ADÃO CRUZ – REFLEXÃO

 

Para mim, a Ciência, nos seus mais diversos sentidos, é o único e verdadeiro caminho do conhecimento e, logicamente, o único caminho da procura da Verdade. Também na minha maneira de ver, entre os muitos caminhos da Ciência, há dois que eu considero uma espécie de amplas avenidas ou mesmo autoestradas do conhecimento. São eles a Ciência da Evolução e as Neurociências.

Quanto ao primeiro caminho, a luz que Darwin acendeu tem vindo a tornar-se de dia para dia mais resplandecente, iluminando cada vez mais e melhor o nosso conhecimento, através de cientistas como Richard Dawkins, Yared Diamond, Jerry Coyne, Pier Vincenzo Piazza, Edward Wilson e tantos outros que nos têm conduzido à evidência de que o maravilhoso fenómeno da Evolução não é mais uma teoria, mas uma realidade, um Facto Científico incontestável. Ao reler “A Evidência da Evolução”, de Jerry Coyne, obra que considero uma das que mais me marcaram nesta minha profunda curiosidade à volta da vida e da nossa existência, eu repito aquilo que várias vezes tenho dito, a Ciência da Evolução, Facto Científico ao mais alto nível, o único caminho verdadeiro na descoberta de quem somos, de onde viemos e para onde vamos, devia ser ensinada desde o primeiro ano de escolaridade e prosseguir ininterruptamente pela vida fora, transversalmente a qualquer ciência ou curso, desde a matemática à filosofia, da genética à medicina, da antropologia à astronomia. E repito mais uma vez, convictamente, que qualquer pessoa, por mais bem formada que seja, não pode possuir uma completa formação global, se não tiver integrada nessa mesma formação uma abordagem minimamente suficiente da Ciência da Evolução.

Quanto ao segundo caminho, o das Neurociências, tão arduamente palmilhado por homens como Jean Pierre Changeux, António Damásio, Pascual-Leone, Mattew Cobb, David Eagleman e tantos outros, ele vai-nos conduzindo de forma cada vez mais admirável e luminosa, à mais arrebatadora viagem ao interior do nosso cérebro e da nossa mente. Ao reler “O Cérebro em Ação”, de David Eagleman, fico extasiado perante a desassombrada visão e domínio que ele demonstra sobre a neuroplasticidade cerebral e a interconexão deste maravilhoso órgão encerrado na nossa caixa craniana. Este órgão, que é a estrutura mais complexa do planeta. Este órgão, que, mesmo minúsculo como o cérebro de uma formiga, é mais complexo e menos entendível do que a estrutura de uma estrela. Este órgão constituído por uma floresta de oitenta a cem mil milhões de neurónios, densamente ligados uns aos outros em redes profundamente intrincadas. Se considerarmos os neurónios as árvores da floresta com todos os seus ramos interligados, se nos lembrarmos que a floresta não é constituída só por árvores mas por toda uma densa vegetação de arbustos, ramos, raminhos e ramúsculos, chegamos à conclusão, através de cálculos científicos, que o número total de ligações entre os neurónios da nossa cabeça chega às centenas de biliões. E para que a incredulidade nos abra mais a boca, podemos dizer que um milímetro cúbico de tecido cortical contém vinte vezes mais ligações ou conexões do que seres humanos à superfície da Terra. Não sei como conseguiremos fechar a boca.

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