O modelo neoliberal em crise profunda- o exemplo inglês — Texto 6. Será Truss a pior Primeira-Ministra na história?  Por Dominic Sandbrook

 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

15 m de leitura

Texto 6. Será Truss a pior Primeira-Ministra na história? 

Ela é o equivalente Tory de Jeremy Corbyn

 Por Dominic Sandbrook

Publicado por  em 7 de Outubro de 2022 (ver aqui)

Republicado por  em 7 outubro de 2022 (ver aqui)

 

Se acreditar nos principais meios de comunicação social, tem sido mais uma semana cosmicamente terrível para os Conservadores. Mas vamos parar de falar de todas as pequenas coisas que correram mal, e concentrar-nos antes no que correu bem. Ninguém morreu. Liz Truss conseguiu terminar o seu discurso sem perder a voz, sem se perder no que estava a dizer ou sem cair do palco. A libra está de volta ao seu nível antes do Evento Fiscal de Kwasi Kwarteng. E talvez, apenas talvez, afinal de contas, as coisas vão correr bem.

A crise energética do Inverno não será tão má como todos temem. A inflação vai começar a descer. Na Primavera, esse enorme chumbo da sondagem feita pelo partido Trabalhista será uma memória desvanecedora. E à medida que se aproximam as próximas eleições, as pessoas comuns de toda a terra atirarão os seus bonés ao ar e aplaudirão o nome da Boa Rainha Liz…

Não, não o posso dizer, não o posso pensar. Por mais tentador que seja inclinarmo-nos contra a sabedoria convencional, por vezes só temos de enfrentar os factos. A conferência foi horrível. O discurso foi horrível. Este foi o pior começo para qualquer estreia, penso eu, na história recente – talvez mesmo em toda a história britânica.

Talvez alguns leitores pensem que isto é muito duro. Mas um aliado próximo de Truss, falando fora do registo para o Financial Times, não parecia pensar assim. “Voltei para o meu quarto de hotel e chorei”, disse ele. “É um desastre total”. Isso é praticamente o que o público em geral também pensa. Em grupos de discussão esta semana, as palavras que surgiram repetidamente foram “incompetente”, “inútil”, “não confiável”, “perigosa” e “sem ideias “. Os apostadores nem sempre têm razão, é claro. Mas desta vez estão certos, não estão?

“A nossa política é grande”, disse Penny Mordaunt [n.t. líder da Câmara dos Comuns] a uma audiência numa conferência marginal há alguns dias atrás, “mas os nossos comunicadores são uma merda”. Mas se as vossas comunicações são mesmo uma merda, então quem se importa com a política? Quem é que sequer sabe disso? Comunicar a vossa política é a própria essência da política. Se não o conseguirem fazer, nunca mais ganharão outras eleições.

Vi o discurso de Truss através dos meus dedos, envergonhado não só pela pura falta de conteúdo, mas também pela sua forma cómica e infantil de o dizer. Isto diz muito sobre o facto de que no seu desespero de encontrar algo, qualquer coisa, agradável de dizer sobre o assunto, jornais simpáticos aplaudiram-na por se ter mantido calma depois de ter sido interrompida por vozes discordantes. Só alguém que nunca tenha ouvido falar de Harold Wilson, Margaret Thatcher ou Tony Blair – todos eles brilhantes em lidar com interrupções – poderia ter pensado que isto valia a pena aplaudir.

Pois embora os académicos e ativistas prefiram frequentemente falar sobre as abstrações da ideologia ou sobre as porcas e os parafusos da política, o desempenho é realmente, realmente importante na política. Em certa medida, de facto, o desempenho é política. Mesmo num sistema parlamentar, é necessário um mensageiro que encarne a mensagem, um líder que consiga encantar e explicar. Veja Thatcher a falar com Robin Day em 1984, ou Jim Callaghan a ser entrevistado pela Thames TV This Week em 1978, e é como entrar num mundo diferente. Sejam quais forem as suas diferenças ideológicas, Thatcher e Callaghan são experientes e consumados executantes, no topo dos seus respetivos jogos. Pensam sobre as perguntas. Falam com frases completas, até mesmo com parágrafos completos. Dão respostas longas, ponderadas e sérias. Parecem ser pessoas impressionantes, bem informadas e formidáveis. Depois observem novamente Truss, e tentem não chorar.

