PORTUGAL, ANO 2071, DE ISABEL LINDIM, QUESTIONA O PRESENTE E O FUTURO QUE QUEREMOS por Clara Castilho

 

Portugal, Ano 2071 – O impacto das alterações climáticas no país que os nossos filhos irão herdar, de de Isabel Lindim, na Editora Oficina do Livro, analisa as grandes ameaças previstas para os próximos 50 anos e como nos adaptarmos.

Da sinopse:

De todos os países da Europa, Portugal é o mais vulnerável às alterações climáticas. Por um lado, sofremos com o aumento da temperatura e com a diminuição da chuva que são próprios de um clima com influência mediterrânica; por outro, estamos expostos à agressividade do oceano Atlântico, também ele vítima da poluição e das emissões de gases com efeito de estufa. Os fenómenos extremos vão intensificar-se em todo o mundo, mas é no litoral que as consequências serão mais severas – e o nosso país está na linha da frente.


Este livro apresenta o impacto das alterações climáticas para os próximos cinquenta anos em Portugal. É uma projeção, não uma premonição. Foram ouvidos trinta especialistas de diferentes áreas, da geografia à biologia, da saúde à física. Por sermos um país que reúne tanto conhecimento científico, existe uma esperança de que as medidas necessárias sejam concretizadas. Ainda estamos a tempo de evitar o pior dos cenários. Saiba o que pode, ou não, acontecer.

Diz-nos, por exemplo:

“A nossa costa toda está exposta a um oceano agressivo e que vai galgar por aqui fora, devido não só à subida do nível médio das águas do mar, como também aos fenómenos de inundações que entram e saem outra vez, mas que fazem muito estrago quando entram e saem”.

“Quando falamos de uns centímetros ou de um metro de subida, parece que não é muito, mas, quando há inundações, isso já é muito, e há zonas muito vulneráveis a essas inundações. Em Lisboa, será Alcântara, sempre foi. Vai ser muito acentuado no Algarve também”, salienta. Para os próximos anos, antecipa-se o “risco de perdermos algumas praias”.

Isabel Lindim nasceu em Lisboa e é jornalista. Colaborou em publicações como Grande ReportagemElleLuz ou Visão e em programas como Pop-Up, da RTP. O seu interesse pelo Ambiente e o futuro do Planeta acentuou-se significativamente depois de trabalhar no programa À Descoberta Com…, emitido pela SIC e dedicado à conservação das espécies e dos ecossistemas naturais. Desde então abraçou um dos grandes desafios do jornalismo atual: entender a crise ambiental em que vivemos ouvindo os cientistas e transformando essa informação numa linguagem rigorosa mas acessível a todos.

Em entrevista ao Diário de Notícias (3.5.2021) afirma:

“Estamos a criar desertos que vão ser abandonados, e estamos a ignorar que não há garantias de água disponível para a população no futuro. Fala-se de agro-floresta, o modelo mais sustentável para manter um território saudável, mas os incentivos vão numa direção contrária. Não se entende, por exemplo, que haja um financiamento de 10 milhões de euros para o setor da caça em reservas naturais.

….Muitas zonas do país, incluindo cidades, vão ter as chamadas inundações de marés vivas. As águas avançam de forma inicialmente impercetível, que pode até acontecer num dia de verão tranquilo, e inundam uma vila, uma cidade ou um conjunto de casas. Além, disso, o Oceano Atlântico vai criando erosão e avançando. O êxodo para a costa, onde se encontra 75% da população, traz agora um preço a pagar. Antes de mais, há que evitar novas construções perto do mar ou zonas ribeirinhas.

…Naquilo que me foi transmitido pelos investigadores que entrevistei, e também pelos relatórios que li, a minha perceção é de que os efeitos nos oceanos são o fator mais difícil de prever, porque o aumento da subida do nível do mar e a alteração das correntes estão a ser mais rápidos do que o previsto. Em relação ao que já foi emitido para a atmosfera, é possível projetar com precisão o que vai acontecer nos próximos anos. Num futuro mais longínquo, estes tais cinquenta anos do livro, a avaliação internacional aponta dois cenários de aumento de temperatura, que variam consoante a emissão de gases com efeito de estufa a partir de agora. O aumento de temperatura depende disso. Pode ser de 4.5 ou de 8.5ºC.

Há hipóteses de nos adaptarmos a esse futuro, e de evitar o pior. Podemos começar por proteger os ecossistemas mais importantes para a captação de dióxido de carbono. São eles que também nos vão proteger do calor, e que vão manter os solos férteis e menos vulneráveis aos fogos. As árvores, as florestas, os estuários dos rios… Os recursos hídricos são uma das questões mais importantes de consertar em Portugal. Por enquanto, pensa-se que a água estará para sempre disponível no setor da agricultura, mas não será assim, e a solução não passa apenas por melhorar infraestruturas e tecnologias. Por outro lado, devemos evitar construir junto à costa, porque o mar vai avançar e vai criar erosão. Devemos antes recuar, e olhar para o interior do país, não só para habitá-lo, mas também para preservá-lo.”

Isabel Lindim fala com Rui Unas sobre este assunto:

https://www.youtube.com/watch?v=Jwj9InSIMGU

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