POR OTELO SARAIVA DE CARVALHO, LUTO NACIONAL por Clara Castilho

 

O golpe foi duro. Morreu Otelo Saraiva de Carvalho. Com 84 anos, prestes a fazer 85, num dia 25. Como um outro dia, o de 25 de abril de 1974, em que “nasceu” para um país que o não conhecia.

Encarregado pelo  Movimento das Forças das Forças Armadas (MFA) de elaborar o plano de operações militares, que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, fê-lo de forma que hoje todos o reconhecem como o estratego do 25 de Abril.

O país se dividiu entre os que queriam a continuação das benesses resultantes da ditadura e os que queriam Liberdade, Igualdade, uma vida mais justa, sem fome, com educação, serviços de saúde para todos. O período entre o 25 de abril de 1974 e o 25 de novembro de 1975 foi vivido pelos primeiros sob o império do medo e para os segundos com a alegria, a criatividade, a vivências de novas experiências, algumas utópicas, mas resultado do uso da participação e da cidadania.

Esta divisão perdura, de alguma forma, como se pode constatar dos testemunhos  e das análises sobre o papel de Otelo Saraiva de Carvalho na vida portuguesa.

Carlos Matos Gomes, seu camarada no MFA, pôs o dedo na ferida: “O grande relevo [de Otelo Saraiva de Carvalho] é o de ter tido o instinto de trazer o povo para a revolução, porque senão o 25 Abril teria sido um mero golpe de Estado militar”. Povo que a ele recorria, que ele soube ouvir, que o apoiou na candidatura às eleições presidenciais de 1976.

Do que vivemos neste longo período todos nos lembramos. Otelo já não incomodava pois já o tinham conseguido impedir. De ser o estratego do movimento que derrubou a ditadura ninguém se atreve a negar.

Mas muitos ainda pretendem os projetos ensaiados e reivindicam o cumprimento dos seus direitos, entretanto feitos Leis, nesta Democracia que se tornou possível por Otelo Saraiva de Carvalho, entre outros.

Hoje, dia 28 de julho, pelas 12:30 horas, o cortejo fúnebre segue para o Crematório de Cascais, em Alcabideche, prevendo-se a sua cremação pelas 14:00 horas. Num dia que deveria ser de Luto Nacional.

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