Os problemas dos Tories são mais profundos do que Truss, claro, mas como ela é uma parte tão colossal neles, não podemos deixá-la escapar. Fiz um verdadeiro esforço esta semana para pensar num Primeiro-Ministro que tivesse tido um começo pior, e a verdade é que não posso. Até Theresa May teve uma lua-de-mel bastante longa até ter estragado tudo na catástrofe eleitoral de 2017. Gordon Brown também teve uma lua-de-mel decente, até que a estragou ao não convocar uma eleição. (Maldito se o fizer, maldito se não o fizer).

Talvez o único paralelo vagamente relevante seja Sir Alec Douglas-Home, que sucedeu a Harold Macmillan no final de 1963, depois de um arranjo de liderança muito obscuro por parte dos seus velhos amigos do Gabinete Etoniano. Enquanto conde não eleito com, de acordo com as suas próprias  palavras, uma forma pobre de se apresentar em televisão e um “rosto como um crânio”, Douglas-Home foi uma escolha ridícula na era dos Beatles e James Bond. Mas ele não era completamente terrível. Tinha sido um Secretário dos Negócios Estrangeiros sólido durante três anos, e para muitas pessoas representava um tipo de estabilidade tranquilizadora. Nas sondagens Gallup, a satisfação com ele nunca ficou abaixo dos 40%, o que não era mau para alguém no final de um regime Tory de 13 anos. E Douglas-Home chegou mesmo muito perto de ganhar em 1964, com 304 lugares para os 317 dos Trabalhistas. Alguém pensa seriamente que a Truss pode ganhar 304 lugares? Ao ritmo atual, ela terá a sorte de chegar a três dígitos.

Pondo de lado as questões estruturais, institucionais e externas, onde se situa Truss no panteão dos PMs? Estes são dias terrivelmente iniciais, claro, mas penso que a resposta é bastante clara. Mesmo que se admire o que ela representa – uma espécie de simulacro thatcheriano sobrecarregado, uma libertinagem de mercado livre – penso que ela é de longe a pessoa menos impressionante a ter-se tornado Primeiro-Ministro na minha vida, desde o advento do sufrágio universal e talvez até desde a criação do gabinete sob George I, ou Rainha Ana, se te sentes excêntrico.

Pondo de lado as questões estruturais, institucionais e externas, qual é a posição da Truss no panteão dos PMs? Estes dias iniciais foram  terríveis , claro, mas penso que a resposta é bastante clara. Mesmo que se admire o que ela representa – uma espécie de similitude com Margareth Thatcher  sobrecarregada, uma libertária do mercado livre – penso que ela é confortavelmente a pessoa menos impressionante a ter-se tornado Primeira-Ministra na minha vida, desde o advento do sufrágio universal e talvez até desde a criação do gabinete sob George I, ou da  Rainha Ana, mesmo se se sente excêntrico.

Se acha que isto é um pouco duro, imagine que está a jogar um jogo Top Trumps com um primeiro-ministro. Saque as suas cartas. Algumas são melhores do que outras. Walpole [n.t. 1676-1745 considerado a primeira pessoa a ocupar o cargo de primeiro-ministro do RU] é ótimo na gestão parlamentar, mas recebe más notas no que respeita a probidade. Gladstone [n.t. 1809-1898, primeiro-ministro em quatro ocasiões] está largamente à frente na categoria da “recuperação das prostitutas “, mas obtém zero pontos pelo seu sentido de humor. Churchill [n.t. 1874-1965, primeiro-ministro 1940-45 e 1951-55] ganha a todos os outros em matéria de coragem. Depois há as cartas mais fracas. Alguém tem de sacar Lord Rosebery [n.t. 1847-1929, primeiro-ministro 1894-95]; outra pessoa fica com Arthur Balfour [n.t. 1848-1930, primeiro-ministro 1902-05]. Theresa May [n.t. 1956-, primeira-ministra 2016-19], lamento dizer, não é uma boa carta.

