Seleção e tradução de Francisco Tavares
10 m de leitura
Realidade versus Ficção: Moscovo responde a todos os pontos das observações “tóxicas” dos EUA sobre o conflito com a Ucrânia
Publicado por
Russia Today em 22 de Janeiro de 2022 (original aqui)
Washington negou alguma vez ter prometido não alargar a Aliança Atlântica, mas de facto, em 1990, o então Secretário de Estado norte-americano garantiu que “a jurisdição da NATO e as suas forças militares não se deslocarão um centímetro para leste”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu uma declaração no sábado em que comentava os “factos” que o Departamento de Estado norte-americano expôs no seu relatório intitulado “Factos versus Ficção: Desinformação Russa sobre a Ucrânia”, divulgado a 20 de Janeiro.
Desta forma, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo respondeu a cada ponto das observações de Washington.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a Rússia invadiu a Ucrânia em 2014, ocupa a Crimeia e controla as Forças Armadas no Donbass.
Resposta da Rússia
Os EUA e outros países da NATO provocaram em 2014 a crise ucraniana, apoiando o golpe de Estado e a chegada ao poder dos nacionalistas. Os residentes da Crimeia e do Donbass, temendo pela sua própria segurança, não quiseram viver sob o novo governo. A Crimeia tornou-se assim novamente parte da Rússia, e as regiões de Donetsk e Lugansk declararam a sua independência, enquanto Kiev desencadeou uma guerra civil contra eles.

Além disso, Washington afirma que Moscovo provocou a actual crise ao destacar mais de 100.000 soldados na fronteira ucraniana sem qualquer acção militar desse tipo do lado ucraniano.
Resposta da Rússia
As Forças Armadas da Ucrânia e da NATO estão a intensificar a actividade militar perto das fronteiras da Rússia e estão a realizar exercícios militares multinacionais em grande escala.

Por outro lado, os EUA argumentam que o destacamento dos militares russos perto da fronteira ucraniana é uma ameaça da Rússia à soberania e integridade territorial da Ucrânia.
Resposta da Rússia
Moscovo realiza regularmente exercícios militares de tropas no seu próprio território. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos colocam as suas forças militares e armamento ofensivo em países da Europa de Leste, a vários milhares de quilómetros das suas fronteiras nacionais, minando assim a segurança e a estabilidade estratégica europeias.

Entre os seus pontos, os EUA salientam que Washington forneceu mais de 351 milhões de dólares em ajuda humanitária ao Donbass desde 2014 às pessoas afectadas pela agressão de Moscovo.
Resposta da Rússia
A quantidade de ajuda humanitária mencionada pelos EUA é “uma gota no oceano” em comparação com a enorme assistência prestada pela Rússia ao povo do Donbass.
Os EUA declaram também que não existem relatos credíveis de que quaisquer cidadãos de etnia russa ou de língua russa tenham sido ameaçados pelo governo ucraniano.
Resposta da Rússia
A violação dos direitos da população russófona na Ucrânia atingiu uma enorme escala. As autoridades do país estão a aprovar leis discriminatórias sobre língua e educação, forçando a língua russa a sair de todas as esferas da vida.

Na mesma linha, o governo dos EUA assegura que Washington está a fazer esforços diplomáticos abrangentes para resolver a situação de forma pacífica.
Resposta da Rússia
Desde que Moscovo entregou as propostas de segurança em meados de Dezembro, os EUA têm atrasado as negociações sobre as garantias de segurança e lançaram uma campanha de desinformação “tóxica”, criando uma imagem da Rússia como “agressor”.

Outro ponto levantado pelo Departamento de Estado norte-americano é que a NATO é uma aliança defensiva.
Resposta da Rússia
Os EUA conduziram uma operação ilegal do ponto de vista do direito internacional contra a Jugoslávia. Além disso, a NATO também invadiu o Iraque e o Afeganistão e participou na destruição da Líbia, o que nada tem a ver com questões de “defesa”.
De acordo com o governo estado-unidense, o Ocidente nunca prometeu que não ampliaria a NATO.
Resposta da Rússia
A 9 de Fevereiro de 1990, o então Secretário de Estado norte-americano James Baker anunciou “garantias de ferro: a jurisdição da NATO e as suas forças militares não se deslocarão um centímetro para leste”. Isto também foi confirmado várias vezes por outros altos funcionários ocidentais.

Finalmente, Washington afirma que a ampliação da NATO não está dirigida contra Moscovo.
Resposta da Rússia
Durante os últimos 20 anos, todas as capacidades da coligação da NATO têm estado concentradas precisamente na Europa de Leste. Estão a ser construídas instalações de armazenamento de equipamento pesado nos Estados membros da NATO da Europa de Leste e estão a ser criadas oportunidades para uma presença militar estrangeira no território destes Estados. Além disso, o número de visitas ao Mar Negro por navios de guerra de potências extra-regionais aumentou, e a Aliança realiza constantemente exercícios militares perto das fronteiras da Rússia.

