CARTA DE BRAGA – “tempos do volta atrás” por António Oliveira

Está ainda na memória de muitos, há também muitas ruínas para o testemunhar espalhadas pelo Norte deste país, como o volfrâmio deu a volta à cabeça de muita gente e ajudou a melhorar a vida de outra tanta, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial. Dele se extraía o material para os filamentos das lâmpadas eléctricas e para todas as ferramentas afiadas para cortar, bem como o que era necessário para tornar mais forte o aço do armamento, dos blindados e das bombas com que se ‘presenteavam’ de um lado e do outro.

Portugal e as zonas fronteiriças da Galiza, de Castela e Leão e da Estremadura espanhola, eram e são os depósitos naturais de tal mineral e por isso se viu muita gente enriquecer rapidamente, carros novos e grandes a circular pelas nossas quase estradas, e se contaram dezenas de estórias dos volframistas, tanto do lado de cá como do de lá.

Li há poucos dias que, nestes tempos, o volfrâmio parece voltar a ser prioritário, devido à escassez na Europa e a uma procura anormal para o fabrico dos telemóveis, ecrãs LCD, ferramentas para dentistas e afins, de tal maneira que a União Europeia o incluiu na lista de matérias primas críticas. Será conveniente lembrar aos curiosos destas coisas, que o volfrâmio de Portugal e das zonas fronteiriças espanholas citada acima, representa mais de cinquenta por cento de toda a Europa. 

Não há dúvida de que esta poderá ser uma boa notícia, especialmente para os ‘galifões’ do  costume, os que aparecem sempre que avistam uma cadeira de braços onde se possam refastelar, para depois pagarem impostos na Holanda, Luxemburgo e outras ‘localidades’ onde também possam instalar um escritório, um computador e um funcionário para arejar o espaço. 

Nós outros, os que pagam sempre, vamos ficar à espera que estas notícias venham a servir para aliviar a pressão altista que se tem vindo a verificar desde que começou o ataque daquele bicho aparentemente chinês e se possam voltar a ter preços decentes para os produtos de primeira necessidade, que não se consigam esconder atrás do aumentos do combustível, nem de uma inflação que nos transforme mais uma vez naqueles palonços vítimas do ‘Aguentam, ai se aguentam!’ como um palerma engravatado nos caracterizou, há já alguns anos, em directo e na televisão.

As coisas não poderão nunca ser olhadas como se verificaram nos tempos da Segunda Guerra, mas podem ajudar a interpretar e a situar-nos melhor nos condicionamentos actuais, tanto mais que estamos nos caminhos de toda a gente, dos que controlam as saídas entradas e saídas, menos para o Panamá e outras ‘localidades’ semelhantes. 

Será que desta poderemos todos ficar a ganhar?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

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