E depois há a nossa Liz. Sei que é suposto ela ser otimista como um tigre saltitante e alegre, mas e depois? També o é Peter André [cantor inglês], mas eu não o convidaria a tornar-se Primeiro Lord do Tesouro. Em privado, diz-se, ela é tremendamente cómica. E então? É suposto que ela deve estar a dirigir o país, não a atuar no circo – não que ela não fosse também boa nisso, porque tem uma presença de palco tão estranha.

Ela não pode dar entrevistas, porque não consegue pensar de pé e não consegue lidar com perguntas difíceis. Não pode fazer discursos, porque parece incapaz de ler com lucidez a partir de um teleponto. De facto, ela nem sequer consegue escrever discursos: a sua homenagem à Rainha à porta do Número 10 – onde ela alegadamente pôs de lado o texto preparado pelos seus funcionários e escreveu o seu próprio – foi um embaraço, falhando completamente o momento na sua insipidez e banalidade.

O que pode ela fazer? Qual é o seu objetivo? De certa forma, a questão é óbvia. Ela não é Rishi Sunak. Como Janan Ganesh escreveu num artigo muito bem observado no início deste Verão, Truss ganhou porque tinha as “vibrações” certas para os membros Tory, apresentando-se como “regional” e “sem complexos”, e não como uma muito polida e rica snob das metrópoles. Mas eu iria mais longe. Para mim, ela parece-me o equivalente Tory de Jeremy Corbyn, uma escolha manifestamente inapta para ser líder simplesmente porque ela se vergou aos preconceitos dos seus próprios apoiantes. (Ver também: Iain Duncan Smith.) O paralelo não é inteiramente exato, claro, porque as opiniões risíveis e ridículas de Corbyn sempre foram notavelmente consistentes, enquanto Truss costumava ser uma [membro do partido] Democrata Liberal pró-europeu e antimonárquico. Por isso, ela é ambiciosa. Talvez isso, então, seja então o seu super poder, mas isso não significa nada.

Estranhamente para uma pessoa tão fundamentalmente desinteressante, Truss encarna todo o tipo de coisas interessantes. Ela é a personificação da facciosidade e decadência que quase sempre aflige os partidos governantes depois de terem estado demasiado tempo no cargo. Mas ela representa também uma cultura política em que os partidos já não são organizações de adesão em massa, permitindo que pequenos grupos de ativistas escolham os nossos líderes nacionais. Ela é o produto de um mundo em que as linhas entre a política estudantil e a política de Westminster se tornaram desastrosamente confusas, de um cenário mediático que negoceia em soundbites baratos, e de um ambiente de trabalho em que os líderes políticos seniores não têm tempo para ler ou para pensar.

Mesmo assim, poderia ter sido diferente. A política muitas vezes transforma-se com pequenas coisas, e assim foi neste caso. Truss apenas se envolveu na ronda final da liderança Tory, e nem sequer ganhou um terço dos votos dos seus colegas deputados. Na altura, pensei que, pondo de lado as minhas próprias predileções ideológicas, ela era a pior candidata da corrida e nada do que vi desde então me fez rever a minha opinião. Na votação final dos deputados, apenas oito votos a separaram de Penny Mordaunt, que provavelmente teria ganho tudo se ela tivesse obtido o número necessário dos deputados.

Há algumas semanas, assisti à presença das duas no King’s televised Accession Council. Mordaunt, como Lord President of the Council, estava no comando, e geralmente pensava-se que tinha sido muito – bem, primeira-ministra. Truss, entretanto, estava à espreita atrás, como uma estranha combinação da irmã de Drácula e de Uriah Heep. Questionava-me então se alguns deputados Tory não desejavam agora ter votado de forma diferente. Agora, é demasiado tarde, no entanto. Fizeram as suas camas, e agora vão ter de se deitar nelas.

