PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS – A UBER CONTRA OS TRABALHADORES – INVESTIGAÇÃO DO CONSÓRCIO INTERNACIONAL DE JORNALISTAS DE INVESTIGAÇÃO (ICIJ)

 

 

A investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (com sigla em inglês ICIJ), divulgada este domingo, revela como a Uber recorreu à manipulação e à influência ilegítima junto de decisores políticos. Os documentos mostram o envolvimento de Macron (Ministro da Economia na altura), Joe Biden (então vice-presidente dos EUA) ou Neelie Kroes (que foi vice da Comissão Europeia na presidência de Durão Barroso), numa rede de influência que a Uber montou para garantir a afirmação do seu negócio, quando se confrontava com dúvidas sobre a sua própria legalidade. A empresa usou os conflitos e a violência deliberadamente para influenciar a sua aceitação pública, numa estratégia que o ex-CEO, Travis Kalanick, definia como “a violência garante o sucesso” (a investigação mostra que, em Portugal, o conflito com taxistas em 2015 foi incentivado).

Em Portugal, com a chamada “Lei Uber”, foi implementado em 2018 um modelo sem paralelo a nível internacional, prevendo a introdução artificial de um intermediário (operador TVDE), que retira todas as obrigações laborais às gigantes das plataformas. Agora, na chamada Agenda do Trabalho Digno, o Governo recuou na sua proposta e quer generalizar este modelo errado a todo o trabalho em plataformas digitais.

Sob estes avanços e recuos na Agenda do Trabalho Digno, várias questões ficam pendentes de resposta: que pressões terá exercido a Uber sobre o governo português, tendo em conta este modelo absurdo que prevê o intermediário, agora que sabemos que houve “lobbies” secretos em vários países europeus? Como olhar para os recuos na Agenda do Trabalho Digno, agora que se confirma a força dos interesses das plataformas e a capacidade de influenciar as decisões dos Estados?

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