A BARRACA – “UM IVANOV – ENSAIO SOBRE A MENTIRA”, de ANTON TCHEKOV – encenação de MARIA DO CÉU GUERRA – SEXTAS e SÁBADOS, às 19.30, DOMINGOS, às 17.00 – até 13 de JUNHO

𝐉𝐔𝐍𝐇𝐎 • Este mês apresentaremos as últimas 6 sessões de ‘Um Ivanov – Ensaio Sobre a Mentira’ de Anton Tchekhov, com encenação de Maria do Céu Guerra.

Elenco: Ruben Garcia, Adérito Lopes, Samuel Moura, João Maria Pinto, Rita Soares, Teresa Mello Sampayo, Susana Alves Costa, Maria do Céu Guerra, Sérgio Moras e João Teixeira.

Os bilhetes estão à venda, na bilheteira do teatro ou online, aqui: https://bit.ly/2Tqmqjz

Informações e reservas:
𝙩. 968 792 495 • 913 341 683
𝙚. bilheteira@abarraca.pt

JUNHO

Dias 4, 5, 11 e 12-  ÀS 19H30

Dias 6 e 13  ÀS 17H00

A nossa sala passou a ter lugar apenas para 80 pessoas, pelo que é necessária a marcação prévia.

Informações e reservas:

Tel. 968 792 495 • 913 341 683

Email. bilheteira@abarraca.pt

Bilhete normal: 15,00 €

Estudantes, Profissionais de Teatro, menores de 25 e Maiores de 65 anos: 10,0

 

Ficha Técnica:

Título: Um Ivanov – Ensaio Sobre a Mentira

Duração: 2h

Classificação etária: M/12

Dramaturgia e encenação: Maria do Céu Guerra

Tradução: Sinde Filipe

Música original: António Victorino de Almeida

Elenco: Adérito Lopes, João Maria Pinto, João Teixeira, Maria do Céu Guerra, Rita Soares, Ruben Garcia, Samuel Moura, Sérgio Moras, Susana Alves Costa e Teresa Mello Sampayo

Assistentes: Vasco Lello e João Teixeira

Direcção técnica e desenho de luz: Vasco Letria

Equipa técnica de operação: Ruy Santos e Ruben Esteves

Modista: Alda Cabrita Costureira: Zélia Santos

Cartaz: Luís Henriques

Fotografia: Maria Abranches

***

Falamos a sério?

A 15 de Marco de 2020 encerrámos as portas do Teatro Cinearte ao público e aos companheiros da Barraca, que até Maio se mantiveram confinados, suspendendo os espectáculos em cena: “A Torre de Babel”; as pecas integrantes do nosso serviço educativo – “1936 – O Ano da Morte de Ricardo Reis” e “A Farsa de Ines Pereira”; os ensaios de “Ivanov” e a preparação da dramaturgia de “O Elogio da Loucura”.

Durante o período da quarentena, naquela solidão aterradora, fui tendo sentimentos misturados sobre a minha querida obra de Tchekhov de que a razão parecia levar-me a desistir. Rearrumei a minha biblioteca e fui pensando. Reencontrei obras sobre as pestes, reli Camus, Artaud, Jack London, Poe.

A situação tendia para substituir o que tínhamos em mãos e pensar tudo outra vez. Mas uma reflexão mais calma levou-me às razões pelas quais eu queria tanto fazer esta peca.

Afinal a pandemia só era tão assustadora porque o estado do mundo já era assustador: a pobreza, o abandono dos fracos, o aquecimento global, a saúde, o ensino, a cultura a esbracejarem de incompreensão, nos países ricos e pobres, e o mundo a calar-se ou a mentir. Milhões de pessoas a morrerem de fome e outros milhares de milhões a serem gastos por muito poucos a inventar uma rota de fuga para um novo planeta sem riscos… Mentiras. Factos alternativos. Mentiras.

Então  voltei  aos  temas  da  minha  peça:  a  revelação  da  mentira  e  da  calúnia  assassina  como  crime  e  a condenação do mundo que exige uma impossível coragem aos pobres, aos doentes, aos velhos, aos deprimidos. A mentira que mata e a obrigação de resistência a quem não tem onde ir buscá-la.

E reavaliei aquela opinião que gritava de dentro das televisões “é preciso fazer tudo a partir da nova situação da pandemia” e repensei “é preciso fazer tudo a partir da valorização do ser humano”. É isso, o mundo tem de ser revisto pelos olhos agudos de Tchekhov, é preciso verdade, tolerância, generosidade e justiça.

E uma espada desembainhada contra a mentira e a demagogia.

Maria do Céu Guerra

 

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