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Alguns dos comentários ao artigo

De J Bryant

Sou americano e até eu tenho pena de Liz Truss. Este é o último artigo que a estripa apenas um mês depois da sua tomada de posse. Eu diria que Truss teve um início extremamente desastroso mas quem sabe o que ela poderá conseguir com o tempo. É necessário dar a uma pessoa (mesmo a uma PM) uma oportunidade. Concordo certamente que a Truss não tem presença de palco. Esse tipo de político tem realmente de produzir resultados. Ela não pode contentar-se com o seu charme.

De Billy Bob (resposta a J Bryant)

Ela está acabada. Uma autoproclamada defensora dos mercados livres que aterrorizou os mercados no intervalo de um mês após ter tomado posse, não vai recuperar uma impressão de competência económica, que é tudo por onde deveria ter começado. Ela desapareceria amanhã se os conservadores pensassem que poderiam desembaraçar-se dela através de uma outra disputa de liderança sem serem fortemente castigados.

De Fanny Blancmange (resposta a Billy Bob)

Estou perplexa com a forma como alguém com o ar de um gerente regional de uma cadeia de sapatarias chega tão longe tão rapidamente com aparentemente tão pouco. O artigo é excelente, exceto pela afirmação do autor de que os deputados que a apoiaram fizeram as suas camas. Duvido que muitos deles acabem por ficar piores que nós, cidadãos comuns.

De Billy Bob (resposta a Fanny Blancmange)

É preciso ser cético em relação a alguém que possa deixar de ser um votante do partido Republicano Democrata Liberal, defensor da permanência do Reino Unido na União Europeia (um remain), para passar a ser um apoiante do Brexit  no partido Tory que defende a monarquia.

Embora as minhas opiniões tenham mudado ao longo dos anos (estou mais à esquerda economicamente do que estava na minha juventude), desconfio de alguém cujas convicções sobre uma série de assuntos podem fazer uma viragem de 180 graus.

(…)

De polidori redux (resposta a Billy Bob)

Comecei sendo a favor da CEE, mas Tony Benn convenceu-me do contrário. Se não podemos ser educados para mudar as nossas mentes, então qual é o sentido do debate político?

(…)

De Roger Irwin (resposta a Billy Bob)

Talvez deva desconfiar daqueles que estão a tentar convencê-lo de que ela fez uma viragem de 180. Eu vivo na zona euro e estava na vedação sobre Brexit. Desde que o Reino Unido partiu, a UE deixou bem claro para onde querem ir. Estou agora convencido de que o Brexit foi a jogada certa para o Reino Unido.

De Billy Bob (resposta a Roger Irwin)

Ela fez uma viragem de 180 graus. Não precisa de falar comigo sobre o Brexit, votei para sair. No entanto, Truss quis permanecer (Remain) até ao momento em que se tornou politicamente vantajoso aparecer a favor do sair.

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De Burke schmollinger (resposta a J Bryant)

Eu sou um compatriota americano e eu fico com os pelos em pé quando a ouço ser descrita como “Reaganista”. Líderes sem carisma com má comunicação e ideias pouco originais, que não estão associados a nenhum mandato eleitoral e que conduzem o país à paralisia total, é precisamente o oposto de “Reaganismo”.

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De Andrew McDonald

A parte mais triste desta peça muito precisa e deprimente é a lembrança dos políticos que deram respostas ponderadas a perguntas difíceis – em frases, e mesmo em parágrafos. Como eu odiava Thatcher e Callaghan, e como sinto agora a falta deles.

De Steve Elliott

Que tipo de título é este? Ela é PM desde há algumas semanas. Como pode isso ser justo? Diz-se que ela é o equivalente em Tory de Jeremy Corbyn, mas ele nunca foi PM. Ele era um péssimo líder do partido trabalhista e teria feito um péssimo PM. Se ele se tivesse tornado PM, nunca se sabe se ele poderia ter sido realmente o pior PM da história. Esse título soa a algo que poderia ser dito de Trump. Não sou grande fã de Liz Truss, mas vamos….

