
Há uma tristeza e uma melancolia minhas nesta apresentação de hoje, talvez a última apresentação em público de Oscar Peterson, já bastante doente por esta altura, em 2005 (viria a morrer dois anos depois) e com graves dificuldades motoras da mão esquerda – a mão da harmonia, a base e o apoio para todo o desenvolvimento musical da mão direita e que ele sempre também manejou com a desenvoltura, riqueza e criatividade que se lhe reconhece.
E no entanto e apesar das suas notórias dificuldades, este belíssimo tema – a fazer lembrar algo clássico, talvez Bach – continua a sentir-se e a emocionar, como se o Oscar Peterson estivesse na sua plenitude, não fora o ar profundamente cansado e envelhecido que ostenta e a mão esquerda aflorando apenas os acordes possíveis.
Por curiosidade: comecei a reparar no tema, quando um excelente e jovem pianista meu conhecido, de seu nome João Pedro Coelho, se sentava ao piano e antes de qualquer um dos seus muitos concertos que iria iniciar-se no Hot Clube, o tocava suave e distraidamente, elucidando-me depois, quando lhe perguntei, a sua proveniência.
A Música (quando é Música) e temas como este e outros, têm quase sempre uma história por trás. Nem que seja uma qualquer história pessoal, de cada um.
Carlos
Obrigado a Per Hvidbjerg e ao youtube
Elenco:
Oscar Peterson — piano
Alvin Queen – bateria
Ulf Wakenius – guitarra
Niels-Henning Ørsted Pedersen – contrabaixo

