Um amigo meu de longa data, um homem que creio ser da Iniciativa Liberal dado a linha coerente do seu discurso liberal, uma característica das gentes deste agrupamento político, terá ficado incomodado com o texto de John Ganz e reage à sua leitura do seguinte modo:
“Para reforçar a bondade dos seus textos, seria muito conveniente, que avaliasse a sociedade que defende,?? nomeadamente as recentes experiências Marxistas / Leninistas e associados.”
Ao receber o texto e estando eu a trabalhar sobre um documento da RAND Corporation escrevi:
“A isto chamo eu uma pequena provocação não intencional. Não conheço nenhuma experiência marxista-lamento dizê-lo, e o meu amigo também não. Nem a de Cuba entra nisto, tudo isso foi feito à revelia do marxismo e portanto sai fora do meu radar teórico.
Os meus textos e os textos por mim selecionados pretendem responder apenas às inquietações da sociedade presente e de gente que nela quer viver de modo decente.. O texto de ontem , por exemplo, é de John Ganz, um tipo que é ou foi jornalista do Washington Post e não o vai acusar de putinista ou coisa equivalente? Não, não encaixa. Certo?” Fim de citação
É evidente que este texto é uma provocação não intencional, fruto talvez de uma desorientação intelectual provocada pelo texto de Ganz que nos mostra que na sociedade mais liberal do mundo, os USA e onde se encaixa o discurso da Iniciativa Liberal, não há sociedade, não somos sociedade. E este meu grande amigo em vez de se questionar, mais uma vez a mesma questão, como é que se chegou aqui, em vez de se interrogar sobre as causas da fascização da sociedade americana , o que dele seria de esperar dada a inteligência, estatura moral e a grande cultura, mas não, em vez disso chuta para canto, o que é intelectualmente desonesto, e devolve-me a questão que eu não coloquei, mas devolve-a erradamente pois não serei a caixa de correio para a receber. Pela razão muito simples de que não existe nenhuma sociedade socialista, houve sim tentativas de instalar o socialismo em sociedades que não estavam preparadas para tal. De resto, não se responde a uma questão, ignorando-a e, em vez da resposta, procurar encurralar o seu interlocutor com uma outra pergunta que nada tem a ver com a primeira. Os americanos dão a essa prática um nome…
Num texto anterior que enviei, a escritora BEVERLY GOLOGORSKY fala-nos da desorientação dos pombos hoje e diz-nos: “Tudo o que podia imaginar era que aquelas pobres aves tinham ficado tão desorientadas como, de resto, todos nós nestes anos pandémicos, quando nada se sente como sendo normal, muito longe disso.
Mas o que é normal, afinal? Décadas cheias de guerra, desigualdade, pobreza e injustiça? A sério? É isto que queremos – uma sociedade claramente a falhar com aqueles que a constituem, a sua população? (…)
A questão, claro, é: O que é que todos nós devemos fazer para contrariar tudo isto?” Fim de citação
Por outro lado, John Ganz diz-nos, e percebe-se então que este meu amigo de longa data ficasse incomodado:
“Se forçarmos um pouco mais a nossa imaginação, podemos vislumbrarmo-nos a nós próprios a viver “como animais selvagens uma profunda solidão de espírito e de vontade”, pouco capazes de concordar, enquanto as nossas cidades se transformaram em “florestas e covas de homens”. Em Uvalde, a polícia aparentemente tirou os seus próprios filhos de lá, e depois mostrou-se pior que inútil, impedindo outros pais de salvar os seus filhos, criando um espetáculo perverso de “lei e de ordem”, que se se traduzir em apenas permitir que a maldade trabalhe sem obstáculos e que apenas fez com se frustrasse a tendência das pessoas para se unirem para fins comuns. Esse é o futuro que enfrentamos agora. Não o Leviatã, a ditadura imposta de cima, mas a tirania descentralizada, infinitamente distribuída, granular, bloco por bloco, da espingarda de assalto, impedindo as pessoas de se unirem livremente. Mais atomização, mais solidão, mais ódio, mais medo: uma guerra de todos contra todos, vidas que são solitárias, pobres, desagradáveis, brutais e curtas. Teremos de descobrir como voltar a unir-nos, ou então morrer.” Fim de citação
“Teremos que sair disto”, diz a escritora BEVERLY GOLOGORSKY. “Teremos de descobrir como voltar a unir-nos ou então morrer”, diz-nos John Ganz. Um elo entre os dois autores é o que estes dois excertos representam.
Hoje, um dos meus amigos mandou-me um vídeo, um vídeo de horror sobre a clique dominante que nos dirige no mundo de hoje. Face à violência deste vídeo senti a obrigação de publicar na Urgência quatro textos para que os nossos leitores possam estar minimamente preparados para visionar um vídeo tão chocante, uma entrevista a um senador republicano, sobre a atual crise. E sugere-se que não deixem de o visionar. E este vídeo é uma verdadeira viagem ao mundo de horror que todos nós andámos a deixar que os nossos políticos criassem como herança para as gerações futuras, se futuro para elas houver.
Não vejam o filme com adolescentes ao lado para evitarem a pergunta: por onde é que andaram para isto ser verdade?
Os quatro textos são:
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O humanismo militar : no coração das trevas neoliberais nos Balcãs, uma entrevista a Noam Chomsky recuperada e revista por Dennis Riches, professor em Seijo University · Faculty of Social Innovation
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A versão moderna dos Senhores da Guerra, gente politicamente importante, que vive em Washington, não no Afeganistão, não em Africa: transcrições de debates televisivos nos Estados Unidos sobre a guerra
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A lenta preparação americana para esta guerra, a da Ucrânia -um texto de Rand Corporation
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“A nossa prioridade na Ucrânia deveria ser a salvar vidas, não a de punir a Rússia, de Noam Chomsky
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Depois veja os seguintes vídeos e por ordem:
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Um vídeo de François Asselineau (Union Populaire Républicaine) sobre as múltiplas doenças de Putin, um texto aparentemente irónico, mas… disponível em (https://www.youtube.com/watch?v=eLYKdFA1Pi )
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Um vídeo terrível do senador americano Richard Black disponível em: https://dasculturas.com/2022/05/29/entrevista-coronel-richard-black-com-legendas-em-portugues/


Bom dia. Venho informar que o vídeo de François Asselineau citado no ponto 6 do texto UCRÂNIA, A CAMINHAR PARA UM NOVO APOCALYPSE NOW já não se encontra disponível no Youtube, mas fui procurá-lo no canal ODYSEE, e penso que será o vídeo contido em: https://odysee.com/@lapressedupeuple:a/Poutine,-Macron,-Biden-qui-est-le-plus-sain-d'esprit-:2