OS PREPARATIVOS PARA O “AFEGANISTÃO SEGUINTE” JÁ COMEÇARAM – por THOMAS PALLEY

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Preparations for the “Next Afghanistan” have already begun, de Thomas Palley

thomaspalley.com, 19 de Agosto de 2021

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Agora que a expedição militar americana de vinte anos ao Afeganistão terminou em catástrofe, o estabelecimento Neocon(1) dos EUA já começou os preparativos para o “Afeganistão Seguinte”. Esse processo começa com acusações a  Joe Biden e reescrevendo a história.

Assim, Richard Haas (Presidente do Conselho para as Relações Exteriores) escreve no Project Syndicate: “Perguntou-se recentemente a Biden se ele sentia algum arrependimento em relação à sua decisão de retirar todas as tropas norte-americanas do Afeganistão”. Ele respondeu que não sentia qualquer arrependimento quanto à sua decisão de sair do Afeganistão. Ele deveria senti-lo”. No quadro da sua argumentação, o Sr. Haas quer assustar-nos com  com a perspetiva de um “efeito dominó Talibã”, na sequência do qual os Talibãs assumem o controlo do  Paquistão.

The New York Times também tem estado ocupado a jogar o jogo da culpa e a reescrever a história. Dois dias após a queda de Cabul, numa história na página um, censura  o Presidente Biden e sugere que teria sido possível fazer algo muito diferente: “Mas no seu discurso, o Presidente Biden passou mais tempo a defender a sua decisão de deixar o Afeganistão do que a forma caótica como foi levada a cabo”.

Na mesma linha, uma outra história do New York  Times afirmava: “Em várias cidades, as forças de segurança afegãs travaram uma forte luta para impedir o avanço dos Talibãs, existindo vídeos mostrando trocas de tiros. Mas muito mais numerosas durante a ofensiva dos Talibãs foram cenas de aparente recuo por parte das forças governamentais mal equipadas para proteger o país após a retirada americana”.

A realidade é que o Presidente Biden não tem nada que pedir desculpa e merece os nossos agradecimentos coletivos por uma decisão que foi tomada para beneficiar os Estados Unidos, e não para o beneficiar pessoalmente.

Constatar a escala e a velocidade do colapso no Afeganistão após vinte anos de construção nacional e de envolvimento militar maciço não é uma crítica a Joe Biden. É uma acusação condenatória à segurança nacional e ao establishment  da política externa.

Nunca existiria qualquer outra forma de sair desta aventura imperial mal concebida. Iria ser sempre algo como ou isto ou ficar lá para sempre.

A “teoria do dominó talibã” e o argumento “Não desta forma” são tentativas do establishment  Neoconservador  para desviar a sua culpabilidade e preparar o caminho para o “Afeganistão Seguinte”.

Seria de esperar outra coisa por parte  daqueles que nos meteram nesta confusão e nos mantiveram lá durante tanto tempo? E entre as mais perigosas de essas vozes são as dos Neocon-Democratas e dos chamados meios de comunicação liberais como o The New York Times, pois dão cobertura política e credibilidade às suas contra-partes Neocon Republicanas mais extremistas.

A narrativa Neocon espalha oportunisticamente a falsa noção de derrota auto-infligida, reescrevendo assim a história e fazendo-nos sentir melhor. Este é o seu apelo de sereia tóxica. Funcionou  depois da guerra do Vietname. É absolutamente crítico que impeçamos tais narrativas Neocon de se imporem depois do Afeganistão ou estaremos condenados a um futuro de mais do mesmo.


(1) – Neocon é um termo utilizado nos países anglo-saxónicos  para designar os conservadores, na sua versão actual.

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