CARTA DE BRAGA – “de guerras e agostos quentes” por António Oliveira

Há cerca de vinte anos, mais ano menos ano, os neocon em volta de G. W. Bush, mais tudo aquilo que o império estadunidense pensava de si próprio, abriram demasiadas frentes no mundo para lá do Mediterrâneo, que vieram a ter um contraponto dramático no ataque às Torres Gémeas, em Nova Iorque. 

Vinte anos depois, mais ano menos ano, o Médio Oriente e outras zonas onde o medievalismo ainda tem uma palavra ‘bem armada!’ a dizer, tornam também este mundo muito mais frágil e inseguro e os states retiram agora como podem, fazendo lembrar mais saídas apressadas e parecidas de outros lugares, os taliban estão bem vivos e a China estabelece relações com todo o mundo, com a impassibilidade e a impavidez que a caracteriza. 

Guerras a envolver menos gente, mas mais meios, aliás de acordo com que os neocon pensavam da superioridade insuperável dos states, mas que, hoje, neste verão bem ‘quente’ sob todos os pontos de vista, parece ser um aviso a todo o mundo, aviso que já Albert Camus, deixou num editorial do ‘Combat’, onde também foi jornalista, em 8 de Agosto de 1945, a propósito da bomba atómica em Hiroshima, dois dias antes. 

E desse editorial de Camus, retiramos dois parágrafos ‘Se os japoneses capitulam depois da destruição de Hiroshima e pelo efeito da intimidação, vamos alegrar-nos. Mas nos negamos a tirar qualquer conclusão que não seja advogar, mais energicamente ainda, por uma verdadeira sociedade internacional, onde as grande potências não tenham mais direitos que as nações mais pequenas ou médias, onde a guerra, o flagelo que se converteu em definitivo só por causa do inteligência humana, não dependa dos apetites ou das doutrinas de tal ou tal estado.

Ante as perspectivas aterradoras que se abrem à humanidade, percebemos melhor que a paz é o único combate que vale a pena. E não é uma oração, mas uma ordem que deve ser imposta pelos povos aos governos, uma ordem para escolher definitivamente entre o inferno e a razão’.

Não quero terminar esta Carta sem mais umas palavras, poucas, de outro francês, Gaston Bachelard, que viveu na mesma época e foi químico, filósofo e também poeta, ‘Se tudo o que muda lentamente se explica pela vida, tudo o que muda depressa se explica pelo fogo’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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