FRATERNIZAR – COP 26 na Escócia – A ÚLTIMA OPORTUNIDADE PARA O PLANETA TERRA? – por MÁRIO OLIVEIRA

 

 

Vão ser quase duas semanas a partir pedra. Uma especialidade dos chefes de Estado e de Governo das nações e da maioria dos milhares de especialistas que estão lá a participar, desde o passado domingo, 31 de outubro. Entre os participantes, lá está também o presidente Biden dos EUA que aproveitou a viagem e fez escala em Roma, sobretudo para se encontrar com o papa Francisco. É católico e foi ao beija-mão protocolar. O encontro foi prolongado e só os próprios sabem do que falaram e decidiram. As reportagens das tvs do Ocidente apenas deram a ver e a ouvir aos que ainda têm pachorra de as sintonizar o habitual ‘folclore’ que sempre rodeia este tipo de encontros. O ‘miolo’ dos encontros é dos próprios e de mais ninguém. Aos povos-peões cabe-lhes carregar com eles aos ombros, uma vez que recusam fazer seu o ‘pão’ outro de Jesus histórico, que é assumirmos as nossas vidas e a vida da Terra nas próprias mãos.

Chega a ser caricato que a questão da lei da despenalização do aborto que o Partido de Biden quer fazer aprovar nos EUA esteja a dividir os bispos católicos norte-americanos e a própria Cúria romana. E teme-se uma cisão entre os bispos católicos norte-americanos. Há uma boa parte deles que estão determinados a recusar a comunhão na missa que o presidente Biden, como católico praticante, sempre frequenta aos domingos e dias santos de guarda. Dementes, que são. Nem percebem que despenalizar o aborto, não é sinónimo de promover a prática do aborto. Também por cá, os bispos católicos fizeram tudo por tudo para que a Lei não fosse aprovada. Foi e hoje é já manifesto que os abortos clandestinos praticamente acabaram. E dizem as Estatísticas que há hoje muito menos abortos no país, graças à aplicação dessa Lei de despenalização. E os bispos e demais clérigos párocos lá se decidiram a meter a viola no saco, mas sem nunca chegarem a pedir desculpa por toda o ‘terrorismo’ que, nesse então, fizeram e abençoaram.

À despedida, o papa terá dito ao seu súbdito Presidente dos EUA que ele é um bom católico e que deve continuar a ir à missa e comungar. Uma indirecta aos bispos norte-americanos que se mantêm na deles. Coisa mais caricata, quando, a grande questão que, por estes dias e nos dias e anos que se seguem, é se a COP26, em Glasgow é a última oportunidade para para salvarmos o Planeta. Mas que querem? São assim os clérigos católicos e os pastores protestantes. São peritos em filtrar mosquitos e engolir camelos!

Uma coisa Biden já sabe. É que, apesar de católico de missa e de comunhão, o papa de Roma já não olha tanto para os seus EUA como no passado. Toda a sua atenção está hoje focada noutro colosso, a China comunista de Xi Jinping, cujo presidente nem sequer participa nesta COP26. Assim como, a Rússia de Putin, outro colosso, por sinal, ambos dos maiores poluidores do ar cada vez mais envenenado que respiramos. Ou o papa Francisco não fosse jesuíta. É. Por isso, o pleno do jesuitismo de Inácio de Loyola que nunca antes conseguiu entrar e instalar-se tanto nas mentes dos seres humanos e dos povos das nações. Toda a sua aposta, neste milénio, é entrar na China comunista. É nesse sentido que vão os passos todos da diplomacia vaticana. Enquanto para bispos dos EUA e demais clérigos católicos a grande preocupação de momento é impedir que a Lei de despenalização do aborto seja aprovada! Além de confrangedor, é uma indignidade.

Até parece que para os católicos norte-americanos e católicos em geral as guerras do passado e do presente sempre foram e são um bem a promover. Como se os milhões de vidas jovens nelas sacrificadas não fossem crimes consumados, mil vezes piores que a Lei de despenalização do aborto. E a prova de que para eles as guerras são, até, um bem a promover é que incorporam nelas padres capelães militares, como sucedeu entre nós durante a criminosas Guerra Colonial e durante a Primeira Guerra Mundial, a tal que a senhora de fátima do teatrinho do cónego Formigão garantiu a pés juntos, na chamada última ‘aparição’ de 13 de outubro de 1917, ‘A Guerra acaba hoje’. Uma descarada mentira que o famigerado ‘milagre do sol’ tentou fazer esquecer, sem jamais o conseguir.

Temos sido, geração após geração, demasiado crédulos e infantis. Levam-nos a isso as catequeses, liturgias e sermões dos clérigos. Hoje, felizmente, em vias de extinção. Assim estivessem também em vias de extinção os Estados e os Governos das nações. Seria sinal de que os seres humanos e os povos das nações já haviam expulsado de vez das suas mentes o Medo que, para seu mal, os tem levado a criar deusas e deuses e a confiar os seus próprios destinos a estranhos que são todos os agentes do Poder. E, na sua fragilidade, haviam decidido religar-se uns aos outros, cuidar uns dos outros, de si próprios e do planeta Terra. De resto, a única via sócio-política que garantirá futuro ao planeta Terra e a todos os nascidos de mulher que a habitam, na variadíssima mistura de cores, falares e tradições. Um passo que o Poder, com esta sua COP26 e todas as muitas outras Cimeiras jamais aceitará, pois seria o seu fim. Preparemo-nos, pois, para o pior.

 

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