De Desmond Wolf (resposta a Steve Elliott)

Concordo plenamente que a comparação com Corbyn é injusta. Ele foi posto KO pela imprensa antes de ter tido a oportunidade de ser PM e demonstrar o suposto perigo das suas políticas económicas (bastante populares), enquanto que Truss só foi posta KO *após* se ter tornado PM e já demonstrou os danos das suas políticas (impopulares). A imprensa tem sido muito mais simpática para Liz Truss a esse respeito, por isso tem razão – não podemos compará-las!

De Andy White

Isto agora está a tornar-se enfadonho. Dominic Sandbrook não consegue resistir a ter de atacar Corbyn em todas as oportunidades possíveis. Quantas vezes é preciso dizer isto? (Porque parece zilhões de vezes). Corbyn tinha muitas falhas, mas as suas políticas eram na realidade muito populares, de acordo com as sondagens de opinião. As eleições de 2019 eram sobre se íamos ou não fazer o Brexit para a maioria das pessoas, mas claramente não para D. Sandbrook e seus semelhantes, e eles irão para as suas sepulturas lamentando que tudo isto foi um gigantesco voto de protesto contra o sanguinário Jeremy Corbyn.

De Steve Elliott (resposta a Andy White)

Apesar do que disse, concordo consigo e com Desmond. Concordo com pelo menos algumas das políticas de Jeremy Corbyn e penso que ele é um homem melhor do que Keir Starmer. Só não acho que ele seja um líder. Ele sempre me pareceu desconfortável nesse papel. Ele está no seu melhor falando para um comício ou na frente de uma marcha, falando em nome dos mais desfavorecidos. Foi uma vergonha a forma como Starmer o tratou.

(…)

De Aw Zk

Será Liz Truss a pior PM da história? Não sei e não concordo com os que têm um maior conhecimento da história. Mas penso saber como Liz Truss será lembrada pela história: ela será a morte do Thatcherismo.

Quando Margaret Thatcher se tornou primeira-ministra, foi porque a Grã-Bretanha estava assolada por problemas e o povo britânico pensava que ela tinha as soluções. Quando Liz Truss se tornou primeira-ministra, foi porque o Partido Conservador estava assolado por problemas e o Partido Conservador pensava que ela era a solução. No entanto, a Grã-Bretanha também está assolada por problemas e um número suficiente do povo britânico verá que os problemas são causados pelo Thatcherismo.

As empresas de energia privatizadas podem não conseguir manter as luzes acesas este Inverno. As empresas de água privatizadas que não investiram o suficiente na reparação de fugas ou na construção de reservatórios estão a impor proibições de mangueiras. Os proprietários de habitações enfrentam aumentos incomportáveis nos pagamentos de hipotecas, apesar das taxas de juro não serem elevadas pelos padrões históricos, porque a propriedade se tornou incomportável ou dificilmente acessível para muitos porque a habitação foi largamente deixada ao mercado e o mercado imobiliário falhou. Nada que Liz Truss ou qualquer outra pessoa do Partido Conservador possa ou venha a fazer antes das próximas eleições fará diferença suficiente para um número suficiente de pessoas. Estamos a chegar a um beco sem saída numa corrida contra uma parede de grossos tijolos e com um telhado bem sólido. O acidente vai doer muito. A pessoa que estiver ao volante levará com a culpa.

Quer seja em 2022, 2023 ou 2024, as próximas eleições serão um ponto de viragem ideológico como 1945 ou 1979. A atual iteração do Partido Conservador que começou com Margaret Thatcher será destruída e o Partido Conservador terá de se reinventar num país que será remodelado pelos seus opositores que, tal como o New Labour em 1997, beneficiarão da boa vontade e de tempo. Não sei o que virá depois do Thatcherismo (mas suspeito que será baseado na política económica keynesiana que ajuda a manter uma aliança política desconfortável entre o conservadorismo com “c” pequeno e a ideologia assente na justiça social e racial). E também não sei quanto tempo durará a nova era, mas será uma nova era.

(…)


O autor: Dominic Sandbrook é um autor, historiador, e colunista no sítio UnHerd. O seu último livro é: Who Dares Wins: Britain, 1979-1982 October 7, 2022.

 

 

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