A BARRACA – ESTREIA “OS PINTORES DE CANOS”, de HEINRICH HENKEL, AMANHÃ, QUARTA-FEIRA, 28 de DEZEMBRO, às 19.30 – EM CENA 28, 29 e 30 de DEZEMBRO, QUARTA, QUINTA e SEXTA, às 19.30, e de 12 de JANEIRO a 26 de FEVEREIRO 2023, QUINTAS e SEXTAS às 19.30, SÁBADOS 21.30, DOMINGOS 17.00

ESTREIA N’A BARRACA

OS PINTORES DE CANOS

De Heinrich Henkel

 

28 de Dezembro de 2022 às 19h30

Na Sala 1 do Teatro Cinearte

Largo de Santos, 2 1200 808 Lisboa

 

Em cena no Teatro Cinearte

28, 29 e 30 de Dezembro 2022 , Quarta, Quinta, Sexta às 19.30h

e de 12 de Janeiro a 26 de Fevereiro 2023, Quintas e sextas às 19.30h, Sábados 21.30h, Domingos 17.00h

Os Pintores de Canos

De Heinrich Henkel

Os Pintores de Canos é uma peça que apresenta em cena uma visão, de experiência feita, do dramaturgo Heinrich Henkel, ele próprio um operário.

Dois operários, pintores de canos, trabalham mecanicamente num lugar subterrâneo, onde preservam a manutenção dos canos através da pintura, e é neste local – por vezes claustrofóbico e ao mesmo tempo de uma imensidão infinita, devido à perenidade do seu trabalho – que refletem sobre as suas vidas e as díspares e divergentes perspetivas com que as testemunham. Por um lado, temos um operário mais velho, de meia-idade, um profissional veterano, que aceita impassível a sua vida e todas as condições que esta lhe oferece, sem as rebater. Por outro lado, temos um jovem operário que questiona de forma contestatária as perspetivas do colega mais velho. Este principiante proletário não aceita a apatia que esta função lhe propõe, tentando contorná-la com algum sentido de lazer e desenfado, mas isto só seria possível se colher a aprovação e cumplicidade do seu provecto colega, e assim se iniciam as discórdias e conflitos dos representantes destas duas gerações, tão afastadas pela idade como pelo pensamento.

Trata-se de uma criação cénica que procura ultrapassar os debates geracionais, abrindo o pano para a reflexão sobre as fragilidades da sociedade mais capitalista e menos humana, onde todos são substituíveis, enfrentando o medo do desemprego, os pequenos poderes e as grandes misérias.

Meio século depois da escrita desta peça, experienciamos uma conjuntura global de sombria instabilidade nos mais variados setores, sem resolução à vista, também no que respeita à realidade laboral.

Parece-nos oportuno levar à cena estes pintores de canos, que, nas palavras de Heinrich Henkel, revelam muito do que ainda se vive no mundo do trabalho através de humor e pessimismo. Sendo o humor uma característica congénita ao grupo A Barraca, abdicamos do pessimismo – nós, discípulos desse outro marxista sui generis Helder Mateus da Costa, vamos pelo humor e pelo otimismo sartriano que ele nos ensinou. É por isso, nessa paternidade que a arte teatral nos proporciona, que dedicamos, com gratidão, este espetáculo ao nosso Helder Mateus da Costa.

Com interpretações dos atores e comparsas Sérgio Moras, Vasco Lello e Samuel Moura, pintores de canos, atores d’A Barraca, os impertinentes do costume com as suas parvoíces (palavra favorita no léxico do Helder Costa).

Adérito Lopes

 

SOBRE A OBRA DO AUTOR

Nas suas obras, Heinrich Henkel escreveu principalmente sobre experiências do mundo do trabalho e dos relacionamentos laborais, tendo sido muito apreciado pela crítica logo após a sua primeira aparição na criação dramatúrgica.

A estreia mundial de Eisenwichser (Os Pintores de Canos) aconteceu no Theater Basel (Teatro Municipal de Basileia, Suíça), sob a direção de Horts Siede, a 23 de setembro de 1970,  e resultou num espetáculo muito bem sucedido junto do público. O realizador Markus Imhoof adapta em 1979 esta mesma obra para cinema.

Entre 1970 e 1975, Heinrich Henkel foi dramaturgo residente do Theater Basel. A maioria das suas peças desenrola-se no mundo laboral, tratando de problemas no local de trabalho e mostrando as disfunções sociais, psicológicas e mentais dos trabalhadores como resultado das condições da produção capitalista.

Na peça em um ato Frühstückspause (Pausa para o Pequeno Almoço), com estreia mundial em 17 de abril de 1971, no Theater Basel, com direção de Roland Kabelitz, Henkel retrata atitudes contrastantes entre assalariados, um jornaleiro e um chefe. Ao debruçar-se sobre situações do quotidiano operário, o autor opta por ações concisas e diálogos lacónicos, característica comum à sua restante dramaturgia.

Em Olaf und Albert (Olavo e Alberto), que teve estreia mundial em 19 de setembro de 1973,  no Theater Basel, sob a direção de Wener Düggelin, Heinrich Henkel concentra o conflito dramático sobre o poder e o sucesso em duas figuras antagónicas.

Solidão, desamparo, homoerotismo e a busca por amizade e amor são o foco de suas peças Still, Ronnie (Ainda Assim, Rony), com estreia mundial em 17 de setembro de 1981, no Theater Basel, com encenação de Petra Dannenhöfer,  e  Altrosa (Rosa Negra) com estreia mundial em 21 de janeiro de 1983 , no mesmo palco, com encenação de Joachim Preen.

