que damos à nossa incerteza, a nossa ignorância da ameaça e do que deve ser feito’.

Para tudo isto contribui decisivamente a apatia e o desinteresse de grande parte da população pela coisa pública e pelos valores da democracia, o que levou William Gamson, professor de Sociologia no Boston College, a afirmar ‘A apatia e o desapego que muitos cidadãos manifestam, não é a democracia política, mas é só a dos que a representam’.

Groucho Marx sentenciou um dia ‘A política é a arte de buscar problemas, encontrá-los, fazer um diagnóstico falso e aplicar depois os remédios equivocados’.

Há quanto tempo os andamos a tomar?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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