“PROIBIDO POR INCONVENIENTE” – EXPOSIÇÃO REVELA O QUE A CENSURA ESCONDEU –
08.04.2022
(*) … “Mas o debate nas reuniões da Comissão (de censura) manteve-se e no mês de Abril o estado da questão em relação a “O inferno” era o seguinte: Seguidamente, foram trocadas impressões acerca da peça “O inferno” (peça de Bernardo Santareno), salientando a Exmª. Senhora D. Mafalda Vaz Pinto que o novo final proposto pelo Sr. Bernardo Santareno é absolutamente absurdo, até porque o facto de ser afirmado que se trata de tarados de nascença, implica desde logo a sua irresponsabilidade e, consequentemente a criação de um ambiente odioso para a justiça que os vem a condenar. Julga por isso que a Comissão, embora lhe não caiba alterar os textos que lhe são submetidos, poderá, no entanto, sugerir a introdução de uma modificação que dê ao texto o sentido que a Comissão considera indispensável para a peça poder passar. Monsenhor Moreira das Neves, pronunciando-se em seguida, manifestou os maiores receios de que a peça – aliás, muitíssimo bem feita – venha a levantar sérios problemas, tal como está, acrescentando o Reverendo Padre Teodoro que, entre outras, uma das principais reacções é a que resulta do facto de o público, em face de toda a explicação, acabar por ter pena e absolver os criminosos, odiando o tribunal que os condena.”