Outras obras dramáticas: Spiele um Geld (Jogos a Dinheiro) com estreia mundial em 20 de setembro de 1971, no Theater Basel, sob a direção de Kabelitz; Betriebsschlußung (Encerramento),  estreado em 15 de fevereiro de 1975, neste mesmo teatro, com direção de Siede; Zweifel (Dúvida) estreado em 21 de abril de 1985, no palco do Württembergische Landesbühne em Esslingen; Lohnhof, em 19 de abril de 1996, no Teatro de Lucerna, com encenação de Jürgen Kloth.

Os manuscritos de Heinrich Henkel encontram-se ao cuidado da biblioteca da Universidade de Basileia

DADOS SOBRE PRODUÇÕES DA PEÇA

Eisenwichser (Os Pintores de Canos), de Heinrich Henkel, estreou na Suíça em 1970 e foi um enorme sucesso para o então desconhecido dramaturgo.

Esta peça conta a história de dois pintores de canos que trabalham com tintas e vernizes tóxicos. Heinrich Henkel, ele próprio pintor da construção civil, antes e depois do seu sucesso com esta peça, cita as perigosas condições de trabalho a que estão expostos os trabalhadores que pintam construções de metal e ferro, e elege isso como razão para escrever. O autor recebeu críticas entusiásticas pela sua peça, após a estreia no Teatro Municipal de Basileia, a 23 de setembro de 1970, com encenação de Horts Siede.

Eisenwichser (Os Pintores de Canos), em 1971, teve a primeira adaptação para rádio por Klaus Gmeiner e direção de Leonhard Paulmichl, com as vozes de Fred Tanner, Wolfram Berger, René Scheibli e Michael Rittermann.

Em 1972, Eisenwichser (Os Pintores de Canos), subiu à cena mais de setenta vezes, conhecendo adaptação para a televisão e filmado com Willy Semmelrogge e Claus Theo Gärtner.

Em língua portuguesa, no Brasil, sob direção de Beatriz Segall, a peça Os Pintores de Canos foi estreada pelo Grupo de São Pedro, em São Paulo, no ano de 1974, com interpretações de Sérgio Mamberti, Zé Fernandes e Whalmyr Barros.

Eisenwichser (Os Pintores de Canos), em 1975, foi adaptada para rádio em dialeto, com o título Isenputzer, sob a direção de Walter Bäumer, com as vozes de Heinrich Kunst, Walter Kreye, Herbert Steinmetz e Claus Boysen.

Em 1979, Markus Imhoof filmou a peça para a televisão suíça sob o título Isewixer, em uma versão em dialeto. Os atores foram Uli Eichenberger, Jürgen Pruschanski e Paul Lohr.

SOBRE O DRAMATURGO

Heinrich Henkel nasceu em Coblença, na Alemanha, a 12 de abril de 1937.

Vive a sua infância em Bad Ems, na Alemanha. Após a escola primária, aprendeu o ofício de pintor de construção civil e passa a exercer esta atividade, assim como também a aplicação de papel de parede na indústria naval. A partir de 1955, trabalhou como pintor e encadernador. Em 1964 mudou-se para a Suíça como pintor mestre, onde também trabalhou como marceneiro e exerceu a função de delegado sindical do sindicato suíço de construtores.

Continuando a trabalhar no ofício de pintor, começou a colaborar como redator freelance para o teatro em 1970, depois de já ter começado a escrever textos. Eisenwichser (Os Pintores de Canos) recebeu em 1970 o Prémio Gerhart Hauptmann, e em 1971, o Prémio Memorial Schiller, sendo publicada em livro pela prestigiada editora Diógenes Verlag. Ainda em 1971, escreveu Spiele um Geld (Jogos a Dinheiro), em 1973, Olaf and Albert (Olavo e Alberto), e em 1975, The Plant Closure (O Encerramento da Fábrica).

Henkel trabalhou em exclusivo como pintor novamente por cinco anos a partir de 1975. Posteriormente, continuou a escrever textos para a cena e para teatro radiofónico. Em 1981, recebeu o Prémio da Fundação dos Autores de Frankfurt. A sua última peça, Lohnhof, em 1996, foi realizada com sucesso no Teatro Lucerna. Porém, não obstante o êxito, Heinrich Henkel voltou ao seu ofício de pintor da construção civil em Basileia.

O dramaturgo-operário morreu nesta cidade suíça, a 2 de março de 2017.

FICHA ARTISTICA E TÉCNICA

Os Pintores de Canos

 

Dramaturgo | Heinrich Henkel

Encenação | Adérito Lopes

Interpretação | Sérgio Moras e Vasco Lello, participação de Samuel Moura

Direção técnica e desenho de luz | Vasco Letria

Sonoplastia e operação de som | Ricardo Silva

Montagem e operação de luz | Ruy Santos

Cartaz e design gráfico | Inês Costa

Costureira | Elza Ferreira

Assistência operacional | Sona Dabo

Produção | A Barraca

 

Bilhetes

Bilhete normal: 16,00 €

Estudantes, Profissionais de Teatro, menores de 25 e Maiores de 65 anos: 12,00 €
Quinta-Feira: 12 € (Preço Único)

 

Classificação Etária

M/12

 

Informações e Reservas

Tel: 213965360 | 213965275 | 913341683 | 968792495
e-mail: barraca@mail.telepac.pt | bilheteira@abarraca.pt

Bilheteira online:

https://abarraca.bol.pt/

 

 

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