JÚLIO MARQUES MOTA – UM COMENTÁRIO AO NOTICIÁRIO DE CARLOS REIS

Li e reli o texto do humorista   Carlos Reis  relativamente à questão de ser ou não ser (nada de Shakespeare aqui) publicável.

Acho que não pode ser publicável. Não pelas regras deontológicas do Blog mas porque é uma ofensa à classe política, sobretudo a dois dos seus mais ilustres políticos, um deles é isso mesmo e o outro, politicamente mais jovem,  a prometer ser uma grande estrela amanhã, quando estivermos perante os Amanhãs que cantam e que a direita nos promete  sucessivamente. Talvez este jovem seja bem mais perigoso  que o velho politico antes referido  e isto porque a camada de jovens que fomos formando intensamente à direita tem aí o seu porto de abrigo. Por favor, não o esqueçamos.

Todos nós esquecemos como é que foi o lançamento de António Costa contra António José Seguro:  António Costa foi apresentado por Mário Soares, Jorge Sampaio e Almeida Santos como o homem que amanhã nos traria o crescimento.  O crescimento de que se  falava ficou nas brumas da nossa memória, para aqueles que televisamente a conservam e ficou-nos, muito tempo depois, a situação que temos hoje e que o humorista Carlos Reis muito bem documenta. Promessas destas só em Fátima para quem nisso acredita…

Normalmente sou um tipo sisudo, muito sisudo, por um lado porque procuro entender as forças subterrâneas que regem o mundo, o que não consigo entender, e por outro lado  porque ando cada vez mais cansado de procurar o que não encontro: notas de mil euros perdidas algures ou em nenhures. Não acho nada e quando me perguntam se estou zangado, envergonha-me da razão em que este mau-humor assenta  e disparo: há falta de humoristas em Portugal  para nos pôr bem dispostos face aos políticos de que dispomos no arco da governação.

Com uma resposta destas responde-me o meu amigo João Machado  dizendo-me: oh, homem, anima-te,  lê o humorista Carlos Reis. Olha para  a resposta que ele me deu face à minha dúvida se o texto dele era publicável . Não é isto humor do mais fino   possível? É ou não é? Mostra-me, peço-lhe eu meio envergonhado.  Leio e grito: João, publica o texto inicial do Carlos Reis, se quiseres publica também este comentário desconchavado e, depois,  publicas o comentário dele à tua terrível dúvida que não era nada metafísica, a de  publicar ou não publicar (1).

E fica aí com uma certeza: até o Ricardo Araújo Pereira fica a roer-se de inveja com a qualidade do humor político do Carlos Reis.

JÚLIO MOTA


(1) –  …

Trata-se de um texto sem qualquer coerência política, uma encenação delirante de um perigoso e desequilibrado díscolo (era assim que se dizia, não era?) sem qualquer cabimento e por demais ofensivo, sobretudo para com personagens que podem muito bem vir ainda a salvar o país.

Toda a gente sabe que só a Direita, ou quando muito o Extremo-Centro nos pode fazer sair deste pântano a que a Extrema-Esquerda nos levou.

Espero que o bom nome de qualquer daqueles dois gentis-homens se sobreponha à enxurrada de desprezo e desrespeito, manifestamente indigna de quem se preza.

Carlos Reis

1 Comment

  1. Não tenho qualquer relação com redes sociais, pelo que me limito a escrever por aqui o que me passa pela cabeça.
    Muito obrigado pelas suas palavras (eu sei que estas coisas não são para agradecer, nem eu sou propriamente um humorista encartado) mas mais ainda pela sua lúcida carta aberta ao António Costa e aos socialistas de todos os quadrantes, que considerei importante, directa e sem margem para dúvidas.
    Porque – quanto a mim, evidentemente – ao António Costa só lhe falta ser socialista, por entre o seu sinuoso e imprevisto modo de pretender brincar à social-democracia, uma coisa inexistente entre nós.
    Por tanto e por tudo e pela necessidade deste pobre e televisivo povo de algum esclarecimento sobre os comportamentos actuais desta velha Europa, das políticas a ela ligadas e dos nossos habituées políticos – povo esse que “sabe tudo” pela tal televisão, lhe renovo os meus agradecimentos pelo seu esclarecido e esclarecedor texto.
    Carlos Reis

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