BEIRA TEJO por Clara Castilho

Sentada à beira rio, ouvia vários ruídos. Uns desagradáveis – o barco a chegar, as buzinadelas dos carros. Mas também ouvia o som das ondas batendo nas pedras.

Fez um esforço para só ouvir estas. Mais semelhantes ao bater do seu coração.

Precisava de descansar e refletir. Este foi o local mais perto que encontrou. Outros melhores haveria, certamente. Mas longe e sem possibilidade de se deslocar. Esperava que esta pausa lhe indicasse qual a melhor atitude a tomar.

Lembrou-se que se estivesse em S. Francisco poderia estar a ouvir seu órgão das ondas. Ou na Croácia, em Zara, num outro inspirado no primeiro e implementado pelo Nikola Bašić. Vira num programa na televisão. E ficara fascinada.

Sempre a interessou ver como a cidade pode ou não ser um local harmonioso e promotor de bem-estar dos seus habitantes, ou de quem por lá passa. Se bem que até nem fosse a sua área de formação. Mas sabia as consequências na vida das pessoas – boas ou más.

Eram horas de voltar. Não tinha bem a certeza de qual de dois caminhos enveredar. Mas já os tinha reduzido a dois. Não era mau.

Leave a Reply