Não quero falar do maior looser dos states, por não merecer que ‘gaste o meu latim com ele’. Que se entretenha no seu campo de golf, por até nisso não ser grande coisa! Pode ser que aprenda!
O conjunto de reflexões a que Hannah Arendt deu o nome ‘Verdade e política’, começava com um algumas considerações sobre a ‘legitimidade’ do uso da mentira como instrumento de trabalho do demagogo, do político e até do homem de estado, pois ‘Nunca ninguém teve dúvidas que a verdade e a política estão em bastante más relações, e ninguém, tanto quanto saiba, contou alguma vez a boa fé, no número das virtudes políticas’.
Segue-se a esta sentença, toda uma série de interrogações em volta da dignidade e do valor da verdade, quando ela não tem qualquer poder no domínio público.
Aliás, já é extremamente complicado, sair dessa teia de mentiras –“fakes” para usar a linguagem actual–, meias-verdades e sugestões ‘armadas’ pela quantidade de informação que nos chega em permanência, tecida pelos órgãos de comunicação social, ‘influencers’ de todo o tipo nas redes sociais que, para conseguirmos algum conhecimento e diminuir tanto ruído, deveremos ter um cuidado enorme e quase titânico, em distinguir e libertarmo-nos dos dogmas, mormente dos que até são nossos.
Também um qualquer de nós, ao iniciar uma simples acção ou tomar outra atitude mais singela, deve pensar e ter em conta que ‘supõe complexidade, arrasta elementos aleatórios, sorte ou azar, iniciativa, decisão e consciência das mudanças e transformações que podem originar’, garante Edgar Morin e, só libertando-nos dos nossos dogmas, poderemos imaginar o seu possível alcance, mais ainda se ela se vier a transferir para o domínio público.
E como disse o jornalista norte-americano Christopher Lynn Hedges, vencedor de um Pulitzer, ‘Agora vivemos numa nação onde os doutores destroem a saúde, os advogados destroem a justiça, as escolas destroem o conhecimento, o governo destrói a liberdade, a imprensa destrói a informação, a religião destrói a moral e os bancos a economia’.
E ainda li, no periódico onde recolhi esta citação, ‘Há governantes que procuram transtornar os seus “súbditos”, através de leis humanamente inadequadas, que apenas procuram dividir, logrando assim que nos esqueçamos de também termos vindo a este mundo para desfrutar e para sorrir’, ou então como em ‘Os miseráveis’ afirmou o dramaturgo Victor Hugo, ‘Há gente que respeita as regras da honra, da mesma maneira que observamos as estrelas, de muito longe’.
Talvez e, a propósito, aqui deixo uma afirmação de Saramago no ‘Último Caderno de Lanzarote’, datada de 20 de Dezembro de 1998, ‘Continuarei a dizer que a literatura não muda o mundo, mas cada vez mais vou tendo razões para acreditar que a vida de uma pessoa, pode ser transformada por um simples livro’.
Na verdade, a sabedoria e o conhecimento exigem leitura, muita leitura, matérias variadas, análises e estudos detalhados, conversas com adversários e discordantes, para haver conclusões seguras, dando a devida importância a opiniões idóneas.
A sabedoria que levou Sartre a negar o Prémio Nobel de Literatura em 1964, alegando, entre outras razões, ‘A batalha pela coexistência pacífica entre o Este e o Oeste deve dar-se entre homens e entre culturas, sem intervenção das instituições. No Ocidente só se entende uma liberdade abstracta. Pessoalmente, prefiro uma liberdade mais concreta, que consiste no direito a ter mais um par de sapatos e comer o suficiente. Renuncio às 250.000 coroas do Prémio, por não desejar ser institucionalizado, nem a Ocidente nem a Oriente, até porque não deveria renunciar, por outra parte, a uma soma que poderia compartir’.
Atitude que nos leva a pensar que talvez as actuações políticas, tanto a Ocidente como a Oriente, estejam fundamentadas em retóricas que as sociedades têm dificuldade em compreender, porque as prejudicam gravemente e as levam a discordar deles todos.
Ou como disse um dia Gabriel García Márquez, ‘Não é verdade que as pessoas deixem de perseguir os sonhos porque envelhecem, começam a envelhecer porque se deixam de procurar sonhos’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor