PELO TERREIRO DO PAÇO por Clara Castilho

Desde a rua alheada. Ao fundo, o Arco da Rua Augusta abrindo-se para o Terreiro do Paço.     

Todos os dias por lá passa vinda da outra banda.

Vai lembrando coisas que ela própria ali viveu. Vai lembrando a história do país, à volta daquele local.

Local de onde partiam e chegavam barcos do comércio dos Descobrimentos, destruído pelo maremoto de 1775 e depois feito símbolo de uma nova fase da cidade pela mão do Marques de Pombal, impondo-se a estátua de D. José I.

Foi lá que o rei D. Carlos foi morto, onde a Marinha foi cerne da implantação da República. Foi lá que funcionaram os Ministérios e Oliveira Salazar discursou ao “povo”.

Dalí partiram os militares de Abril, subindo a Rua do Arsenal para chegar ao Quartel do Carmo.

É onde muitas manifestações começam ou acabam. É onde se lança o fogo de artifício, desejando um bom ano novo para todos e se embalam as gentes com espetáculos gratuitos.

Continua sendo o centro de tudo.

E ela continua todos os dias a por lá passar, a ir para a outra banda.

 

 

 

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